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10/01/2014

~ (res)sentimento

«A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmos».

Não sabia que me guardavas esse ódio todo. Desconhecia essa tua carência em desacreditar aquilo que outrora tivemos em plena praça pública. Sempre soube que eras orgulhoso, característica que eu sempre fiz questão de frisar porque desde o início me prendeu, via-o como um orgulho bom, quase que me dava gosto em apreciar... Mas não te sabia com tamanha necessidade de expor essa superação toda. Não te conhecia tão grande rancor por aquilo que durante dois anos e meio fomos juntos. 
Será mesmo que a alcançaste, a essa superação que tanto queres aparentar? Será que te ergueste tanto assim que não o consegues conter e que precises de transgredir a privacidade que estas matérias do coração deveriam respeitar? 
Sinceramente acho que a ignorância, nestas questões do (des)amor, é realmente uma bênção. Se não vires não lembras, se não procuras não atormenta, se não revisitares não sentes falta, passa tudo ao lado. Há tanta coisa que te queria dizer; partilhar contigo... E no entanto não posso porque ignorância é tudo o que tenho tido e tem sido o melhor bálsamo para a alma. Não me posso dar ao luxo de procurar saber. 
E ainda assim não alinho quando os teus amigos me elogiam, ainda assim te honro respeito, se é que se pode honrar um sentimento de si já tão nobre, quando me dizem, a medo, que eu estou demasiado fora da tua liga. Aí fico sem reacção, nunca sei se mantenha a postura ou agradeça porque, apesar e acima de todas as nossas batalhas em guerras perdidas, eu gostei muito de ti. 
E é também por isso que tenho a maior pena quando me dizem que, nos dias de hoje, nos descreves como condenados. Se nos achavas assim tão impossíveis de durar, por que é que prolongaste a felicidade disfarçada? Se não tinhas esperança em nós, por que é que não tiveste coragem de te impor e terminar logo com algo em que, afinal de contas, não acreditavas? Por que é que me deixaste nas mãos a enorme responsabilidade de nos inventar um fim? Fomos assim tão desprovidos de fé, aos teus olhos? 
Sabes, eu pensei que ias adoptar o mesmo método que eu, não em relação à tal tão abençoada ignorância mas ao nível da visão do quadro geral. Achei que nos ias guardar como uma recordação boa, uma etapa que, ainda que com alguma turbulência, tenha sido positiva de se viver porque, no final de tudo, até conseguimos ser mais do que cordiais na hora da despedida – ou será que também não a sentiste desta maneira? 
Chama-me inocente mas, sinceramente, não sei de onde surgiu esse ressentimento todo. Esse era o tipo de reacção que eu tinha com 17 anos quando, enraivecida, escrevia (a)os meus desamores – e ainda assim sempre com cuidado para não difamar aos sete ventos, sempre permitindo acesso somente a um círculo muito restrito. Arrisco-me até a dizer que me faz ficar... triste. – Não sei se é este o termo correcto mas faz esquina com a rua da tristeza, bem perto do cruzamento com o lamento, a reacção que a tua amargura desperta em mim. 
Apenas gostava que não tivesses aprendido a odiar-me porque quando não se preza só se odeia o que está à nossa altura ou a nós nos é superior, tudo o resto nos é indiferente quando realmente (já) não nos diz muito e tu optaste por desrespeitar os valores que sempre fizemos questão de zelar perante terceiros ao invés de deixar as provocações das lojas dos trezentos e as alfinetadas de lado e, verdadeiramente, seguir em frente. Antigo amor, lamento muito. 

[04.13am]

06/10/2013

só para dizer... #27

...que três anos cabem numa caixa de sapatos com rebuçados e mensagens forradas. Que há pensamentos que não se conseguem articular e sentimentos que nem em frases se conseguem traduzir. Gastei todas as palavras ao não usá-las quando deveria. É engraçado esgotar palavras quando nem sequer as criei, não é? Mas é verdade, desperdicei-as ao ver-te chorar rios, de joelhos ao pé da cama, quando te perdoei algo que assumi ser inocente. "Talvez seja eu a bruxa má, se calhar estou a fazer demasiados filmes", lembro-me de ter pensado.
Mas sabes, do fundo do coração, não me arrependo de o ter feito. Permitiu-nos mais baby steps, mais uma data de boas memórias, mais histórias a dois. Sei que também nos trouxe mais chatices, mais desconfianças, todo um rol de novos desafios mas, acima de tudo, veio trazer-me a paz de espírito de que eu precisava.
Hoje reconheço que me veio dar credibilidade de todas as vezes que duvidei e me ridicularizei por isso, que questionei tudo para logo a seguir arranjar desculpas a fim de encontrar mais caminho na frente. Agora sei que a intuição é algo que tem razão de ser. É quase como se tivesse aprendido uma lição comigo mesma e me dissesse "eu bem te avisei". Acredita, nunca detestei tanto estar certa.
No final de contas a realidade é que acabámos mesmo por não lhe sobreviver, nono.
No meio disto tudo o que mais me entristeceu foi a falta disso mesmo: a falha de tristeza no pequeno desgosto que foi não te ter. Fomos um fado triste que, de tantas vezes dedilhado, o final já estava há muito decorado. O fim da canção não me foi estranho, já me tinha mentalizado. O mais triste foi mesmo não morrer de desamor e o que mais lamento foi ter perdido o meu melhor amigo. Agora que seríamos amigos poderia contar-te novidades e episódios que amores antigos como nós não partilhariam mas também não te posso pôr a par da minha vida pela mesma razão: porque em tempos fizeste parte dela; porque foste um amor meu e não caía bem.
Penso que é por esse meu grande lamento (por ter perdido o melhor amigo que apesar de tudo sempre foste), que embora ninguém possa ver, eu te conserve no "álbum" mais público de todos. De cada vez que nos tentava apagar ficava a fixar-nos ali, na fotografia, a apreciar o quão bonitos e felizes estávamos. Já desisti disso. Sei que estamos lá, que as fotografias existem mas não me incomodo em nos espreitar. Pode ser que um dia me decida e apague tudo ou então que me decida a não o fazer porque deixar tudo quieto no sítio onde está também é, à sua maneira, uma decisão.
Agora que estou a iniciar outro capítulo enquanto a pessoa que quero ser é viver para aprender. Só tenho pena de não poder partilhá-lo contigo; tenho pena de não to poder dizer.

[03.39am]

06/09/2013

"the girl with no name"

«(...) It's one of those things people say. You can move on until you let go of with the past. Letting go is the easy part, it's the moving on that's painful. So sometimes we fight it, trying to keep things the same. Things can't stay the same though. At some point you just have to let it go. Move on. Because no matter how painful it is. It's the only way we grow». 

 Grey's anatomy, 8.20.

31/07/2013

só para dizer... #26

...que depois de praticamente três anos de partilha constante, espera-se que reste pelo menos um sentimento dos nobres: respeito. Quando isso não acontece é simplesmente triste...

13/06/2013

"desfado"

"Ai que tristeza, esta minha alegria, 
Ai que alegria, esta tão grande tristeza 
Esperar que um dia eu não espere mais um dia 
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente 

Ai que saudade que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém que aqui está e não existe
Sentir-me triste só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem só por eu andar tão triste".


Pedro da Silva Martins / Ana Moura.

22/05/2013

"la douleur exquise!"

«In love relationships there is a fine line between pleasure and pain. In fact, it’s a common belief that a relationship without pain is a relationship not worth having. To some, pain implies growth. But how do we know when the growing pains stop, and the pain pains take over? Are we masochists or optimists if we continue to walk that fine line? When it comes to relationships, how do you know when enough is enough?».

Sex and the city, 2.12.

20/05/2013

só para dizer... #24


...por favor não me espetem mais coisas destas à frente.
Não ousem sequer pôr-me a pensar que a hipótese de que "cada ano que passa é melhor que o anterior" existe; eu não ia aguentar saber. De qualquer forma o 19, apesar de tudo, continua a ser o meu querido número.

08/10/2012

só para dizer... #22

...que tenho a certeza que nunca ninguém te vai amar mais do que eu.

10/08/2012

~ f*ck


fuck everything, I love you.

..and I always will.

07/08/2012

só pra dizer... #21


...que pensei que conseguia lidar com tudo; que, com o tempo, acabava por aprender a relativizar as coisas. Se calhar andei a enganar-me a mim própria e acreditar só talvez não seja o suficiente. Provavelmente exijo demais, elevo a fasquia mais do que o que devia e fico à espera que faças por mim as mesmas coisas a que me disponho a fazer por ti.
Continuar a insistir em colar as expectativas ao tecto seria uma estupidez da minha parte mas não as consigo manter no chão e estou cansada de levar com elas em cima. Desculpa.

13/07/2012

"into the wild"

«The freedom and simple beauty is too good to pass up».

Alexander Supertramp.

09/07/2012

~ crimes (imper)feitos

"(...) It's a small crime and I got no excuse and is that all right, yeah? I give my gun away when it's loaded, is that all right, yeah? If you don't shoot it how am I supposed to hold it?".

E ali estava eu, com o carro em quatro piscas e de bagageira aberta, pronta para levar um ou dois só para ti. Teria sido o crime perfeito: deixar-te adormecer na cama para ir roubar a prenda do nosso aniversário.
Ai, as loucuras que uma mulher apaixonada é capaz de cometer...
Teria sido o crime perfeito se os sinais de trânsito não fossem tão pesados e não estivessem aparafusados a grandes e imponentes estruturas mas nem por pertencerem à categoria de sinalização temporária eram mais fáceis de transportar.
Se calhar também nós temos um prazo, sinceramente pensei que fôssemos cúmplices de delito mas depois vi os teus pequenos crimes imperfeitos - não tivesses tu deixado impressões digitais por todo o lado e a prova ao alcance de qualquer um.
Talvez por sermos uma rua sem saída ou uma estrada em manutenção é que as mil e uma metáforas que eu poderia fazer sobre nós e o código da estrada me parecem agora um sentido mais que proibido de seguir mas a minha mensagem é simples: tu violaste a lei; o meu coração encontra-se em obras.

[02.20am]

26/05/2012

~ my funny valentine


"Your looks are laughable, unphotographable
yet, you're my favourite work of art.
(...) Don't change a hair for me, not if you care for me.
Stay, little valentine, stay. Each day is valentine's day".

10/05/2012

~ tell me no lies

"Turn down the light, turn down the bed.
Go on, turn down these voices, they're inside my head.
Lay down with me. Go on, tell me no lies, no lies.
Just hold me close (...)".

28/04/2012

~ ó xico

"(...) há quem diga que encontrou uma brasileira que não está nada mal.
Ó xico, ó xico, onde te foste meter?"

Gosto de ti, xico. Não és Francisco de nome mas bem sabes que para mim não haverá outro xico. Só te queria dizer que admiro muito a grande pessoa que és e por agora apenas te quero lembrar que és um dos meus orgulhos. Sei que não to verbalizo muito mas tu próprio reconheces que o papel é-me o mais fiel dos meios. Por isso te escrevo, xico, para dizer que gosto de ti como namorado e como melhor amigo que és. Já te tinha introduzido o tema quando, depois de estarmos juntos, como quase sempre faço, te perguntei sobre sentimentos à toa. Hoje desenvolvo-me dizendo-te como gosto quando nos desdobramos de qualquer um destes papéis com uma facilidade tremenda, como se um não chocasse com o outro. É quase como se fôssemos serpentes na hora de largar a velha pele. És, “simultaneamente mas em alturas distintas”, o meu namorado e o meu melhor amigo. É-lo quando alinhas nas danças brasileiras mais estranhas e sem vergonha comigo, em frente a quem quer que esteja e é-lo quando me deixas abrir a capota e pões a música do carro nas alturas para cantarmos, feito loucos, a plenos pulmões, enquanto rasgamos a estrada sem rumo a sítio algum.
Naquela madrugada a seguir ao concerto, deitámo-nos no chão frio da cozinha e eu fui a criança mais feliz do mundo. E tu... tu foste o meu irmão mais novo. Dei-te indicações sobre como chegar com a língua ao nariz, fiz caretas que te obriguei a imitar e desafiei-te aos malabarismos mais ridículos só porque sim. E tu, enquanto brincavas com joguinhos de consola, melhor amigo e irmão mais novo que foste, acedeste a todos os meus pedidos e exigências. Ó xico, no que te foste meter...

[11.46pm]

06/04/2012

~ só para dizer... #19

...que eu e o R. fizemos cookies. Bolachinhas de chocolate com pepitas de chocolate de tamanho XL feitas com muito amor e carinho. Foi com a ajuda da bimby mas isso não interessa nada.

16/03/2012

~ o fio da vida


"Já madruguei nos teus braços,
toquei-te a boca num beijo sem fim".

03/02/2012

~ é importante partir pratos


«Good communication is as stimulating as black coffee, and just as hard to sleep after».

É importante para mim discutir. Não te estou a pedir uma oportunidade para te atirar pratos à cabeça, por muito que às vezes me apeteça, mas às vezes é bom explodir. Não devemos nada a ninguém e o amor nem sempre tem de ser bonito. Às vezes é importante falar das coisas, esclarece-las, chegar a uma conclusão. Não gosto de fingir que está tudo bem quando, no fundo, continua a ser tudo um grande ponto de interrogação para mim.
Acredita quando te digo que não se deve acumular. Quando as coisas ficam presas e enterradas cá dentro, a confiança também fica em modo "reserva", a alegria disfarçada e o amor desgasta-se. Vai ficando cada vez mais velho e saturado pela imensa força que tem de fazer para conseguir manter as coisas todas cá dentro, para que não saltem para fora. Cada vez que engulo um sapo, o coração fica mais apertado e eu não quero que um dia o amor deixe de caber. O espaço que arranjei aqui foi para lhe permitir que crescesse e não para atulhar coisas que ficaram por dizer.

Por isso sim, é importante para mim partir pratos e, principalmente falar.

[04.46pm]

23/01/2012

~ jurámos amor eterno numa tarde de inverno


"jurámos amor eterno numa tarde de inverno,
desde então não te larguei nem um único milésimo de segundo, levaste-me a viajar e a conhecer o mundo, mostraste-me o superficial e o mais profundo,
ensinaste-me a vestir a pele do meu semelhante, abraçaste-me com força de uma forma apaixonante,
fazes de minhas fantasias prazer dos teus dias e do prazer dos teus dias nascem minhas fantasias".

28/12/2011

~ até amanhã, meu amor

"Sunshine, we be cruising, it's in our music, that's where the truth is. (...) My body and your body can fuse into one shadow on the wall".

Amanhã vou acordar com mais vontade, vou tomar o pequeno-almoço mais depressa e desfrutar mais da paisagem enquanto conduzo. Amanhã nem me vou maquilhar só para a minha fantasia preferida parecer um pouco mais real.
Quando chegar, bem cedinho, enfio-me na tua cama e fico ali no teu quentinho, encaixada no teu abraço, a contemplar-te a expressão sonolenta enquanto te desperto com beijinhos.
Gosto de brincar a este faz-de-conta contigo, de fingir que todos os dias dormimos e acordamos assim, lado a lado na mesma cama. Gosto de pensar que começamos o dia juntos e gosto ainda mais de partilhar a manhã dos dias contigo debaixo de lençóis de flanela.
É por isso que hoje vou dormir melhor, de coração cheio e quentinho, tal como tu. Até amanhã, meu amor.
[11.50pm]