04/11/2009

~ (para) ninguém

"Ninguém é de ninguém mesmo quando se ama alguém. Ninguém é de ninguém quando a vida nos contém. Ninguém é de ninguém quando dormes a meu lado (...)".

Hoje acordei sem ti. Sem ti ao meu lado, como já há algum tempo tenho vindo a acordar, mas principalmente sem ti na cabeça. Não foste o primeiro pensamento do dia mal os meus pés tocaram o chão e o meu coração já não se sente pequenino e apertado. Já não és o meu sacrifício diário, a cruz que carrego ao peito. Já não me causas dores de cabeça, já não ando constantemente de mau humor à tua custa, felizmente deixaste de ser o motivo. Já não me preenches os temas de café com fumo, já não és a novidade da semana – tanto que o meu dia predilecto deixou de ser o único que ainda agora me obriga a estar contigo, agora já não passo dois dias na ânsia de te ver. Pois é, não se esquece tão facilmente, é pena, mas ultrapassa-se tudo rapidamente se a força de vontade estiver do nosso lado (e ainda bem que me deste esta de sobra e lhe cedeste o lugar). E, quando o querer se transforma em poder e este passa a ser um imperativo, sentimo-nos os donos do mundo e dessa sensação eu não abdicaria por nada neste instante.
Já passei por situações piores, sabes bem, e consegui chegar até aqui portanto o que são (des)amores comparados com as verdadeiras merdas que existem? Nada de mais para que eu me deixe abater. Por isso, defini prioridades e tracei caminhos em jeito de rascunho, só um esboço daquilo que ainda poderá vir porque contigo, meu querido, eu aprendi que de nada vale prendermo-nos ao que realmente não nos pertence porque ninguém é de ninguém e eu até que me estou a habituar bem a ser de ninguém e muito minha.
Graças a ti adoptei uma nova filosofia de vida e em nada se relaciona com o receio de me apaixonar once again. Consiste numa espécie de aviso, esta minha nova perspectiva, para me alertar de que posso e devo ser feliz dando mais proveito à minha nova liberdade sem que nunca me entregue totalmente, sem que me dê de coração. Por outras palavras, és a lição que eu reti de que pode ser possível separar a ligação corpo – coração e razão – sentimento, ao contrário do que o Pessoa imortalizou nos seus escritos. E eu até posso (não) ser ninguém ao lado de grandes nomes como este mas, tal como eu te disse, ninguém é de ninguém senão de si próprio.
Agradeço-te todas as palavras amarguradas, guarda-las-ei nas profundezas do meu coração adocicado ainda que não mais as vá saborear, sabes porquê? Porque deixaste-me escapar por entre os teus dedos lambuzados de açúcar quando me tinhas na palma da tua mão na ilusão de quereres pela metade aquilo que tinhas em doses industriais com o pacote completo; porque o destino é a ponte que se constrói para a pessoa que se ama e eu estou a reparar a minha ponte com todos os desvios a que tenho direito e, se o destino, ainda que ninguém pertença a ninguém, não te trouxe até mim, é porque provavelmente existe algo melhor.


minha M.: «Miúda, ando cansada de te ver sofrer».

[01.22pm]

17 comentários:

Anónimo disse...

es um orgulho menina-mulher bonita! gosto muito de ti, mas mais ainda quando reparo o quanto crescida estas!

Margarida disse...

até a mim me deste uma nov perspectiva, obrigada, do fundo do coração, por escreveres assim :)

Débora disse...

que texto, senti-o raquel. *

Ana disse...

Este soube-me a chocolate negro. Doce, de travo amargo, como quem aprende realmente uma lição com um sorriso nos lábios e acredita q o q ai vem será melhor. E eu lambuzei-me com este texto, Qel. Mesmo! :)

Suspiro do Norte disse...

Um beijinho grande de quem te le sempre, de alma cheia..

xi grande

Mara disse...

A tua força inspira-me*

Ando a tentar Quel, juro que ando a tentar que ele não seja o meu primeiro pensamento logo pela manhã.
Ainda não o consegui fazer mas, como tu dizes :

« se o destino, ainda que ninguém pertença a ninguém, não te trouxe até mim, é porque provavelmente existe algo melhor.»

e isso dá-me esperança*

Anónimo disse...

Sou assim, também. Às vezes.

Pedro Miguel disse...

:'$

Débora disse...

Fazes-me um pequenino favor? :$
Dizes-me qual é a primeira música? É que adoro-a. :/

N R disse...

Acho que mesmo tu não acreditas a sério neste frase: "sem que nunca me entregue totalmente, sem que me dê de coração." Acho que fazes bem em ter essa perspectiva agora, mas não te deixes fechar se, alguma vez, encontrares alguém que se dê a ti por inteiro, mas, e isso sabes bem, apenas nesse caso.
Aproveita o bom momento porque passas. :)

C disse...

Este teu texto deu-me força. obrigada por isso :) *

Inês Sousa disse...

obrigada :')

Débora disse...

OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA. :D

Débora disse...

e não é que sou mesmo pequena? xD

Mariana Neves disse...

o que são (des)amores comparados com as verdadeiras merdas que existem?

oh raquel tens tanta razão. só quem passou mesmo por problemas fortes é que compreende que não há rapazes, amizades e etc que consigam compreender a verdadeira perda eterna. aliás, só a morte pode dizer adeus. nós não, nunca saberemos.

Marta Monteiro disse...

Que força tens tu e as tuas palavras! É bom conseguirmos pensar assim, porque, afinal de contas, nascemos individuais e parece que é individuais que ficamos para sempre em alguns aspectos.

Vera disse...

é sempre bom ver pessoas fortes como tu, com coragem de tomar uma decisão de amor próprio e não se dedicar a mais nada, presentemente. orgulho-me imenso por poder estar a assistir a isso, e te ver voltar a subir ao lugar enorme a que sempre pertenceste minha querida!
um beijinho enorme :)