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19/07/2013

~ saudável embriaguez

«I don't know if we each have a destiny or if we're all floating around accidental - like on a breeze, but I, I think maybe is both. Maybe both is happening at the same time».

Realmente não sei se somos todos guiados pelos astros lá em cima ou se andamos por aqui a flutuar qual folhas de outono ao sabor do vento até morrermos mas acho que, se acreditarmos e quisermos muito, conseguimos fazer com que as nossas rotas se cruzem ou que as folhas colidam e caíam no mesmo chão.
Não sei se foram as estrelas que traçaram os nossos caminhos ou se a brisa nos soprou para o mesmo norte ou se até houve uma combinação dos dois, como pensa o Forrest Gump, mas fico feliz por te saber, ao longo destes anos todos, ainda nos meus trilhos, tal e qual o sentimento da Gadú na canção.
Depois de uma adolescência com tanta história, tanto amor-ódio, riso, lágrima, drama e glória, é bom saber que crescemos, que continuamos a poder ligar a qualquer hora para tudo e para nada e que, apesar de tudo, continuamos a não ter cerimónias quando nos abraçamos com a mesma força depois de, numa noite de excessos, o barco ter sido virado.
No fundo nós temos sido sempre um grande estado de saudável embriaguez, com todos os devidos ciclos de reabilitações e recaídas à mistura. Se assim for, se no final de contas formos mesmo dois fortes sabores alcoólicos a navegar no gigante copo que é a vida, eu não quero nunca ficar sóbria.


[01.47am]

27/12/2011

~ eu disse(-te)

«People change. They end up having nothing to say to each other, even if they were best friends the year before».

Eu disse que ias permanecer no meu coração, não na minha vida. Guardei-te com cuidado, estimei-te muito mas tu não parecias ver o valor que ainda te ia dando. O tempo passou, ganhaste no pó e perdeste na importância. Não podias esperar que, passados dois anos, as coisas estivessem iguais quando voltasses. Eu disse-te que não ia ficar à espera, avisei-te contra todas as vontades que nunca mais iríamos ser nós.
Não tenho culpa que, apesar de também teres conseguido avançar, tenhas ficado preso à ilusão de que eu estaria aqui, de braços abertos para ti quando tudo te corresse mal e desejasses regressar. Lamento se desmoronei as paredes desse teu sonho que tinhas como garantido, mas para mim nós já não fazemos, há muito, sentido.
Não posso mais ocupar o lugar da pessoa que te limpava as lágrimas, que dava conselhos e que te adocicava os pensamentos amargurados. Eu já não sou essa pessoa e nós já não temos essa intimidade, perdemo-la enquanto não quiseste saber de mim nem de ninguém durante estes dois últimos anos. Tu é que quebraste a promessa, tu é que não cuidaste de mim, tu é que me abandonaste.
Já devias saber que não se depositam todos os nossos sonhos pessoais noutra pessoa, que eles são da nossa responsabilidade. Eu aprendi isso contigo, temos de guardar mais amor-próprio do que aquele que oferecemos.
Já te tinha dito também que não podes vir ter comigo em busca de consolo por causa do amor que ela te negou, eu também tenho um ele a quem me dedico, não me sei dividir por mais ninguém e o teu tempo na minha vida já foi.
Espero, sinceramente, que fiques bem mas não te posso ajudar mais. Eu disse-te (e volto a dizer) que ias permanecer no meu coração, não na minha vida.

[03.20pm]

11/11/2010

~ O conselho

«(...)
m.deixa-me falar-te de uma cena: sabes, hoje estive a pensar imenso em ti. Já tinha saudades de pensar tanto em ti. Sabes de uma cena que me lembrei?
q.diz
m.quando a tua tia me disse para cuidar de ti e nunca te abandonar.
q.já não me lembrava disso..
m.eu lembrei-me
q.ela disse mesmo assim?
m.disse sim. Disse mais, "cuida bem dela, nunca a abandones e dá-lhe muitos mimos/dá-lhe muito carinho"».











Obrigada por, ao fim deste tempo todo, continuares a seguir O conselho.
Hoje invertemos os papéis; estou aqui para tudo.

24/10/2010

~ acima dos 65 é sempre a subir

"To be yourself is all that you can do".

M
iúdo, estou muito orgulhosa de ti. Sinceramente, não pensava que chegasses tão perto da concretização de um grande sonho teu assim, em tão curto espaço de tempo. Confesso que tão cedo não te imaginava a fazer aquilo que mais gostas em frente a tanta gente, a pisar o palco e a encarar tantas pessoas, logo tu que tinhas vergonha de cantar acima de 65 decibéis para alguém que não te fosse próximo mas, acredita, porque eu cada vez tenho mais a certeza, que tu vais longe.
Como vês, a prova viva daquilo que eu sempre te prometi, que se te preocupasses o suficiente comigo, se te interessasses em querer saber de mim e se me pusesses a par da tua vida, eu apoiar-te-ia sempre a 101%, tiveste-a quando me convidaste a ouvir-te cantar as músicas que me ensinaste e eu aceitei. Confirmaste isso quando ontem te fiz sentir a minha presença nas primeiras filas da 'pequena multidão' que vibrava de olhos postos em ti. – Como já nos tinha cantado o nosso Veloso, "o prometido é devido" e tu mereceste.
Acredita que estou muito feliz por estares cada vez mais próximo de alcançar um dos teus grandes objectivos desde que te conheço e que te fiquei como que grata por te teres preocupado em me incluir desde já nesta importante fase da tua vida e promissora carreira, super-homem; por me teres dado a honra de assistir ao início da tua grande ascensão enquanto a estrela que eu sempre soube que serias.

[01.04pm]

20/09/2010

~ raciocínios #3


«(...)

Q.e se fosses esperto dá para aceitares o convite 4ever
M.dá, como? xD
M.já podias ter dito otária da merda. dizes depois, eu tou de rastos
M.té lougo
Q.sempre te disse, tu é que nao te quiseste dar ao trabalho, boi do caralho
Q.adoro rimar, yo
M.chama-me isso outra vez
Q.té lougoooooooooo
Q.também sou, ja sei
M.também és.
Q.boi
M.oh
M.fodeste-me agora
Q.*tário
M.tário?
Q.disseste "oh"
M.ah!
M.que linda ja viste?
M.és tao linda
Q.muy guapa
M.que qualquer coisa, que hoje nao estou original
Q.ainda estás aqui, cocó de diarreia?!
M.manda-me embora outra vez e eu vou
Q.vai-te embora com os da pandora, oupaaa!

* * *

muito boa noite loser! :)
que tenhas uma noite feliz, poio!».


assim já gosto, M.

29/07/2010

~ c'est la vie

«The ties that bind us are sometimes impossible to explain. They connect us even after it seems like the ties should be broken. Some bones defy distance and time and logic; because some ties are simply... meant to be».

Aposto que te chateaste com ela. Dois cigarros em como foi um momento de fraqueza da tua parte e eu era quem mais à mão estava para, secretamente, te vingares um bocadinho e acrescentares fermento ao teu pequenino ego.
Deve ter sido uma zanga feia, causadora de uma pitada de revolta interior alienada por uma certa nostalgia dos nossos velhos tempos. Dos bons velhos tempos, esclareça-se. Mais uma vez desabafaste comigo, indirecta e induzidamente, mas fizeste de mim, embora de uma maneira dissimulada, o teu predilecto confessionário. Não te esqueças que te leio nas entrelinhas, sempre te soube descortinar até ao âmago.
Um último favor é o que te quero pedir. Não venhas a correr para mim sempre que te desentendas com ela. Não se vieres em fuga. Eu não sou feita de sobras, não sou o resto do jantar que deixaste por comer, intacto, sobre a mesa, sabes? Podes deixar as falinhas mansas na borda do prato e arrastar os teus momentos deprimentes, humilhantes até, para o canto a par das ervilhas. Não deves mesmo ter a noção da figura que vestes de cada vez que me imploras misericórdia e apelas, sem cessar, para que pense em ti, ou tens?
Pois eu digo-te, poupando-te no latim e libertando-te dos esforços vãos, deixa-te disso, M.
Não tem nada que saber, as coisas são como te disse. Se te conforta, quero que saibas que lá por não me lembrar de ti não quer dizer que me tenha esquecido de nós, daquilo que éramos e do que estamos constantemente a tentar recuperar.
Não precisas de me tentar comprar. Para quê insistires contigo mesmo em fazer de tudo para me manter? Eu não sou nenhuma boneca de porcelana que possas encostar na prateleira e dar como garantida. Não depois de me teres vendido numa rasca e domingueira feira de garagem.
Eu já não te pertenço, sobretudo quando me tentas usar como consolo durante os teus momentos de crise com ela. Eu nunca me permiti a ser o segundo recurso, M. e tu talvez, mas só talvez, melhor do que ninguém, devesses saber isso.
Eu não te estou a desvalorizar ou qualquer coisa que se pareça, não estou a pôr nada em causa, só te estou a pedir que páres com isso, não vale a pena. Não te estou a chamar falso, só não nos mintas mais. A mim e a ti próprio. (I'm not calling you a liar, just don't lie to me, reconheço-te na letra).
Se eu realmente te fizesse falta, se tu sentisses verdadeiramente saudades minhas, de nós, lutavas mais, deixavas as palavras de lado a apodrecer juntamente com as ervilhas e passavas imediatamente para os actos, que é aquilo que interessa.
E, se não me engano, este déjàvu já to escrevi numa outra carta, há mil e uma vidas atrás.
Questionas-me se é recíproca essa tua angústia em relação a nós, perguntas-me se também eu tenho saudades tuas. Pois então interpreta-me assim: se por vezes me apetece cumprimentar-te com um abraço quando te vejo, em vez dos já quase habituais dois beijinhos que entre nós sempre foram demasiado informais? Apetece, mas não posso. Se há certeza que tenho é de que a vida não é feita de apetites, meu querido. Se gostava de partilhar algumas das minhas alegrias contigo? Quem me dera ser possível. Mas, estás a ver, ainda hoje seria um pouco embaraçoso. Nos momentos de tristeza profunda tu não me falhas, nem eu te perdoaria. Ainda é a ti a quem recorro quando assim é, disso não te podes queixar.
E eu penso que connosco vai sempre ser assim, venha quem vier e independentemente do que possa vir a acontecer, há laços que nunca mudarão e, apesar de tudo, entre nós há disso: sentimentos inegáveis, verdades irrefutáveis e laços inquebráveis.
Mas ainda podemos ir mais longe (oh, se podemos!) e eu sei bem que concordas comigo. Mas até lá é assim, c'est la vie, como tu dizes. Welcome to the real world. Reality meets M., M. meets reality. It's hard, isn't it? That's the way it is... but
we will always have Paris, que é como quem diz, nós podemos não ter um baú atulhado de souvenirs dos nossos lugares mas teremos sempre as nossas recordações guardadas connosco, a nossa história imortalizada no nosso pequeno livro, no moleskine.
E, o mais importante de tudo, no final, ter-nos-emos sempre um ao outro. I'm count on that.

[02.45am]

07/04/2010

~ um obrigada

«Quando duas pessoas foram tão próximas como nós e viveram essa proximidade de uma maneira única, aquilo a que tão raramente podemos chamar intimidade, há marcas que ficam para sempre na nossa memória e até é ingénuo tentar apagá-las».

Faltava um obrigada. Nunca tive jeito com discursos, nem estando no curso de letras me permite conseguir dizer tudo aquilo que desejo. Não deixa de ser irónico, hã? Tu sabes que as folhas de papel são as minhas eternas melhores amigas, por isso é que sempre respeitaste as minhas temporárias ausências de resposta e eu só te tenho de agradecer por isso.
Houve tempos em que duvidei da nossa relação. Outrora não quis admitir esse meu receio, julguei que se me agarrasse com muita força ao que realmente desejava, mesmo que soubesse que ter-te como havia tido antes se pudesse tratar de uma mera ilusão, era-me mais fácil de ultrapassar tudo o resto que por acréscimo veio, pelo que preferi ir brincando ao faz-de-conta comigo mesma. Acontece que o meu lado racional felizmente falou mais alto e consegui separar as coisas a tempo e encará-las com a necessária maturidade.
Sabes, estes dias ouvir a tua voz sem te ter fisicamente presente também me confortou, também me soube bem. Mas o que mais me sossegou o coração foi a tua justificação, foi ter ouvido a razão pela qual te afastaste. Muitas vezes me perguntei se te terias cansado, se te terias fartado de lutar pela nossa "mais que amizade", o que ainda mais vezes me entristeceu. Agora sei o porquê de me teres feito a vontade, sei que estiveste sempre preocupado em zelar pelo meu bem-estar, sempre pensando no que seria melhor para mim, mesmo que isso te custasse o mundo e uns tantos olhares cujo significado eu acabei por confundir.
Com isso aprendi a não reter dúvidas, a não fazer delas questões retóricas, sofrendo por antecipação. No fundo, aprendi a não guardar perguntas cá dentro, como se de valiosos tesouros se tratassem, e a resolve-las quando as respostas a mim não pertencem.
Só faltou um obrigada, pelo teu esforço e pela dedicação fantasma que sempre me foste dispensando, mesmo que eu tenha levado todo este tempo para me aperceber da protecção que me foste cedendo. Em suma, isto é um obrigada por teres permanecido sempre na minha sombra, por me continuares a dar a confiança necessária para que eu te telefone quando as coisas apertam, por, ao fim deste tempo todo, ainda sentires o à-vontade de sempre para me pedires, com a cumplicidade que temos desde há quatro anos, juntamente com aquela voz de menino mimado como quem vai apalpando terreno e ganhando coragem:
- Olha, olha..
- Diz..
-Olha..
-Diiiz!
- Lembra-te de mim.. Está bem?

[09.51pm]

10/12/2009

~ erguer castelos

"Shut your mouth I just can't take it again and again (...). Since you've been gone I can breathe for the first time I'm so movin on (...) thanks to you now I get what I want".

Já te guardei onde pertences, já estabeleci as distâncias entre nós e pensei ter conseguido transmitir-te a mensagem mas a questão é que tu não pareces entender os limites e achas que ainda existe mais do que uma réstia de confiança entre nós, corrige-me se estiver enganada, meu querido.
Como é que é suposto eu reagir quando me fazes uma festa na cabeça? Temos um assunto pendente, não te esqueças que, antes de me poderes tocar, tens de me reconquistar a confiança e, acima de tudo, reconhecer os teus erros. É preciso lembrar-te que ainda não me foste sincero? Que não cumpriste com as tuas promessas?
Não careço das tuas pancadinhas solidárias quanto mais dos cumprimentos calorosos que me dás, agora que aprendi a viver assim, dispenso as tuas mãos nos meus cabelos. Deixaste pura e simplesmente de ter o direito de me tocar mais do que a boa educação exige, vê se compreendes isso de uma vez por todas porque eu também fui forçada a aprender a lidar com a falta que as tuas carícias me faziam. Dispenso os gestos de falsos afectos, carregados de comiseração e repletos da compaixão que também nos teus olhos habita, nos mesmos que, apesar da despedida, gritaram pela proximidade dos meus por entre paradoxos e antíteses: “adeus, não afastes os teus olhos dos meus”, imploraram-me eles. Não preciso que sintas pena, pena tenho eu de ti porque me perdeste, porque nem fiel a ti próprio sabes ser, porque já não sabes distinguir o certo do errado ou até identificar as linhas mais ténues de uma relação, seja ela de que género for.
Não me vou repetir pois tudo o que penso, toda a ajuda que te poderia ceder, sempre por respeito e consideração, nunca por mereceres, já noutras cartas te confessei, embora nunca tas tenha entregue. Permite-me só sugerir-te um ‘conselho’, prometer-te-ia ser o último mas como de ti já espero tudo, da próxima vez que as tuas atitudes me surpreendam, decerto que me vai apetecer opiná-las. – Só porque te sentes bem não significa que estejas a agir correctamente e eu não via mal nenhum em quebrar normas e barreiras para se ser feliz, sabes bem que, se necessário, desprezo tudo e todos mas só se essa felicidade não for momentânea, senão, de que valeria a pena? Acontece que nada do que tu fazes faz sentido, estás a ser tudo menos coerente e não foram só normas e barreiras mas também certezas que por ti foram quebradas. Eu percebia-te se não me tivesses feito garantias com o teu suposto lado politicamente correcto e se ainda acreditasse que, faças o que fizeres, quererei estar sempre do teu lado.
Porém, como sabes, o que nós tivemos foi bonito por ter sido simples mas o tempo devora as coisas simples e ensina-nos a perceber que os terrenos, nos quais nos aventuramos a investir erguendo castelos de areia, por vezes não são suficientemente sólidos para suportar o peso destes, não são firmes vacilando mais do que o permitido para que consigamos assentar as nossas estruturas. É um pouco como aquela filosofia reggae que diz que às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas e que, quando o tempo passa, descobrimos que grandes mesmo eram, apenas e somente, os sonhos e as pessoas pequenas demais para os tornar realidade. Mas enfim, nem sei porque ainda te escrevo em surdina, afinal de contas faz tempo que já te guardei onde pertences, já estabeleci as distâncias entre nós (...), agora é a tua vez de construíres o teu próprio castelo.




[11.43pm]

29/11/2009

~ (metes-me) dó

"How can I decide what's right when you're coulding up my mind? I can't win your losing fight all the time, not gonna ever own what's mine when you're allways taking sides but you won't take away my pride (...). How did we get here? I used to know you so well... Well, I think I know. The truth is hiding in your eyes and it's hanging on your toungue just boiling in my blood but you think that I can't see. What kind of man that you are? If you're a man at all (...). Do you see what we've donne? We're gonna make such fools of ourselves (...)".

Desculpa os insultos mas preciso de desabafar que és o maior cabrão à face da terra que eu já conheci e não o escrevo porque me convém ou porque me facilita a vida achar-te o maior filho da mãe de sempre. Digo-o por ser verdade, porque, antes de mais alguma coisa, és cobarde. Podes não ter traído ninguém mas a situação é a mesma, quebraste connosco e desiludiste-me imenso.
Para quê assegurares as coisas se as tuas intenções são exactamente opostas? Prometes mundos e fundos, mesmo sabendo que de nada te vale, que em nada vão mudar o rumo que as coisas tomaram mas, ainda assim, insistes em vestir a pele que não te serve, a de bom samaritano, de pessoa com escrúpulos e coração, dás a entender que, apesar de tudo, ainda te preocupas mesmo quando me magoas. Para quê? Para quê dizeres que vais ser sincero quando o que fazes é contares-me meias verdades e esconderes-me os teus segredos, os mesmos que frequentam, todos os dias pelas bocas do mundo, o café de sempre?
Eu gostava de acreditar que não fui só uma, que fui ‘aquela’ porque, independentemente de tudo, acho que não preciso de te perguntar se a nossa história teve uma conotação diferente de todas as outras pela lógica e pela obviedade da resposta (ou preciso?). Mas a verdade é que os teus actos não fazem jus às palavras que atiras para o ar, tu simplesmente deixaste de fazer sentido e eu já não consigo confiar em ti – diz-me, depois de tudo, como era possível quando a tua palavra não vale nada? – porque tudo o que tu dizes são ilusões, mentiras acesas umas nas outras que nem os cigarros em que te refugias. Abre os olhos, a tua cara de menino bonito vai-te valendo uma ou outra ‘gozada’ mas no final vais acabar sozinho.
A sério, eu sei que vais ter muitas ‘aquelas’ na tua vida mas, confesso, sempre pensei que no final fosses mais meu do que de qualquer outra pessoa. “We were lovers in every way”, remember? E pensar que tu serias o meu rebound guy forever and ever... Eu teria sempre as minhas aventuras mas tu serias sempre o meu porto seguro, a garantia, a porta aberta, a escapatória, o meu abrigo, a excepção à regra. Agora aniquilaste essa hipótese por completo, admites saudades mas não me vens ver, prometes-me honestidade mas omites-me as tuas mudanças. Se fosse a ti não deixava tanta vida para depois, depois posso já não estar aqui.
Coitada de mim que já te escrevi mais cartas de queixumes do que a qualquer outro. Coitada de mim que ainda te vou tentando dar umas luzes para iluminares esses teus caminhos suspeitos, ainda me vou importando contigo porque sei como funcionas, com ou sem mim, que sempre fui a voz da tua consciência. São velhos hábitos que me ficaram... Precisas de orientação e eu vou-te dando a que posso, são velhos hábitos que me ficaram. Para além de orientação, porque não sabes o que queres, precisas de crescer, de uma boa dose de maturidade. Agora só quero ver até onde vão os teus limites, até onde estás disposto a ir porque para falar sem usar a voz estás sempre tu pronto.
Mas sabes, se me associavas também a essa nota, agora és tu quem ma lembra, metes-me dó.
Se acreditasse a sério que isto tudo não passa de uma fase, que um dia me convidas para um café para falarmos de tudo e voltarmos ao que éramos no início, porque independentemente de terceiros/as eu ia ser sempre a miúda da tua vida, porque um dos teus maiores medos era perderes-me para sempre, porque era suposto a nossa amizade ser à prova de bala, uma das nossas inúmeras frases faria sentido (“take whatever you have to take, you know I love you and come however you have to come”), não sabia a hipocrisia e ingenuidade. Se eu não tivesse orgulho, se eu fosse masoquista ao ponto de gostar de sofrer por amor, se eu não me desse valor suficiente, se não soubesse encontrar a minha dignidade, se não tivesse muito estado de espírito, se eu acreditasse verdadeiramente, se tu realmente quisesses que eu acreditasse, farias por isso, cumprias promessas, movias montanhas. Mas não, tu não te mexes, só falas coisas ocas, só dás a palavra calada e manchada da tua honra igualmente suja, não me dás provas concretas e eu vou acreditando muito mais nas perspectivas que o teu silêncio me dá a conhecer, vou tirando as minhas próprias conclusões daquilo que aos ouvidos me chega, mesmo sendo-me difícil imaginar-te tão diferente assim, e agarro-me à certeza de saber reconhecer que a vida não é feita de condicionantes. Como queres ter uma história escrita se não a avanças? Como me queres ter por perto se não ocupas a cadeira vaga que me acompanha no café de sempre, o mesmo que te ouve os segredos mal disfarçados? Como queres uma estante repleta de nós se não nos compras os livros? Não fomos feitos para mais do que um moleskine, meu querido. Diz-me, como queres que eu me acredite se já nem tu te munes de forças para investir em nós? Só te estou a dizer que está nas tuas mãos, sempre esteve, nunca deixou de estar. Tu sabes como eu opero, ou pelo menos costumavas. Eu não sou de dar garantias, isso é para as desesperadas. Nunca faço a papinha toda, cedo somente alguns ingredientes. Se cozinhares, fá-lo por ti, porque queres e sentes, por mérito próprio, de livre e espontânea vontade.
No dia em que deixares de mentires a ti mesmo, a mim e a meio mundo que te comenta a vida,
procura-me. Não te garanto perdão - eu não sou de dar garantias - nem tão-pouco uma recepção with arms wide open e amor eterno porque, acima de tudo, sei que nunca me vou esquecer da dor que um dia me causaste. Contudo, ao menos saberei que, once again, acordaste para a vida e tu ficas a ganhar paz de espírito, alívio de alma, leveza no coração, liberdade nas acções, franqueza nas palavras gastas e autenticidade nos teus sentimentos de plástico. E, sendo-te sincera, eu gostava de acreditar em nós mas não consigo. É de mim ou nós valíamos mais do que isto? Valíamos, não valíamos? Então desperta rápido e vê se lutas pela amizade que tanto nos caracterizava, por aquela cumplicidade que a todos invejava, pelo carisma que tínhamos quando nos juntávamos, pelo sentimento que costumávamos ter e que agora está por um fio. Até lá, vais-me perdendo a cada dia que te passa ao lado, enquanto dormes.
Ouve-me, escuta-me como a tua voz interior, detentora de toda a razão existente em cada recanto teu, que eu era. Se fosse agora dir-te-ia o mesmo de sempre: persegue os teus sonhos, alcança os teus desejos, corre atrás do que mais queres mas, lá está, tu não sabes o que queres. Se fosse agora dir-te-ia ainda para conquistares a tua melhor amiga, a mesma que, do teu lado, gozava com o resto do mundo, a que não se importava com mais ninguém, a que vinha a correr à chuva, se fosse preciso, só para te ouvir as lamúrias, aconselhar e consolar-te o coração dorido, a que estava mais perto de todos de dar o mundo por ti, a que te defendia com unhas e dentes, a que te pagava cervejas e te oferecia pastéis de vez em quando, a que te acompanhava em todo o tipo de concertos e corrigia os erros ortográficos nos teus trabalhos com a sua mania da perfeição que tanto te irritava, a que te abria possíveis horizontes e te clarificava as confusões, a única capaz de te transmitir paz e tranquilidade, dizias tu. Lutares por ela era o que eu te diria se ela te fosse realmente importante e se eu e ela não fôssemos a mesma pessoa mas a vida não é feita de condicionantes.
Só depende de ti. Só quero que saibas que não vou esperar, a vida é muito curta para ser desperdiçada e eu não sou muito tolerante nesse aspecto, além de que nunca gostei muito de esbanjar amor e tempo aos sete ventos. Desejo, sim, que sejas feliz e espero que saibas, se assim quiseres, sobreviver sem mim.
Cuida-te, caramelito.



[05.01pm]

27/11/2009

~ you could be happy

"You could be happy and I won't know but you weren't happy the day I watched you go (...). Is it too late to remind you how we were? (...). You could be happy, I hope you are. You made me happier than I'd been by far. Do the things that you always wanted to without me there to hold you back, don't think, just do".

"And I'd give up forever to touch you 'cause I know that you feel me somehow. You're the closest to heaven that I'll ever be (...). And you can't fight the tears that ain't coming or the moment of thruth in your lies (...)".

21/11/2009

~ falta(s)-me

"We'll do it all, everything, on our own. We don't need anything or anyone. (...) If I just lay here would you lay with me and just forget the world? I don't quite know how to say, how I feel. (...) I need your grace to remind me to find my own".

Sabes aquela sensação de teres uma folha à frente e quereres escrever a outra pessoa sem que, contudo, saibas muito bem como dizer o que até nem sabes o quê? Pois, não sabes, mas deve ser mais ou menos a mesma coisa que te assola a alma quando pegas numa guitarra e precisas de compor simplesmente porque sim. Eu passo a explicar, quero falar-te sobre tudo e sobre nada. Ou melhor, não quero querer mas sinto vontade. Vontade de te contar da minha vida, de te pôr a par dos meus planos e até de te incluir nalguns deles, como dantes.
Não é que ainda pense constantemente em ti, porque felizmente já o deixei de fazer, mas quando me vêm parar às mãos convites ou quando me sugerem eventos, as minhas duas velhas opções, tu sabes que sempre foste uma delas, surgem-me na cabeça mesmo antes de eu ter tempo sequer de raciocinar.
São ideias como estas que me despertam a necessidade de te escrever. Antigamente quando a vida me virava as costas, tu pegavas em mim e vinhas comigo apalpar-lhe o rabo. Antigamente, quando eu parecia uma mosca no sentido em que toda a merda me atraía, quando me metia num ou outro sarilho mais grave e me magoava com uma ou outra pessoa menos séria, tu juntavas-te a mim e, depois de falarmos sobre todas as banalidades e insultarmos indirectamente mais umas quantas vezes a mãe da vida, fazias-me rir e era tudo bem mais fácil. Nesses dias éramos só nós os quatro no mundo: eu, o português suave azul, tu e o marlboro. Mas agora não convém tirar umas horas da minha semana para estar com vocês, simplesmente porque deixei de conseguir confiar em ti, isso era antes de eu saber que há uma diferença entre o que dizes e o que fazes, e ainda há relativamente pouco tempo fizeste parte das tais pessoas menos sérias que me magoaram.
Sabes, eu recuperei as minhas gargalhadas mas falta-lhes o eco, que eram as tuas. É este o paradoxo, faltas-me tu para dizer mal do sacana que há uns tempos me deixou na merda: tu. Faltas-me tu e provavelmente vais-me faltar de cada vez que me derem dois bilhetes para um qualquer concerto, duas entradas para uma qualquer exposição, dois vouchers do tipo “pague um leve dois” porque, nestas coisas, nós costumávamos funcionar como siameses mas agora conjugar-nos na primeira pessoa do plural soa-me mal.
Falta-me a – deverei chamar-lhe – coragem(?) para ir ter contigo ao nosso refúgio, ao primeiro de todos que é o único que agora ainda pode importar, no nosso dia, encostar-me a ti costas com costas, nem precisava de te olhar nos olhos ou ler expressões, saber só que estavas ali, comigo, sentir-te por perto era o suficiente. Tu levavas um dos teus tu-sabes-o-quê-bob e acabávamos com ele em dois tempos, naquele que querias e eu não te dei e naquele que eu levei para te esquecer. Só precisavas que te explicassem como é que as coisas funcionam, que o normal é primeiro estranhar-se, depois entranhar-se, tal como aconteceu comigo, e não o contrário.
Aí, podias aproveitar para me contares dos teus segredos, daqueles que eu sempre soube e que, no fundo, tu bem sabes que eu conheço. Aí, terias a oportunidade ideal e o local certo e ter-me-ias a mim, a morada dos teus calmantes, o remetente de sempre de todos os teus medos e angústias. Aí, eu confessar-te-ia as minhas dúvidas, as que advêm daquelas que me transmitiste. Não sei se te convide, agora, para o meu aniversário que se aproxima, por exemplo. E se eu morresse, irias ao meu funeral e chorarias a perda? Mas qual perda, se já me perdeste? Oh, não te sei explicar a confusão que para aqui vai hoje, miúdo, por isso vou-me ficando assim, mantendo-te debaixo de olho e simultaneamente alheia ao teu mundo.
Espero que entendas o que te tento dizer sem que fique dito, continuo a esquecer-me de mudar de passeio e virar à esquerda naquela passadeira. Perdoa-me a incoerência, também segui para a frente com os episódios da série que deixámos a meio.

«I didn't want to wake you, because I knew I couldn't stay. I'm looking forward to looking back on these days. And I'm fine, but I'm not okay».

[09.15pm]

04/11/2009

~ (para) ninguém

"Ninguém é de ninguém mesmo quando se ama alguém. Ninguém é de ninguém quando a vida nos contém. Ninguém é de ninguém quando dormes a meu lado (...)".

Hoje acordei sem ti. Sem ti ao meu lado, como já há algum tempo tenho vindo a acordar, mas principalmente sem ti na cabeça. Não foste o primeiro pensamento do dia mal os meus pés tocaram o chão e o meu coração já não se sente pequenino e apertado. Já não és o meu sacrifício diário, a cruz que carrego ao peito. Já não me causas dores de cabeça, já não ando constantemente de mau humor à tua custa, felizmente deixaste de ser o motivo. Já não me preenches os temas de café com fumo, já não és a novidade da semana – tanto que o meu dia predilecto deixou de ser o único que ainda agora me obriga a estar contigo, agora já não passo dois dias na ânsia de te ver. Pois é, não se esquece tão facilmente, é pena, mas ultrapassa-se tudo rapidamente se a força de vontade estiver do nosso lado (e ainda bem que me deste esta de sobra e lhe cedeste o lugar). E, quando o querer se transforma em poder e este passa a ser um imperativo, sentimo-nos os donos do mundo e dessa sensação eu não abdicaria por nada neste instante.
Já passei por situações piores, sabes bem, e consegui chegar até aqui portanto o que são (des)amores comparados com as verdadeiras merdas que existem? Nada de mais para que eu me deixe abater. Por isso, defini prioridades e tracei caminhos em jeito de rascunho, só um esboço daquilo que ainda poderá vir porque contigo, meu querido, eu aprendi que de nada vale prendermo-nos ao que realmente não nos pertence porque ninguém é de ninguém e eu até que me estou a habituar bem a ser de ninguém e muito minha.
Graças a ti adoptei uma nova filosofia de vida e em nada se relaciona com o receio de me apaixonar once again. Consiste numa espécie de aviso, esta minha nova perspectiva, para me alertar de que posso e devo ser feliz dando mais proveito à minha nova liberdade sem que nunca me entregue totalmente, sem que me dê de coração. Por outras palavras, és a lição que eu reti de que pode ser possível separar a ligação corpo – coração e razão – sentimento, ao contrário do que o Pessoa imortalizou nos seus escritos. E eu até posso (não) ser ninguém ao lado de grandes nomes como este mas, tal como eu te disse, ninguém é de ninguém senão de si próprio.
Agradeço-te todas as palavras amarguradas, guarda-las-ei nas profundezas do meu coração adocicado ainda que não mais as vá saborear, sabes porquê? Porque deixaste-me escapar por entre os teus dedos lambuzados de açúcar quando me tinhas na palma da tua mão na ilusão de quereres pela metade aquilo que tinhas em doses industriais com o pacote completo; porque o destino é a ponte que se constrói para a pessoa que se ama e eu estou a reparar a minha ponte com todos os desvios a que tenho direito e, se o destino, ainda que ninguém pertença a ninguém, não te trouxe até mim, é porque provavelmente existe algo melhor.


minha M.: «Miúda, ando cansada de te ver sofrer».

[01.22pm]

28/10/2009

~ dói (não) sentir

"Love hurts but sometimes it's a good hurt and it feels like I'm alive".

Tu deixaste o nosso amor adoecer e eu matei-o para não mais o ver sofrer. Custou-me muito mas tu andavas a maltratá-lo e já pouco ou nada havia a fazer. Por isso, antes que o mutilasses, eu preferi matá-lo o quanto antes em vez de morrer por ele. Foi por gostar muito dele que o assassinei, meu amor, não duvides disso.
Pode até haver quem diga que, apesar de o amor doer, é uma boa dor e que é melhor viver disso, magoado, do que (não) sentir nada, mas eu não penso assim, eu não sinto assim.
E, no entanto, ainda vai doendo de vez em quando.

«(...) as mulheres (...) podem escolher matar um amor em vez de morrer por ele».

[04.54pm]

27/10/2009

~ não me venhas dizer

«A cada pancada tua
vibrante no céu aberto,
sinto mais longe o passado,
sinto a saudade mais perto
».

Não me venhas dizer que tens uma pedra no lugar do coração.
Se não tivesses coração, não mo conseguirias dizer. Sim, tu tens coração e ele não deixou de bater, como tu pensas. Bater, ele bate mas já pouco ou nada é por mim.

[09.46am]

22/10/2009

~ presságio?

"No tears had ever been as wet as ours the day that we parted. The pain cut so deep worse then if we never started (...)".

O coração pesou-me assim que te vi especado à porta de casa. O silêncio incomodou-me por, mesmo sabendo não ser bem-vindo, ter decidido sentar-se à cadeira da tua secretária. Segui-lhe as pisadas e a ti os passos, sentando-me no outro lado da cama que não o teu, qual espectadora do filme da minha própria vida e da vida alheia também
, estudando-te os gestos agitados e rotineiros, vendo-te atarefado nessa vida cuja minha presença, de certa maneira – mas não da maneira mais certa –, deixaria de, numa questão de minutos, fazer parte.
Entravas e saías do quarto, davas aquele toque simpático e que, dadas as circunstancias, até era oportuno, misturavas aquele laivo de preocupação como se a minha alimentação te importasse, ao perguntar-me se a maçã que trazia como companhia era o meu almoço. Acenei-te com a cabeça, que sim porque as pipocas ficam-me caras especialmente em dias de estreias. Pediste-me para esperar, algo que nunca suportei fazer, para passado um bocado voltares a aparecer e atirares mais algumas palavras para o ar no teu monólogo cuidado e dirigiste-te para a porta. Aí olhei para trás e, mentalmente, tirei uma fotografia daquelas quatro paredes cobertas de história, sorri quando o meu olhar se encontrou com o teu relógio meticulosamente acertado, ironicamente para te situares sempre no tempo – supostamente naquele que não sabes aproveitar e que, por isso, me queres oferecer de mão beijada – e despedi-me em segredo daquela divisão, do lenço vermelho pelo qual tens tanta estima e carinho atado na ponta da cama, do teu placar que te denuncia o perfil psicológico e da parede branca que um dia sonhei em vestir.
Da porta de entrada lancei um "adeus" envolto num sorriso triste a uma das tuas manas (acho que até sei a qual delas, ao longo dos tempos vamos adquirindo conhecimentos que nos ajudam a aprender a distinguir as particularidades de cada um de nós). Mal adivinhava ela, meu amor.
O silêncio seguiu-nos, tendo entrado connosco na pequeneza do teu elevador e aliando-se ao ambiente constrangedor que me pesou mais ainda o coração. Foi presságio, a minha maçã no lixo quando abandonamos o teu prédio? Foi presságio o dia pertencer à tua mãe tal como o 25, o nosso querido 25, também constar na data de nascimento da minha? Foi presságio o nosso cantinho encontrar-se restrito logo nesta última vez em que o procuramos? Foi presságio teres perdido a tua pulseira? Foi presságio a capicua no dia em que a crise se instalou para ficar e foi presságio ter passado exactamente um ano desde o dia em que me condecoraste a miúda da tua vida? Foi presságio eu ter-te devolvido a palheta azul?
Não sei se isto foram tudo sinais que, de tão distraídos que estávamos, ignoramos sem querer, mas o que é certo é que já são coincidências a mais para quem nelas não crê, como eu, por exemplo. Sabes, também não compreendo muito bem o porquê de contigo tornar-se mais difícil controlar as lágrimas e fazer com que a voz fique audível, nem o porquê de o peso do meu coração ser tanto assim e custar tanto a suportar, e doer também. Muito. Não percebo também o porquê de te ter afastado com tanta destreza e tão rapidamente de mim se o que mais queria era abraçar-te e ficar assim para sempre e muito menos conheço o porquê das tuas próprias lágrimas. Contudo, sei que provavelmente nunca mais será igual connosco, que se ultrapassa mas não se esquece ou que se esquece totalmente mas que de quando em vez se lembra. Sei que o que mais desejo é a minha e a tua felicidades, mesmo que uma não implique necessariamente a chegada da outra e mesmo que, para te ver feliz, eu tenha também de ver outra pessoa que não eu ao teu lado, mesmo que o teu sorriso só se compre com mais uma das minhas dores na loja dos 300.
Miúdo, eu só te quero bem por isso trata de te manteres de bem com a vida que eu prometo esforçar-me um bocadinho mais para te tentar acompanhar, porque se tu estiveres bem então eu já tenho um motivo para conseguir seguir em frente e sorrir, até porque dores não me faltam para comprar um sorriso para mim também, mesmo que seja um dos mais baratos.
Só te peço que não mais me faças promessas e que me abraces quando nos encontrarmos porque, para além de me ajudar a aguentar as saudades, eu vou precisar dele, desse teu abraço forte e apertado que tantas vezes, especialmente nas mais difíceis, me sossegou. Mas transmite-mo com esses teus olhos expressivos, porque de longe talvez doa menos do que te ter por perto sem te ter por completo.
Foste a melhor coisa que me aconteceu este ano. - E disto já te fiz saber por isso podes acrescentar às últimas páginas do nosso livro, a caneta permanente, se couber de tanta história que fomos escrevendo. Independentemente de tudo sei que nada suficientemente poderoso irá acontecer para que deixes de me significar tanto quanto significas e que, apesar de tudo, as palavras nunca me irão chegar para que eu te consiga mostrar toda essa significância.
Não vou mudar nada, alterar cadernos ou fotografias, modificar horários ou rotinas, mexer em hábitos ou calar expressões que de ti adoptei sem que desse conta, apenas e somente o essencial porque, no final de tudo, tu continuas a ser a mesma pessoa que eu conheci há três anos atrás, aquele que já, de qualquer forma, preenchia parte da minha vida olhando para mim todos os dias do alto das colagens das paredes do meu quarto, por exemplo. Vou limitar-me a arrastar-te um pouco mais para o lado neste teu espacinho cá dentro, vou só chegar-te um pouco mais para o lado direito, que é para não correr riscos. Mentalizar-me-ei também de que este é o melhor desfecho para nós, que é o que tem de ser feito e de que não me posso permitir a ter-te de outra maneira, que é do jeito que não me magoo mais, está bem? Ah, e já agora, vê se me guardas aí dentro, nem que seja no compartimento mais pequeno que tiveres. Pronto, depois de me confrontar com a realidade vou conformar-me com a certeza de tu e ela não são efectivamente a mesma coisa.
Faz-me só um favor já que referiste isto da última vez, faz com que tudo tenha valido a pena, com que a nossa amizade supere e com que, um dia, nos possamos sentar no chão de um qualquer passeio sem nos importarmos com nada nem ninguém à nossa volta, sem máscaras a ocultar sentimentos, sem segundas intenções disfarçadas nem ressentimentos, a rir às gargalhadas de tudo isto que nos aconteceu. "Eu vou estar sempre contigo", faz-me acreditar nisso e não me cedas muito mais do tempo que possuis para que eu não possa duvidar da tua presença na minha vida. E desculpa-me as cartas todas iguais, eu bem te avisei que as palavras nunca me chegariam.

Please be gentle I'm still learning ("it's times like these you learn to live again").

[07.16pm]

21/10/2009

~ I miss you

"Hello there, angel from my nightmare, the shadow in the background of the morgue, the unsuspecting victim of darkness in the valley we can live like Jack and Sally if we want where you can always find me and we'll have halloween on christmas (...), we'll wish this never ends. (...) Don't waste your time on me you're already the voice inside my head (I miss you, miss you)".

«és a pessoa mais importante que tenho e eu perdia-me se não estivesses comigo, como tens estado (...). Não me deixes Sally, eu não o farei de certeza».

20/10/2009

~ true words

«A guy and a girl can be just friends but at one point or another they will fall for each other... maybe temporarily, maybe at the wrong time, maybe too late or maybe forever».

17/10/2009

~ leva tempo

"(...) light up as if you have a choice even if you cannot hear my voice I'll be right beside you dear. (...). And we'll run for our lives I can hardly speak I understand why you can't raise your voice to say. To think I might not see those eyes makes it so hard not to cry and as we say our long goodbye I nearly do. (...) Have heart my dear we're bound to be afraid even if it's just for a few days making up for all this mess".

Naquela tarde não te perguntei tudo. Não levei a razão atrelada e o coração, esse, não ia no sítio certo (eu nunca soube agarrar corações nas mãos, quanto mais o meu).
Naquela tarde eu senti-me na pele de outra pessoa e vi-me forçada a acabar com a minha felicidade, que eras tu. Não sei se foi a melhor decisão que havia a tomar mas como dizia o outro, a vida é feita de escolhas e essa foi frase que me ficou até porque eu prefiro não adiar o inevitável, morrer logo com um tiro certeiro do que provar uma morte lenta e dolorosa numa qualquer cama de hospital com a palavra 'coma' escrita em jeito de título num qualquer diagnóstico pendurado aos pés dessa mesma cama.
Não penses que fiz o que fiz de ânimo leve, bem sabes que não suporto longas esperas e chegadas tardias. Tu conheces a minha impulsividade, és íntimo do meu orgulho também, sabes que prefiro sair magoada mas com certezas do que aparentemente bem mas arrastando dúvidas como sombra atrás de mim.
Não é que eu não tenha querido lutar por ti e ultrapassar isto contigo, nem se trata de cobardia ou tão-pouco de egoísmo. É só que me preocupo comigo antes de mais alguém, antes de ti até, e que sofro de um medo tremendo de ser abandonada e sair mais magoada ainda com todas as falsas expectativas alimentadas, na ânsia de te ver regressar, até ao limite do fim. Por isso, antecipei-o.
Não fui eu nem foste tu, fomos nós.
Só me culpo da ingenuidade, essa puta que não me deixa em paz durante um pouco mais do que três meses, que sempre me leva a fazer das palavras dos outros verdadeiras doutrinas, como fiz das tuas. A inocência leva-me a crer piamente nas pessoas, a confiar demais nelas e a dar-lhes tudo. Leva-me a depositar fielmente todos os meus medos e receios sem sequer pensar duas vezes, dando-me uma hipócrita sensação de segurança e conforto incríveis.
Lições que a vida me tenta a todo o custo incutir à força à parte, eu até que estou a reagir (não sei se bem ou mal, mas reagir já é um começo, não é?). Ainda vou chorando nesta manhã ou naquela noite, ainda vou tendo os olhos inchados – aqueles nos quais eras capaz de ficar tempos infinitos vidrado se eu não te interrompesse –, ainda vou adormecendo em almofadas salgadas. Mas sabes, já não encaro isto tudo somente como a tristeza que todos os dias carrego no peito. Gosto de pensar que tudo não passou de uma fase boa da qual nenhum de nós se arrepende, como me disseste, que foi uma daquelas experiências que se calhar até tínhamos necessariamente que passar para, no final de tudo, sabermos reconhecer que a nossa relação já atingiu todos os estádios possíveis e impossíveis de alcançar, que agora já conhecemos todas as facetas e mais algumas um do outro. Agora sei que não mais te vou perder porque já te perdi de todas as maneiras que havia a perder, porque já nos afastamos noutras vezes mas sempre continuamos juntos, apesar de tudo. Agora não há forma de não seres meu, de uma maneira ou de outra ter-te-ei sempre comigo, tal como tu me prometeste.
Sei que vou sempre ser a miúda da tua vida e que já há três anos que o tenho vindo a ser. É isso, independentemente das pessoas que tanto eu como tu viremos a ter ao longo das nossas vidas, tu serás sempre uma constante e eu serei permanente em ti, faremos sempre parte da história um do outro porque sempre nos ajudaremos a escreve-las. Do mesmo modo que eu sei isto, também sei que nunca irá existir outro M. na minha vida, que posso rotular alguém que ainda há-de vir de 'melhor amigo' e que até posso vir a ver um outro alguém como meu namorado mas nunca conseguirei comparar alguém a ti na qualidade da pessoa que representas. És um termo indefinido que nem o melhor escritor de sempre se lembrou de inventar e de uma coisa podes estar certo: farás sempre parte de mim, seja da maneira que for e, garanto-te, nunca terás ou sequer precisarás de outra Raquel na tua vida porque eu nunca te vou falhar. E eu não posso vir a ser a mãe, como durante algum tempo chegamos a imaginar que poderia vir a ser, mas serei com certeza a tia preferida dos teus filhos, um dia, porque eu sei que vou ser a Robin da tua vida, Mosby.
Já começo a reconhecer que isto não passou de um deslize e não penses que o escrevo no sentido pejorativo da palavra. Não, nós criámos o outro sentido, o outro lado e, sem querer estar a ser a drama queen, nós inventamos o final quase feliz dos nossos trágicos episódios, even the best fall down sometimes, não é verdade? Um dia vamos sentar-nos a rir disto tudo, acabamos uma fase a chorar mas vamos recomeçar uma outra a rir da anterior e a dar continuidade àquilo que temos vindo a construir para ficarmos, realmente, mais fortes que nunca. O que nos vale é a força da nossa amizade ser maior do que qualquer outro tipo de força, uma nova espécie de amor a roçar o incondicional especialmente criada por nós.
Deixa a poeira assentar e a calma se instalar, por agora. O que me vale é que és tu e não outro qualquer como tu tão bem me alertaste, o que me vale é que até nem é muito difícil imaginar que sempre te terei ao meu lado porque, sinceramente, tu sabes que não seria a mesma coisa sem ti e eu sem ti não sei ser. É difícil de explicar mas eu sei que me compreendes e é só isso que eu te peço neste momento, que me entendas e que percebas que te tenho forrado como papel autocolante ao coração, como se de uma cicatriz de uma doce memória de infância te tratasses, daquelas que outrora doeu mas que se olha e o sorriso surge automaticamente por transbordar recordações tão boas. Só que agora preciso de ti como dantes, para me ajudares a sarar as feridas que me fizeste.
Mas deixa a poeira assentar e a calma se instalar, assim aprenderei a avisar-te para limpares o canto da boca em vez de ir lá limpar, a mudar o lugar dos meus beijinhos espontâneos um bocadinho mais para o lado, se ainda tos conseguir dar, a contar-te da pestana pendurada no olho ao invés de a tirar com as minhas próprias mãos, as tais que não sabem segurar em corações, e a controlar os meus instintos de passar essas mesmas mãos pelo teu cabelo ou até mesmo pelo teu nariz tristonho no lugar de te dar um lenço, como ia acontecendo naquela tarde. Agora tenho de aprender a controlar os meus dedos para que não te desenhem as feições, tenho de reaprender as cores do meu sofá que em nada combina com o teu, aprender que não mais poderei experimentar aquela sensação que me causavas de cada vez que me arrepiavas quando respiravas no meu pescoço e saber dizer-te que te amo sem que lhe dê dois sentidos, se to voltar a dizer. Tenho de recuperar depressa, tu precisas do meu ombro, do amigo, entenda-se.
Mas sabes, leva tempo, meu pequeno, leva tempo
a reparar que as limonadas já passaram do prazo de validade e que já se estragaram. Leva tempo a saber reconhecer que está na altura de passarmos a consumir outra bebida, leva tempo a adaptarmo-nos a outros rostos com diferentes traços, a admitirmos que não são só os nossos tão bem feitos cornetos de chocolate – que eu tirava do teu queixo por barbear como quem rouba narizes às crianças com o velho truque do polegar – que existem, que se procurarmos bem, poderemos vir a descobrir que até gostamos de outro sabor.
Mas sabes, naquela tarde não te perguntei tudo, esqueci-me do mais importante: amas-me?

«Sabes uma coisa? Tens noção que por mais gajas que eu venha a ter tu vais ser sempre aquela que permanecerá sempre comigo? És a miúda da minha vida». (11/10/2008)

[07.26pm]

14/10/2009

~ R.I.P.

"Don't try to fix me I'm not broken (...). I don't cry. Hello I'm still here, all that's left of yesterday".

Hoje vesti-me de negro e saí à rua. De cabeça erguida, deixei para trás todas as lágrimas que gastei, tristes aqueles que gostam de sofrer, que expõem a sua dor através de gemidos desesperados e rios salgados enquanto assistem ao enterro dos seus amores que jazem no cemitério.
Hoje esqueci-me do coração em casa. Trouxe apenas a minha sombrinha preta e os meus óculos escuros, não podia vir sem eles ao nosso funeral, meu querido. O nosso porque acredito que uma boa parte de nós – a melhor, para ser mais precisa, tenha partido juntamente com ele, com o nosso amor.
Encenaste o homicídio perfeito e nem tempo me deste para reagir, não me deixaste atirar-me para a frente da arma pouco segura pela tua mão trémula e hoje, ironicamente, estás aqui impávido e sereno enquanto enterram o nosso amor naquilo que irá ser uma campa de mármore gelado e impessoal. Já não lhe poderás sentir o cheiro, já não lhe aquecerás as mãos ou sequer respirarás fundo por toda a paciência que ele te roubava em jeito de brincadeira… tenho pena.
O meu coração partir-se-ia agora, se o tivesse trazido.
Vou só comprar uma rosa, vim só mostrar que até me importava um bocadinho com o falecido, afinal de contas levou uma vida bastante intensa. Sabes, se calhar até compro uma orquídea, dispenso coroas. E, não querendo negar o mais que óbvio, tu sabes como eu sou, aprecio muito esta coisa dos simbolismos, mesmo que não se cheguem a concretizar. Portanto, vou só ali até à esquina e já venho, que não sou de ficar a ver enterros e até já ando a fazer o luto do nosso amor pseudo-prematuro.
E tu, vais continuar aí especado a observar o nosso túmulo sem nada fazer?

"Quero passar o resto da minha vida contigo, quero-o tanto!".

[12.17am]

11/10/2009

~ always be my baby

"(...) it seemed everlasting (...). You'll always be a part of me, I'm part of you indefinitely. And we'll linger on, time can't erase a feeling this strong. No way you're ever gonna shake me, oh darling 'cause you'll always be my baby (...) and I won't beg you to stay (...) but inevitably you'll be back again 'cause you know in your heart babe our love will never end no".