10/12/2009

~ erguer castelos

"Shut your mouth I just can't take it again and again (...). Since you've been gone I can breathe for the first time I'm so movin on (...) thanks to you now I get what I want".

Já te guardei onde pertences, já estabeleci as distâncias entre nós e pensei ter conseguido transmitir-te a mensagem mas a questão é que tu não pareces entender os limites e achas que ainda existe mais do que uma réstia de confiança entre nós, corrige-me se estiver enganada, meu querido.
Como é que é suposto eu reagir quando me fazes uma festa na cabeça? Temos um assunto pendente, não te esqueças que, antes de me poderes tocar, tens de me reconquistar a confiança e, acima de tudo, reconhecer os teus erros. É preciso lembrar-te que ainda não me foste sincero? Que não cumpriste com as tuas promessas?
Não careço das tuas pancadinhas solidárias quanto mais dos cumprimentos calorosos que me dás, agora que aprendi a viver assim, dispenso as tuas mãos nos meus cabelos. Deixaste pura e simplesmente de ter o direito de me tocar mais do que a boa educação exige, vê se compreendes isso de uma vez por todas porque eu também fui forçada a aprender a lidar com a falta que as tuas carícias me faziam. Dispenso os gestos de falsos afectos, carregados de comiseração e repletos da compaixão que também nos teus olhos habita, nos mesmos que, apesar da despedida, gritaram pela proximidade dos meus por entre paradoxos e antíteses: “adeus, não afastes os teus olhos dos meus”, imploraram-me eles. Não preciso que sintas pena, pena tenho eu de ti porque me perdeste, porque nem fiel a ti próprio sabes ser, porque já não sabes distinguir o certo do errado ou até identificar as linhas mais ténues de uma relação, seja ela de que género for.
Não me vou repetir pois tudo o que penso, toda a ajuda que te poderia ceder, sempre por respeito e consideração, nunca por mereceres, já noutras cartas te confessei, embora nunca tas tenha entregue. Permite-me só sugerir-te um ‘conselho’, prometer-te-ia ser o último mas como de ti já espero tudo, da próxima vez que as tuas atitudes me surpreendam, decerto que me vai apetecer opiná-las. – Só porque te sentes bem não significa que estejas a agir correctamente e eu não via mal nenhum em quebrar normas e barreiras para se ser feliz, sabes bem que, se necessário, desprezo tudo e todos mas só se essa felicidade não for momentânea, senão, de que valeria a pena? Acontece que nada do que tu fazes faz sentido, estás a ser tudo menos coerente e não foram só normas e barreiras mas também certezas que por ti foram quebradas. Eu percebia-te se não me tivesses feito garantias com o teu suposto lado politicamente correcto e se ainda acreditasse que, faças o que fizeres, quererei estar sempre do teu lado.
Porém, como sabes, o que nós tivemos foi bonito por ter sido simples mas o tempo devora as coisas simples e ensina-nos a perceber que os terrenos, nos quais nos aventuramos a investir erguendo castelos de areia, por vezes não são suficientemente sólidos para suportar o peso destes, não são firmes vacilando mais do que o permitido para que consigamos assentar as nossas estruturas. É um pouco como aquela filosofia reggae que diz que às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas e que, quando o tempo passa, descobrimos que grandes mesmo eram, apenas e somente, os sonhos e as pessoas pequenas demais para os tornar realidade. Mas enfim, nem sei porque ainda te escrevo em surdina, afinal de contas faz tempo que já te guardei onde pertences, já estabeleci as distâncias entre nós (...), agora é a tua vez de construíres o teu próprio castelo.




[11.43pm]

10 comentários:

Inês Sousa disse...

texto perfeitinho!

disse...

que arrepio :x

como eu gosto da menina-mulher que tu és. prontamente decidida enquanto o terreno oscila debaixo dos teus pés.

Mara disse...

«Como é que é suposto eu reagir quando me fazes uma festa na cabeça? Temos um assunto pendente, não te esqueças que, antes de me poderes tocar, tens de me reconquistar a confiança e, acima de tudo, reconhecer os teus erros.»

Assino por baixo!És a maior do mundo :)

P.S. Diz-me pf o nome da primeira música do teu blog. Ando há anos para descubrir...

Margarida disse...

era mesmo isso que queria passar :)

Anónimo disse...

tu és uma força da natureza.

C disse...

um dia também eu vou ser capaz de o guardar onde ele pertence e de «estabelecer distâncias entre nós» !

está lindo. adoro ler-te. a sério :)

Diogo Silva disse...

Lindissimo mesmo sempre tiveste este geitinho de escrever desde que leio os teus textos é caricato que me faz pensar naslgumas coisas sempre =D

Jessica disse...

« Não preciso que sintas pena, pena tenho eu de ti porque me perdeste, porque nem fiel a ti próprio sabes ser, porque já não sabes distinguir o certo do errado ou até identificar as linhas mais ténues de uma relação, seja ela de que género for. » Assino por baixo :)

Palavras para quê? Identifiquei-me, particularmente, com este texto. Acho que o percebi... muito bem aliás.

Elogios? Seriam sempre poucos. No entanto, volto a referir: escreves muitíssimo bem, e adoro ler-te :)

Um beijinho * (e... muita força. SEMPRE!)

A Coração disse...

Perfeito.

Anónimo disse...

Ui, já não te vinha ler há séculos! Sou uma cabeça na Lua, ou no Sol, Nuvéns... ok sei lá por onde é que ela anda! Não ligues. De qualquer maneira, li muitos textos de uma vez só e assim já não me sabe tão a pouco, como quando leio algumas poucas palavras tuas. :/ Apetece-me sempre mais e desta vez até parece que comi o chocolate todo.
Bem, tu já sabes porque decidi comentar aqui... Adorei este texto e para ser mesmo mesmo perfeito só faltou um palavrão, mas é a minha perfeiçao e não a tua! :p E eu gosto de ti assim: "mandas foder com educação".

Os gajos nunca vão mudar. É a verdade mais irrefutável no Mundo. E se falam que as mulheres são demasiado sonhadoras, então não sei o que eles são: inocentes? bestas? ou esquizofrénicos?
São demasiado estúpidos para perceber que algumas coisas são impossíveis, como por exemplo, ter a nossa atenção e afecto quando mais nos magoam; aliás eu não sei quem inventou a amizade depois do amor, concerteza que foi um gajo, porque nenhuma mulher no seu perfeito juízo considera isso concebível.
Neste caso já não há muito a dizer-te Qelzinha, nem é preciso. As coisas são mesmo assim e temos de aprender a lidar com elas, muitas das vezes em silêncio; e crescer como tu cresceste e guardar uma parte do nosso coração tao grande para o ódio, porque, ao contrário de que Jesus pensa, ele é muito preciso, mas também quem é que se importa com a opinião de alguém que nem temos a certeza se existiu?
Bem já estou a divagar... acordei há, pouco da-me um desconto.

Desejo que comas uma grande chocolate com avelãs e caramelo, daqueles enorme tipo Milka, que custam 3€59 (bué caros, mas muito deliciosos), quando ele quiser construir um grande castelo com muralhas e o caralho em cima de alguem anão, e depois ele se estatelar todo no chão... Muahhaahaha vingança com direito a sobremesa! :)

Beijinho e bom ano novo.