07/04/2010

~ um obrigada

«Quando duas pessoas foram tão próximas como nós e viveram essa proximidade de uma maneira única, aquilo a que tão raramente podemos chamar intimidade, há marcas que ficam para sempre na nossa memória e até é ingénuo tentar apagá-las».

Faltava um obrigada. Nunca tive jeito com discursos, nem estando no curso de letras me permite conseguir dizer tudo aquilo que desejo. Não deixa de ser irónico, hã? Tu sabes que as folhas de papel são as minhas eternas melhores amigas, por isso é que sempre respeitaste as minhas temporárias ausências de resposta e eu só te tenho de agradecer por isso.
Houve tempos em que duvidei da nossa relação. Outrora não quis admitir esse meu receio, julguei que se me agarrasse com muita força ao que realmente desejava, mesmo que soubesse que ter-te como havia tido antes se pudesse tratar de uma mera ilusão, era-me mais fácil de ultrapassar tudo o resto que por acréscimo veio, pelo que preferi ir brincando ao faz-de-conta comigo mesma. Acontece que o meu lado racional felizmente falou mais alto e consegui separar as coisas a tempo e encará-las com a necessária maturidade.
Sabes, estes dias ouvir a tua voz sem te ter fisicamente presente também me confortou, também me soube bem. Mas o que mais me sossegou o coração foi a tua justificação, foi ter ouvido a razão pela qual te afastaste. Muitas vezes me perguntei se te terias cansado, se te terias fartado de lutar pela nossa "mais que amizade", o que ainda mais vezes me entristeceu. Agora sei o porquê de me teres feito a vontade, sei que estiveste sempre preocupado em zelar pelo meu bem-estar, sempre pensando no que seria melhor para mim, mesmo que isso te custasse o mundo e uns tantos olhares cujo significado eu acabei por confundir.
Com isso aprendi a não reter dúvidas, a não fazer delas questões retóricas, sofrendo por antecipação. No fundo, aprendi a não guardar perguntas cá dentro, como se de valiosos tesouros se tratassem, e a resolve-las quando as respostas a mim não pertencem.
Só faltou um obrigada, pelo teu esforço e pela dedicação fantasma que sempre me foste dispensando, mesmo que eu tenha levado todo este tempo para me aperceber da protecção que me foste cedendo. Em suma, isto é um obrigada por teres permanecido sempre na minha sombra, por me continuares a dar a confiança necessária para que eu te telefone quando as coisas apertam, por, ao fim deste tempo todo, ainda sentires o à-vontade de sempre para me pedires, com a cumplicidade que temos desde há quatro anos, juntamente com aquela voz de menino mimado como quem vai apalpando terreno e ganhando coragem:
- Olha, olha..
- Diz..
-Olha..
-Diiiz!
- Lembra-te de mim.. Está bem?

[09.51pm]

6 comentários:

Ana disse...

Vivo isto Qel. Obrigada por teres passado para o papel.
:)

Mariana Neves disse...

até tremi. ainda bem que no fim de contas, as coisas ficam razoavelmente bem :')

SparkingMind disse...

Desafio lançado no meu blog querida (:
Beijinho *

C disse...

está muito ternurento : )

Diogo Silva disse...

É disto que gosto...é de ler isto...se todos nós dessemos esse obrigado haveria muitos mais sorrisos todos os dias...parabens falaste de coração...Imponente!

Afonso Arribança disse...

grande sorriso que me desenhaste na cara com esse final de texto :)