...que hoje comprei chocolate branco. Lembrei-me tanto de ti.
«...de leite é suave e cremoso. O negro, mais intenso e com um provocador travo amargo. Simples, com amêndoas, arroz crocante, avelãs... o chocolate é para muitos a imagem da tentação».
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23/09/2014
02/07/2014
só para dizer... #31
...que hoje completarias 27 primaveras e eu continuo a perguntar-me como estaria a tua vida nos dias que correm, a imaginar-te num presente que nunca irás viver, pelo menos da mesma maneira que nós, que cá deixaste. Ainda penso no que é que estarias a fazer agora, neste exacto momento, por exemplo, se não tivesses escolhido encurtar os (teus) anos. Hoje estás – estarias(?) – de parabéns pelos teus 27 anos, João, mas, para mim, terás sempre 21* (e estarás sempre assim, bem colado a mim).
*o número cuja simbologia corresponde à "fatalidade perfeita" no Frei Luis de Sousa, uma das obras que tive de estudar no meu 11º ano, quando partiste. Uma parvoíce em que, inconscientemente, acabei por reparar.
parte de:
paradoxo do hedonismo (jm),
só para dizer...
29/09/2013
~ bem-vindo, joão ratão
«Daqui a dez ou vinte ou trinta anos, terás perdido o cheiro a leite da pele,
eu terei rugas e uma cabeça coroada de cabelos brancos (...)».
Chegaste num dia cinzento, era a última quarta-feira do mês. Vieste juntar-te ao clã perfazendo o número quatro da família. Ainda não te tinha visto e já te amava. Ainda não te sabia os traços do rosto e já esperava ansiosa na expectativa de finalmente te poder conhecer, qual carochinha no parapeito da janela à espreita.
Sabes, berlinde, és uma espécie de milagre para os que te rodeiam. Sempre exististe mesmo antes de existir, ainda que tenhas vindo por um acaso feliz. Já te falávamos há muito e quando soubemos que vinhas a caminho a alegria veio juntar-se ao espanto e logo tiveste lugar cativo.
És o menino dos olhos da mamã e o orgulho do papá e, certamente, irás ser a companhia preferida da mana.
Tu carregas um grandioso nome contigo, biscoito, és uma homenagem ao tio mais novo... Com certeza serás tão querido e dedicado como ele, pelo menos a calma já herdaste ao não ter pressa de chegar - tão diferente da mana - e quando dormes profundamente no ambiente mais agitado de sempre.
Bebé, quando tiveres apenas oito anos eu já vou estar a meses dos trinta... Por agora és quarenta e nove centímetros de ternura e três quilos e tal de pura doçura mas acredita: vou-te amar até depois de me ultrapassares na altura. Só te quero fazer um pedido: continua assim relaxado e não tenhas pressa de crescer, quero usufruir de cada pitada tua.
Assim te apresento ao mundo: sê bem-vindo, Joãozinho.
[02.46am]
parte de:
paradoxo do hedonismo (jm),
partilhas dedicadas
04/02/2013
"morreste-me"
«Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele.(...). Nunca envelheceste (...).
E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. (...). Tudo o que te sobreviveu me agride. (...). Nunca esquecerei».
José Luís Peixoto.
parte de:
paradoxo do hedonismo (jm),
passagens citadas
29/09/2012
"saudades eu não as quero"
«Bateram fui abrir era a saudade
vinha para falar-me a teu respeito
entrou com um sorriso de maldade
depois sentou-se à beira do meu leito
e quis que eu lhe contasse só a metade
das dores que trago dentro do meu peito».
vinha para falar-me a teu respeito
entrou com um sorriso de maldade
depois sentou-se à beira do meu leito
e quis que eu lhe contasse só a metade
das dores que trago dentro do meu peito».
Afonso Lopes Vieira.
parte de:
paradoxo do hedonismo (jm),
passagens citadas
02/07/2012
09/05/2012
~ ontem sonhei que estavas vivo

"I have buried you every place I've been,
you keep ending up in my shaking hands".
Ontem sonhei que estavas vivo. Sei que te pedi que me rondasses os sonhos mas não foi assim que imaginei que seria. Pensei que ficaria contente por te sonhar... Em vez disso doeu, acordei a chorar.
Alguém fazia anos e soprava as velas. Apesar do escuro, conseguia ver-te ali, no fundo da sala, com o teu ar meigo e calmo e de luzes nos olhos, a bater palmas enquanto sorrias.
E de repente foi como se tivesses acabado de regressar de umas longas férias no estrangeiro e decidisses ter feito surpresa.
E de repente, estares ali, à minha frente e a sorrir-me com os olhos, era a coisa mais natural do mundo.
No meu sonho não deu tempo de posarmos para a foto que tirávamos todos os anos, no mesmo aniversário, na mesma posição. De repente as velas apagam-se, os aplausos deixam-se de ouvir e as luzes acendem e tu foste embora.
Alguém fazia anos e soprava as velas. Apesar do escuro, conseguia ver-te ali, no fundo da sala, com o teu ar meigo e calmo e de luzes nos olhos, a bater palmas enquanto sorrias.
E de repente foi como se tivesses acabado de regressar de umas longas férias no estrangeiro e decidisses ter feito surpresa.
E de repente, estares ali, à minha frente e a sorrir-me com os olhos, era a coisa mais natural do mundo.
No meu sonho não deu tempo de posarmos para a foto que tirávamos todos os anos, no mesmo aniversário, na mesma posição. De repente as velas apagam-se, os aplausos deixam-se de ouvir e as luzes acendem e tu foste embora.
[02.09am]
18/01/2012
15/10/2011
"fazes-me falta"

«Se ao menos eu tivesse escrito cada um dos nossos dias, anotado a sequência das nossas conversas, agarrado o Tempo que nos foi roubado. Uma narrativa, uma ilusão de ordem que estancasse a fluidez insignificante da vida».
Inês Pedrosa
Acredito que estejas aí em cima a olhar por e para nós. Espero que cuides bem dela, afinal a avó tinha saudades tuas.
Acredito que estejas aí em cima a olhar por e para nós. Espero que cuides bem dela, afinal a avó tinha saudades tuas.
parte de:
paradoxo do hedonismo (jm),
passagens citadas
28/09/2011
~ quando me encontro sem me encontrar

«O passado não esquece, o presente é uma obrigação, o futuro não conta».
Às vezes sinto-me só. Estou no meio da multidão e sou só eu. Sinto que não pertenço ali, tudo é feio, não me encaixo naquelas vidas.
Se espirro ninguém diz nada, se falo ninguém me ouve. Se ouve, acho-os sempre exagerados. No tom de voz, na escolha das palavras. Se calhar sou eu que exijo demais, se calhar sou eu quem exagera.
E quando me encontro sem me encontrar é quando me lembro de ti e penso que este mundo provavelmente não te soube reconhecer; que este mundo era demasiado cruel para te merecer.
[12.49am]
02/07/2011
só para dizer... #11

...que hoje completarias 24 primaveras. Já viste? Serias (e és!) tio com 24 anos! :) Parabéns, meu doce ♥
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paradoxo do hedonismo (jm),
só para dizer...
18/06/2011
16/05/2011
~ às vezes tenho disto

"Every day I wake up, I hope I'm dreaming. I can't believe this shit, can't believe you ain't here. Sometimes it's just hard for a nigga to wake up, it's hard to just keep going, i'ts like I feel empty inside without you being here I would do anything to bring you back (...). I'ts kinda hard with you not around, know you in heaven smilin' down.. watchin' us".
Nunca me habituarei à tua ausência, por mais tempo que passe. Nunca conseguirei preencher o vazio que ficou por não te ter aqui comigo, por mais pessoas que tenha na minha vida e que me preencham.
Ultimamente, tenho-me lembrado muito de ti. Fartei-me de ver amigos e colegas teus na queima, só me lembrava do orgulho estúpido que tive quando foste nomeado "caloiro do ano", ainda eu estava longe de perceber o que isso era.
Às vezes tenho disto, paro para pensar; desligo-me de tudo e só me apetece recordar-te, sempre tive medo de te esquecer apesar de muitas vezes, sem querer, te associar a qualquer coisa, por mais insignificante que ela for.
Acredito que, de uma forma ou de outra, me vês e que estás aí em cima a olhar por nós e a proteger-nos. Bem sabes que não sou muito destas coisas, que neste campo costumo ser céptica mas também já te escrevi que dói muito sentir de outra maneira, interiorizar que és meramente pó, logo tu que sempre foste tão especial.
Hoje quero confessar-te uma coisa em que reparei. Descobri que não foi só por causa de histórias de (des)amores que agora tenho mais necessidade de me isolar do mundo de quando em vez; que me tornei mais fechada com as pessoas. A tua perda fez com que eu me tornasse mais fria, com que os problemas dos outros deixassem de ter tanto significado porque sei que há merdas maiores e que eles não passaram por aquilo que eu passei (e deixou mossa). Há gente que sofre em vão quando podia simplesmente virar costas, gente que não sabe o que é doer no verdadeiro sentido do verbo, que não sabe dar valor à sorte que tem e isso revolta-me, faz-me ser mais egoísta e individualista - tomara eu não ter conhecido tal dor de tão perto,
queixam-se de barriga cheia.Por outro lado, sinto que tenho mais força interior, que cá dentro existe uma maior capacidade de aguentar com as coisas más. É claro que não me podem tirar as minhas pessoas, quando sou Aquiles elas são o meu calcanhar, mas agora é como se tudo o que me atingisse fosse secundário.
Desta vez não consegui esperar pelo dia 18 para te escrever, este mês já faz dois anos que partiste mas, como sempre, as saudades permanecem em doses industriais. Nada vai compensar o espaço oco que em mim deixaste, João. Amo-te muito.
[12.44am]
18/04/2011
~ é estranho

"Ainda procuro por quem não esqueci,
por quem já não volta, por quem eu perdi".
Eu gosto de ir só para falar contigo. Não é a mim que me competem essas tarefas. Gosto de te levar uma vela ou uma flor, por vezes as duas, e falar-te um bocadinho da vida cá em baixo. Ficar só ali a olhar, a pensar em ti e nas nossas memórias que me vão assolando o espírito de quando em vez, chorar em silêncio.
Tenho muitas saudades dos teus abraços, das tuas sardas de fazer inveja e das veias salientes dos teus braços que eu adorava sentir.
(lembro-me perfeitamente desta foto. Foi tirada na nossa praia, no Algarve. Os teus calções vermelhos fomos nós que tos demos. Tu adorava-los! Estavas ao telefone com a F., a tua namorada na altura e antes de te sentares tinhas andado bastantes vezes de um lado para o outro na passadeira. Quando viste que o meu pai te ia tirar uma foto, fizeste ar de maroto e o resultado foi este :)). quase dois anos.. *
[10.53pm]
18/03/2011
~ (not) stars
«Perhaps they are not stars, but rather openings in heaven where the love of our lost ones pours through and shines down upon us to let us know they are happy».fazes-me muita falta, João. Sempre farás... E sabes uma coisa? Cada vez me revejo mais em ti, cada vez mais me tenho apercebido do quão parecidos (sempre) fomos. :)
24 meses de saudade *
17/12/2010
~ the never-ending why
"I wonder if that's all there is... Time will help you through but it doesn't have the time to give you all the answers to the never-ending why".
este vai ser o segundo natal sem ti, pelo que não vamos enfeitar a casa. Sabes, acho que já consigo ouvir a palavra começada por S sem que se apercebam do quão é que determinado verbo mexe comigo. É um começo, não é? Porém, as saudades, essas, serão eternas. *
04/12/2010
~ se calhar...
«É esta a marca da perda: a sensação de falta. Sinto falta das respostas que já não me dá, mesmo daquelas respostas tortas que eu já conseguia adivinhar (...)».Se soubesses do desenrolar da minha vida desde o dia em que me deixaste até ao dia de hoje, ficarias surpreendido. Se calhar até sabes, se calhar não te escapa nada daí de cima. Se calhar até foste tu que me fizeste chegar até aqui, se calhar não tem nada a ver.
Há muito que havia deixado de acreditar num qualquer deus, numa vida no além, naquela que dizem ser possível haver depois da morte (ou vida). A religião por aqui já tinha deixado de fazer sentido mas foi a partir do momento em que te tiraram de mim que tive a confirmação do quão forte era a minha descrença. Se realmente há um deus, que me perdoem, mas é cruel demais. Bem sei que este mundo não te merecia, és das pessoas mais lindas que já conheci, mas nada em tempo algum justificará a injustiça que é não te ter por perto.
Sabes, acho que nunca é demais escrever-te, especialmente se for para te dizer que as saudades continuam a aumentar. É certo que não te tenho ido visitar tantas quantas as vezes que gostaria mas, se realmente me vês, sabes como anda a minha vida e provavelmente ficas contente pelo rumo que está a tomar.
Sei também que parece incoerente visto que nem sequer rezo, mas uma parte de mim quer mesmo admitir a tua presença aqui, a cuidar de mim sem que eu realmente o saiba. É que acreditar no contrário custa muito, chega a doer. Pensar que "foi isto e acabou", que já não existes e ponto final é... impensável. Desculpa-me a redundância mas eu gosto tanto de ti que a mente chega a bloquear e a escrita vai-se perdendo algures pelo meio. Eu gosto tanto de ti que deixo de conseguir ser racional. Ultimamente tenho tido alguns dilemas deste género, se me vês sabes do que falo.
De qualquer maneira, gostava de te contar um dia, com tempo, todas as mudanças da minha vida neste último ano. Todas as voltas, as etapas, os capítulos, as danças e contradanças. Confirmá-las, no caso de teres estado sempre a par.
Nunca te esqueças, se me ouves, que parte de mim acredita nisso, que me continuas a proteger como sempre fizeste, embora agora o faças de maneira diferente; que coloco sempre a possibilidade de me estares a ouvir quando tenho longas conversas contigo, no teu cantinho, ainda que eu não fale e que tu não me respondas; que consinto o benefício da dúvida a mim mesma quando me deixo levar pela crença de que, um dia, voltaremos a estar juntos. Eu tenho consciência de que é o querer que grita mais alto do que a lógica no que se relaciona contigo, mas deixa-me sentir que pode ser verdade quando me dizem que estás a olhar por mim. É que as saudades continuam a aumentar.
[10.28pm]
18/10/2010
09/08/2010
~ I chose love and go on
You can shed tears that he is gone or you can smile because he has lived. You can close your eyes and pray that he'll come back or you can open your eyes and see all he's left. Your heart can be empty because you can't see him or you can be full of the love you shared. You can turn your back on tomorrow and live yesterday or you can be happy for tomorrow because of yesterday. You can remember him only that he is gone or you can cherish his memory and let it live on. You can cry and close your mind, be empty and turn your back. Or you can do what he'd want: smile, open your eyes, love and go on....e é a discursos como este que me tenho vindo a agarrar.
18/07/2010
~ espera por mim
«Michael O'Neill: Kimmy says if you love someone you say it, you say it right then, out loud. Otherwise the moment just...Julianne Potter: Passes you by...
Michael O'Neill: Passes you by...».
Custa. Custa saber que nunca mais verei a tua letra longa e apertada e que, muito pior, nunca mais ouvirei o som da tua voz. A tua calculadora ainda tem fórmulas nela coladas e eu ainda continuo a achar que groselha combina melhor com água do que com leite.
Penso em ti quando como chocolate branco e na maneira como os teus olhos brilhantes se arregalavam e os cantos da tua boca se inclinavam para cima quando saboreavas um desses pedacinhos de céu, que sempre foram a nossa perdição, como se não houvesse amanhã. Agora não há, nem amanhã nem o dia a seguir nem o que vem depois desse ou o posterior. Agora simplesmente não há depois, o amanhã é vazio, oco. Nunca mais acontecerá. E é com esta realidade que eu arrisco dizer que já me tenho vindo a conformar. Dizem que a última fase do luto é a resignação. Não é que não me custe, porque acredita que continua a ser horrível encarar a perda assim que me levanto e pouso os pés no chão todas as manhãs, só eu sei o quanto dói não te ter aqui comigo, só que agora é diferente, talvez penoso de uma outra maneira, da mais tolerável que possa haver neste tipo de situações. Difícil é de explicar, mais ainda de saber gerir.
Continuo a visitar-te e a pensar em ti, faço-o todos os dias, mas agora é diferente. Ainda te tento adivinhar a expressão que te terá atravessado o rosto no último instante. Muitas vezes me pergunto como terás escolhido partir. Eu, pessoalmente, espero que não tenhas partido com a cabeça concentrada nas coisas más e consumido pelo vazio que se tinha vindo a apoderar de ti nos últimos tempos. Faz-me confusão não saber se choraste e se não te lembraste de mim, se calhar é o egoísmo a falar mais alto, mas pensaste em nós, os de sangue? Ou inspiraste fundo naquele que terá sido o momento mais decisivo da tua curta vida e simplesmente sorriste por pensar que, finalmente, irias ter paz? Espero que tenhas conseguido alcançar a paz de espírito que não encontraste cá em baixo e por que tanto ansiavas, a mesma que certamente te atormentava. Espero e acredito que o tenhas feito.
Não vou mentir, saber que te despediste de mim com tanta subtileza, sem sequer me teres dado tempo, o mesmo que eu precisava para que me apercebesse do que estarias prestes a fazer, ainda me irrita. O facto de não te ter dito aquilo que achava e que tu tanto precisavas de ouvir revolta-me ainda mais e é o meu maior arrependimento. Se ao menos eu pudesse voltar atrás no tempo... Julguei que, ao não aprofundar certos assuntos, te estaria a poupar. Desculpa ter-me enganado, afinal de contas julguei mal. Podia ter-te dado a minha opinião mais sincera que, coincidência ou não, sei que era o que terias gostado de ouvir, mas não te quis martirizar e preferi distrair-te. Perdoa-me por isso.
Sabes João, cresci muito à custa de tudo isto. Aprendi a não guardar palavras, mesmo que mais tarde as escreva, e muito menos sentimentos. Agora quando sinto digo e pronto. Não economizo nos vocábulos nem escolho momentos certos porque esses, não existem. Tão-pouco evito falar quando, por vezes, ainda vacilo. Mas não existe o dia perfeito, a hora H é aquela e o tempo adequado é ali, quando e onde se sente. Existe, sim, a opinião, o sentimento e a vontade. E isso basta. A oportunidade é vã e a vida não espera. Somos nós quem tem de a acompanhar e não o contrário e esta foi uma entre as muitas outras coisas que tu me ensinaste. Ensinaste-me a dizer o quão gosto das pessoas na altura porque, se gostamos, mesmo que tenhamos as maiores certezas do mundo em como elas ficarão connosco até ao fim, nem isso é certo nesta vida e poucas são as coisas permanentes. Não convém omitir nem há por que deixar para depois. Depois podemos já cá não estar. Depois O momento, o ali, que é quando e onde se sente, esquiva-se-nos por entre os dedos e só nos vemos tentados a agarrá-lo quando já há muito o perdemos.
Se ao menos tivesses sido um bocadinho mais explícito, eu ter-te-ia correspondido de uma outra maneira, de uma forma mil vezes melhor, mas tu sempre me conseguiste dar a volta e fizeste mais do que tudo para não levantar a mínima suspeita. Nisso sempre fomos parecidos, podemos demorar a fazer planos, mas quando os concretizamos é a valer. João, se algum de nós tivesse desconfiado, tu não terias tido coragem, pois não?
Só te tenho a dizer que lamento, mais do que já alguma vez lamentei o que quer que fosse, que a tua ausência é das maiores dores que já me dilaceraram o peito e que a tua perda, irreversível como O momento, vai assombrar-me pela minha vida fora. As saudades que tenho tuas ultrapassam oceanos e eu juro terem a força para mover montanhas. É como diz a música, “a saudade é do tamanho de um prédio” e, sem ti, a vida é um tédio.
Apenas espero, um dia, encontrar-te tal como tu acreditavas ser possível – e como eu, estúpida, não percebi logo – e, quando isso acontecer, sei que as minhas perguntas vão cessar e não vou querer saber de mais nada que não seja abraçar-te e encher-te de beijos até levar à exaustão. Vou dizer-te, todos os dias, o quão é que te adoro e vou seguir-te para todo o lado, como sempre fiz até que não mais me foi permitido, até ao derradeiro dia.
Não te esqueças nunca. E espera por mim.
Penso em ti quando como chocolate branco e na maneira como os teus olhos brilhantes se arregalavam e os cantos da tua boca se inclinavam para cima quando saboreavas um desses pedacinhos de céu, que sempre foram a nossa perdição, como se não houvesse amanhã. Agora não há, nem amanhã nem o dia a seguir nem o que vem depois desse ou o posterior. Agora simplesmente não há depois, o amanhã é vazio, oco. Nunca mais acontecerá. E é com esta realidade que eu arrisco dizer que já me tenho vindo a conformar. Dizem que a última fase do luto é a resignação. Não é que não me custe, porque acredita que continua a ser horrível encarar a perda assim que me levanto e pouso os pés no chão todas as manhãs, só eu sei o quanto dói não te ter aqui comigo, só que agora é diferente, talvez penoso de uma outra maneira, da mais tolerável que possa haver neste tipo de situações. Difícil é de explicar, mais ainda de saber gerir.
Continuo a visitar-te e a pensar em ti, faço-o todos os dias, mas agora é diferente. Ainda te tento adivinhar a expressão que te terá atravessado o rosto no último instante. Muitas vezes me pergunto como terás escolhido partir. Eu, pessoalmente, espero que não tenhas partido com a cabeça concentrada nas coisas más e consumido pelo vazio que se tinha vindo a apoderar de ti nos últimos tempos. Faz-me confusão não saber se choraste e se não te lembraste de mim, se calhar é o egoísmo a falar mais alto, mas pensaste em nós, os de sangue? Ou inspiraste fundo naquele que terá sido o momento mais decisivo da tua curta vida e simplesmente sorriste por pensar que, finalmente, irias ter paz? Espero que tenhas conseguido alcançar a paz de espírito que não encontraste cá em baixo e por que tanto ansiavas, a mesma que certamente te atormentava. Espero e acredito que o tenhas feito.
Não vou mentir, saber que te despediste de mim com tanta subtileza, sem sequer me teres dado tempo, o mesmo que eu precisava para que me apercebesse do que estarias prestes a fazer, ainda me irrita. O facto de não te ter dito aquilo que achava e que tu tanto precisavas de ouvir revolta-me ainda mais e é o meu maior arrependimento. Se ao menos eu pudesse voltar atrás no tempo... Julguei que, ao não aprofundar certos assuntos, te estaria a poupar. Desculpa ter-me enganado, afinal de contas julguei mal. Podia ter-te dado a minha opinião mais sincera que, coincidência ou não, sei que era o que terias gostado de ouvir, mas não te quis martirizar e preferi distrair-te. Perdoa-me por isso.
Sabes João, cresci muito à custa de tudo isto. Aprendi a não guardar palavras, mesmo que mais tarde as escreva, e muito menos sentimentos. Agora quando sinto digo e pronto. Não economizo nos vocábulos nem escolho momentos certos porque esses, não existem. Tão-pouco evito falar quando, por vezes, ainda vacilo. Mas não existe o dia perfeito, a hora H é aquela e o tempo adequado é ali, quando e onde se sente. Existe, sim, a opinião, o sentimento e a vontade. E isso basta. A oportunidade é vã e a vida não espera. Somos nós quem tem de a acompanhar e não o contrário e esta foi uma entre as muitas outras coisas que tu me ensinaste. Ensinaste-me a dizer o quão gosto das pessoas na altura porque, se gostamos, mesmo que tenhamos as maiores certezas do mundo em como elas ficarão connosco até ao fim, nem isso é certo nesta vida e poucas são as coisas permanentes. Não convém omitir nem há por que deixar para depois. Depois podemos já cá não estar. Depois O momento, o ali, que é quando e onde se sente, esquiva-se-nos por entre os dedos e só nos vemos tentados a agarrá-lo quando já há muito o perdemos.
Se ao menos tivesses sido um bocadinho mais explícito, eu ter-te-ia correspondido de uma outra maneira, de uma forma mil vezes melhor, mas tu sempre me conseguiste dar a volta e fizeste mais do que tudo para não levantar a mínima suspeita. Nisso sempre fomos parecidos, podemos demorar a fazer planos, mas quando os concretizamos é a valer. João, se algum de nós tivesse desconfiado, tu não terias tido coragem, pois não?
Só te tenho a dizer que lamento, mais do que já alguma vez lamentei o que quer que fosse, que a tua ausência é das maiores dores que já me dilaceraram o peito e que a tua perda, irreversível como O momento, vai assombrar-me pela minha vida fora. As saudades que tenho tuas ultrapassam oceanos e eu juro terem a força para mover montanhas. É como diz a música, “a saudade é do tamanho de um prédio” e, sem ti, a vida é um tédio.
Apenas espero, um dia, encontrar-te tal como tu acreditavas ser possível – e como eu, estúpida, não percebi logo – e, quando isso acontecer, sei que as minhas perguntas vão cessar e não vou querer saber de mais nada que não seja abraçar-te e encher-te de beijos até levar à exaustão. Vou dizer-te, todos os dias, o quão é que te adoro e vou seguir-te para todo o lado, como sempre fiz até que não mais me foi permitido, até ao derradeiro dia.
Não te esqueças nunca. E espera por mim.
[04.02pm]
17 meses *
17 meses *
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