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20/03/2015

~ (des)encontramo-nos

"I had this fantasy, that I would look across the tables and I'd see you there, with a wife and maybe a couple of kids. You wouldn't say anything to me, nor me to you. But we'd both know that you'd made it, that you were happy".

Foste embora com a mesma rapidez com que comigo cruzaste caminho. Sem segredos ou tabus, soube da tua partida aquando te conheci numa noite de festa. Não foste convidado mas ali estavas tu, do lado de lá da barreira que separa a zona VIP da pista de dança, de olhos fixos em mim, a ver-me brindar do alto do meu vigésimo terceiro aniversário.
Falámos, despedimo-nos e esbarrámo-nos outra vez no final da noite (e umas quantas vezes dias depois). Estando tu a aproveitar as férias de Natal vinhas com prazo de validade e partias pouco depois do ano novo. Tentamos canalizar cada instante da tua estadia em terras lusas mas os ponteiros foram demasiado rápidos nos seus movimentos para que duas pessoas se pudessem conhecer a sério e rapidamente 2014 deu lugar ao novo ano.
Depois de cada um ter seguido a sua vida, a par de conversas pontuais pelo Atlântico distanciadas, anuncias-me o teu regresso precisamente quando me preparo para ir. Desencontrámo-nos, tu e eu.
Nunca pudemos controlar o tempo quanto mais a vida, Zuca.
Se calhar não está destinado ou se calhar ainda nos vemos por aí, além-fronteiras, em qualquer recanto do mundo, para novamente tropeçarmos algures num instante em comum que cruze os tempos um do outro: o meu e o teu. Ou, ainda que com diferentes fusos-horários, pode ser que me apanhes cá na pequena manobra de dias  quiçá semanas – que nos resta de diferença. Quem sabe?
Um dia apanho-te num voo e cruzamos o céu juntos, tu de havaiana no pé (mas sempre com cheirinho a CH e um sotaque de matar) e eu de hijab na cabeça, num lugar em que o teu jet-lag se encontre com o meu horário sem regras, e consigamos ficar sincronizados num único momento. Sem hora ou lugar marcado.
Até lá não me esqueças, meu Carolina.

[02.51am]

23/02/2015

~ à cenourinha mais viv(id)a que conheço

"Para se morrer
basta estar-se vivo".

Perdoa-me por isto mas tu sabes que numa altura destas torna-se inevitável não escrever, até porque conhecemo-nos por partilharmos da mesma paixão que é a tristeza daqueles que escrevem"temos em comum mais do que a escrita, o coração", como tão bem a Joana, também ela deste nosso mundo das palavras registadas, (a)notou, lembras-te? É à escrita que agradeço por a mim te ter trazido.
Ainda há coisa de semanas estive contigo e nem o facto de te saber tão feliz naquela altura reconforta o que quer que dê para reconfortar neste grande pesadelo por que passamos agora por ti. Por ti que, ironicamente, sempre tiveste uma maneira tão intensa de viver, com mil e um planos por traçar e uma bagagem de mão sempre pronta para descolar para onde quer que o vento te levasse.
A ti, agradeço-te agora pelo nosso último jantar, nesta inesperada visita que fizeste ao nosso Porto. Comemos divinamente, bebemos bons vinhos e encomendaste-me outros tantos do Douro e à mesa contaste-me das tuas aventuras, relembrando-me o porquê do fascínio que sempre te guardei: porque és rooteless (num bom sentido), pertences ao mundo e tens aquela forma maravilhosa de crer nas pessoas sem o mínimo esforço e a doçura de quem tenta casar características dos signos do Zodíaco com as mais improváveis personalidades.
Foste das pessoas mais aleatórias com quem eu tive o prazer de me cruzar ao longo da minha vida e não apenas na forma como nela entraste mas pela própria experiência da tua; pelo teu ritmo frenético de ser que não conhece dois dias iguais nem tão pouco a palavra 'rotina'. E eu vou sempre recordar-te como a cenourinha mais viv(id)a que conheço, cuja nacionalidade terei sempre de repensar a fim de acertar à primeira, com uma voz estranha e um coração do tamanho do mundo – e nada frágil! – que não vê maldade e nada teme.
E é também por isso, por ter esta percepção de ti, que sempre conseguiste expandir os mais medíocres horizontes, que te quero confessar que não faz mal caso prefiras partir ao invés de ficar, que provavelmente toda a gente que te conhece perceberá que com certeza serias incapaz de apenas existir neste mundo no sentido lato do verbo; de existir sem que realmente o fizesses porque isso assim não seria viver e tu sempre tentaste viver todas as vidas quantas uma vida consegue conter.
Não faz mal partires, U. – ainda que, de certa maneira, já o tenhas feito –, mas isso não quer dizer que me resigne à realidade de inferno por que estamos a passar pelo que te aconteceu ou que faça as pazes com um Deus sobre o qual tenho cada vez mais dificuldade em acreditar que exista porque, foda-se, pouca coisa poderá ser mais injusta, frustrante e revoltante do que ficares confinada a "viver" como um vegetal. (Contudo, se vires que ainda dá para lutar peço-te que o faças com quantas forças te costumas mover, está bem?). 
E, por tudo isto – pelo ser maravilhoso que foste, és e sempre serás –, obrigada por teres existido. Aliás, obrigada por teres vivido, U.

[09.05pm]

13/01/2015

~ ai de ti

"You know how we're always saying what a pain you are, you're the world's worst dog, don't believe it, don't believe it for one minute because you know we couldn't find a better dog, I love you, more than anything, you're a great dog (...)". 

Assustaste-me. Saíste de casa de manhãzinha sozinho e muito senhor do teu focinho, como sempre fazes enquanto tomo o pequeno-almoço: leite simples à temperatura equivalente a 40 segundos no micro-ondas antigo e duas porções de Cheerios, como tão bem sabes  ou não me ajudasses, por vezes, a comê-los.
Na casa de banho de serviço, mesmo à saída da cozinha, lavei os dentes e maquilhei-me e ainda tive tempo de, em seguida, preparar a carteira para mais um dia de trabalho antes de reparar na tua demora. Como nunca mais batias à porta das traseiras decidimos (eu e o teu ídolo número um) procurar-te: primeiro pela rua, depois pela urbanização.
De ti, nem sinal. Com os horários e as responsabilidades típicas de adultos a cumprir  eu sei que nos anos da tua espécie tens idade para ser meu avô , fomos trabalhar com os corações apertados, já a pensar em maneiras de divulgar a tua ausência e a magicar possíveis cenários de como terias tu desaparecido. E eu só me lembrava de como muitas vezes, talvez mais do que as que seriam sensatas, te diminuo e digo que és um totó malcheiroso que não me liga nenhuma e que a Mimi é muito mais inteligente.
Quando regressaste umas quatro horas depois, sem perder a pose de fox terrier que és, atiraste-te para cima da tua cama com a perícia de um lorde e ali ficaste a curtir a tua sesta, alheio do tremendo susto que nos pregaste a todos e do raio da sorte que tiveste por estar alguém em casa. Suspeitamos que finalmente agora, do topo dos teus 84 anos caninos, talvez já te tenhas inaugurado no mundo dos adultos e já não morras virgem  um desejo que, a par de te levar à praia, sempre quis para ti.
Paco Maria de Valley D'Aro Cascarejo só te queria dizer isto: ai de ti se voltas a gozar connosco desta maneira!



[05.20pm]

11/04/2014

~ irmandade

«If you are single there is always one thing you should take out with you on a saturday night: your friends».

Estava no hall do hotel quando a festa de uma das principais revistas da cidade estava "a dar as últimas" e duas de vocês numa típica noite de fim-de-semana, do outro lado da ponte. Combinámos apanhar um táxi no final da noite para irmos juntas para casa. Quando a festa acabou liguei-vos uma e outra vez mas numa madrugada de sexta na noite portuense já se sabe quais as probabilidades. Aí, disseram-me que provavelmente já teriam ido embora sem mim. "Não", disse eu sem pensar sequer duas vezes. "Não conheces as peças", acrescentei. Primeiro nunca teriam ido embora antes das portas fecharem e segundo, acima de tudo, nunca iriam sem me dizer nada, nunca me iriam faltar. Se viemos juntas para o centro, vamos juntas para casa, por mais miserável que seja o estado em que nos encontremos no final  é assim que funciona.
Aconselharam-me a apanhar um táxi a meias com eles, sem vocês. Ri-me. Tive pena de quem tem "amigas" assim, de quem as perde a meio da noite e volta para casa sozinho. Foi nesta linha de raciocínio que o meu coração se encheu de orgulho para, no fim-de-semana a seguir, comprovar uma das maiores certezas que há tantos anos trago em mim: tenho, realmente, das melhores amigas, que poderia alguma vez ter pedido, comigo. Obrigada por honrarem esta irmandade com tantas cores com quantas eu a pinto.

[03.21am]

29/09/2013

~ bem-vindo, joão ratão

«Daqui a dez ou vinte ou trinta anos, terás perdido o cheiro a leite da pele, 
eu terei rugas e uma cabeça coroada de cabelos brancos (...)».

Chegaste num dia cinzento, era a última quarta-feira do mês. Vieste juntar-te ao clã perfazendo o número quatro da família. Ainda não te tinha visto e já te amava. Ainda não te sabia os traços do rosto e já esperava ansiosa na expectativa de finalmente te poder conhecer, qual carochinha no parapeito da janela à espreita.
Sabes, berlinde, és uma espécie de milagre para os que te rodeiam. Sempre exististe mesmo antes de existir, ainda que tenhas vindo por um acaso feliz. Já te falávamos há muito e quando soubemos que vinhas a caminho a alegria veio juntar-se ao espanto e logo tiveste lugar cativo.
És o menino dos olhos da mamã e o orgulho do papá e, certamente, irás ser a companhia preferida da mana. 
Tu carregas um grandioso nome contigo, biscoito, és uma homenagem ao tio mais novo... Com certeza serás tão querido e dedicado como ele, pelo menos a calma já herdaste ao não ter pressa de chegar - tão diferente da mana - e quando dormes profundamente no ambiente mais agitado de sempre.
Bebé, quando tiveres apenas oito anos eu já vou estar a meses dos trinta... Por agora és quarenta e nove centímetros de ternura e três quilos e tal de pura doçura mas acredita: vou-te amar até depois de me ultrapassares na altura. Só te quero fazer um pedido: continua assim relaxado e não tenhas pressa de crescer, quero usufruir de cada pitada tua.
Assim te apresento ao mundo: sê bem-vindo, Joãozinho.


[02.46am]

06/05/2013

só para dizer... #23

...obrigada por crescerem comigo e por me proporcionarem o melhor dos anos académicos. Sem vocês não teria sido tão fácil. Como o R. escreveu, "foi um prazer caminhar ao vosso lado (...)".

26/01/2012

~ maria rita


"Com tanta pressa que tiveste para cá chegar, só posso acreditar que tenhas muito para nos dar".

23/07/2011

~ my people


"If I could spend the rest of my time with my people, I will do it over and over again".

28/04/2011

~ lifetime sisters


"Friends are the bacon bits in the salad bowl of life."

"Pizza Place Sign"

23/02/2011

"quem mexeu no meu Queijo?"

«Hem tinha de encontrar o seu próprio caminho, deixando para trás a sua comodidade e os seus medos. Ninguém podia fazer aquilo para ele, ou o convencer a fazê-lo. De algum modo, Hem tinha de ver a vantagem da mudança».

Johnson Spencer.
para a mana N.

01/12/2010

"português suave"

«Amigos verdadeiros são os que fizemos na infância, as pessoas que nunca nos pediram favores e a quem nunca precisamos de pedir nada. Os outros são conhecidos, oportunistas, empatas, colas ou inimigos».

/mana T. cita Margarida Rebelo Pinto.
...so true. o resto é "o resto", são peanuts ;)

11/11/2010

~ O conselho

«(...)
m.deixa-me falar-te de uma cena: sabes, hoje estive a pensar imenso em ti. Já tinha saudades de pensar tanto em ti. Sabes de uma cena que me lembrei?
q.diz
m.quando a tua tia me disse para cuidar de ti e nunca te abandonar.
q.já não me lembrava disso..
m.eu lembrei-me
q.ela disse mesmo assim?
m.disse sim. Disse mais, "cuida bem dela, nunca a abandones e dá-lhe muitos mimos/dá-lhe muito carinho"».











Obrigada por, ao fim deste tempo todo, continuares a seguir O conselho.
Hoje invertemos os papéis; estou aqui para tudo.

12/10/2010

~ a gente vai continuar

"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso, o que lá vai já deu o que tinha a dar. (...) Enquanto houver estrada pra andar, a gente vai continuar, (...) enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar. (...) Somos todos escravos do que precisamos, reduz as necessidades se queres passar bem, que a dependência é uma besta (...)".

10/06/2010

~ finalistas '10

«There are many types of ships: there are wooden ships, plastic ships and metal ships. But the best and most important types of ships are friendships»
.

05/06/2010

~ I'll always be right here

"You're my honeybunch sugarplum pumpy-umpy-umpkin, you're my sweetie pie
, you're my cuppycake gumdrop snoogums-boogums, you're the apple of my eye! And I love you so and I want you to know that I'll always be right here and I love to sing sweet songs to you because you are sooo dear"!

"she's my sis, break her ♥ I break your face" :)

21/03/2010

~ aLmost

London town, we're comming around.
não interessa se ficamos mal na fotografia, o que interessa é que ficamos :)
a mana T. vai connosco no coração. *

08/01/2010

~ ano '09


«Even though we've changed and we're all finding our own place in the world, we all know that when the tears fall or the smile spreads across our face, we'll come to each other because no matter where this crazy world takes us, nothing will ever change so much to the point where we're not all still friends».

No final do ano passado não escrevi nenhuma reflexão ou agradecimento a quem mais me marcou como era meu hábito. Fi-lo não por falta de tempo ou dedicação mas porque simplesmente me apercebi de que de pouco ou nada me vale escrever sobre o que já foi, embora no final acabe sempre por nunca resistir (mas desta feita sem enumerar nomes).
2009 foi o ano que mais me marcou desde que me lembro. Foi o ano em que mais aprendi, obrigada ou involuntariamente, foi o ano em que mais amadureci, cresci.
Foi também durante o ano passado que aprendi a não questionar decisões pessoais e a saber aceitá-las em simultâneo (o que eu considero das tarefas mais difíceis de todas mas que, exactamente por ter conseguido cumprir com esta, me orgulho daquilo que hoje sou). Não aprendi a perder pessoas para sempre porque não é algo que se 'aprenda' mas, por outro lado, se nos conseguirmos ‘educar’ a viver sem aqueles de que mais gostamos, é possível recordarmo-nos deles com o mais doce dos sorrisos.
O ano que passou, apesar de ter sido o mais penoso de sempre, trouxe consigo inúmeras surpresas boas que eu guardarei sempre comigo. Foram 365 dias que me mostraram um bocadinho mais de mim, lados meus que, imagine-se, eu ainda não conhecia. Foi o ano em que coleccionei os segredos mais importantes, em que mais arrisquei, em que mais desafiei limites e abusei e em que mais triunfei também.
Aprendi a reconhecer que as pessoas mudam muito e que, mesmo que já tenhamos esquecido de amar essas mesmas pessoas e sabido perdoar, mesmo que às vezes nos apeteça partilhar uma ou outra novidade, temos de lhes ir cedendo com calma e aos bocadinhos e esperar que trabalhem para que, no final, consigam reconquistar a nossa confiança como recompensa merecida.
Aprendi que a ousadia é uma mais valia para os mais confiantes e gozadores dos prazeres da vida e que, se os restantes quiserem, podem também saborear uma fatia dessa filosofia de vida, tal como eu fiz e tenho vindo a fazer, e desfrutar de mais as vezes que bem entender, pois tirar partido das oportunidades que o destino nos vai oferecendo pode revelar-se numa das coisas mais excitantes de sempre e isso foi das melhores lições que já reti.
Aprendi também a cometer mais loucuras; que por vezes, nas mais raras, fugir a normas e princípios por nós próprios estabelecidos pode ser realmente libertador e pode funcionar como que um estimulante para o alter ego.
Aprendi que quem diz que nos apoia é diferente de quem o faz realmente. Aprendi a ter certeza absoluta sobre quem vai ficar comigo para o resto da vida fora, não que eu tivesse dúvidas antes mas é sempre bom quando as circunstâncias da vida se encarregam de o confirmar.
E, sobretudo, acabei por concluir que tenho comigo as melhores pessoas do mundo e que nunca me canso de o repetir.

[09.19pm]


Aprendi o quão divertido pode ser entrar duas vezes em 2010, nas vezes espanhola e portuguesa, e celebrar o novo ano no país vizinho até à exaustão durante três dias seguidos com três (melhores) amigas de infância :)

20/11/2009

~ happy b-day, dad!

«A father carries pictures where his money used to be».

14/11/2009

~ you fix me

"You never talk dirty behind my back and I know that there's those that do (...) you're just like a good close sister to me and you know that I love you true".


«Meredith: "We all go through life like bulls in a china shop. A chip here, a crack there. Doing damage to ourselves, to other people. The problem is trying to control the damage we've done, or that's been done to us. Sometimes the damage catches us by surprise. Sometimes we think we can fix the damage (...)".

Hope you know I'll be here to help you fix the damage that other people may want to do to you. (L)».

/mana N.

16/10/2009

~ és tu (a dona da razão), sempre

"Miúda, é nestas coisas que eu vejo que és o meu orgulho. Tu desesperas, achas sempre que não consegues resolver as coisas, ficas toda stressada, entras em pânico e começas com cenas a dizer que não sabes o que é que hás-de fazer e não sei quê mas depois chegas lá sozinha e tens sempre grande atitude nestas merdas. A sério, acho que nem eu faria melhor. Oh pah fico mesmo orgulhosa de ti, miúda".
/mybestfriend.