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20/01/2015

"eternal sunshine of the spotless mind"

«We met at the wrong time. That’s what I keep telling myself anyway. Maybe one day years from now, we’ll meet in a coffee shop in a far away city somewhere and we could give it another shot. So until then, I’ll just have to continue feeling this way everyday. Sad».

21/11/2014

~ quantos regressos trazes?

«Quantos regressos tem uma despedida?»

Quantas voltas me arranjaste na montanha-russa que é o teu coração? Quantos regressos trazes contigo em cada despedida que, não o sendo, é menos do que uma visita?
Parece que te divertem, estes desencontros; que tentas ficar sem que nunca o chegues realmente a fazer porque, no instante seguinte, arrependes-te de comprar um bilhete só de vinda (e eu cá fico a ver-te partir).
Tanta indecisão não pode resultar em nada de bom – o quê, ao certo, eu não sei. Tantos recuos só podem significar que o teu caminho não passa por esta estação que é a minha. Continua a tua viagem.
Um dia escrever-te-ei um postal.

[05.08pm]

15/08/2014

~ ficaste-me (enquanto o resto do mundo dormia)

"(...) isto não é uma declaração
mas tu e eu é tipo sina na palma da minha mão.
Tipo que fica na retina independente da visão,
aquele clima que alucina e a que nunca dizes não".

Às vezes penso que já não posso pensar no que penso; que já devia ter juízo; que já lá vai o tempo em que podia pegar na caneta e escrever tudo aquilo que me desse na real gana sobre ti e os nossos (não-)sentimentos. Mas depois vêm-me outras ideias à cabeça. Contigo é sempre assim, uma roda viva de pensamentos e sentimentos que se atropelam uns aos outros como avalanches nos Alpes.
"Se eu não cometer uma loucura agora, se não disser e fizer tudo o que quero, quando é que o vou poder fazer?". O tempo de te dizer que ficamos por nos resolver nunca vai esticar, mesmo sendo proporcional às desculpas que vão escasseando ao longo dos meus aniversários. O momento de te dizer que quero concluir a nossa viagem àquela (que promete ser uma) incrível Jamaica não tem um timing certo para ser criado, bem como a epifania que me invade e sussurra para te pedir que voltes aos teus velhos e, porém, sempre irritantes hábitos, em que me roubavas as noites e assaltavas o sono, não tem um instante certo para (re)aparecer.
Lembras-te quando tinhas essa mania e passávamos um bom bocado à porta de casa, juntos, com conversas supérfulas e outras profundas com fumo e música de fundo à mistura, enquanto o resto do mundo dormia? E eu que a reprovava incessantemente... O karma é, realmente, 'uma cabra'.
Por isso, ao longo de todos estes anos, ainda que os nossos caminhos se encontrem e que, no entanto, optemos por direcções opostas, lutando sempre por desviar olhares que insistem em se cruzar, continuo a ter-te presente na minha escrita, mesmo não sabendo se me lês ainda. Estar contigo ficou por checkar na minha bucketlist: tu ficaste por cortar; ficaste-me preso, qual pequena carraça casmurra que teima em não soltar e que vai incomodando, de vez em quando. Em suma, ficaste-me.

[01.53am]

22/11/2013

~ como velas ao vento

«A fila anda sempre. O tempo para trás e o passado é um lugar estranho porque já ninguém lá mora. Quando nos batem à porta não perguntamos quem foi, perguntamos quem é».

Tu e eu somos cão e gato. Desde miúdos que brincamos juntos ao toca e foge. E o pior é que gostamos. Tu e eu somos uma história sem final; nunca vamos sair disto. Tu e eu nunca vamos crescer ou conseguir acertar no timing. Ou porque temos medo de arriscar demasiado ou porque nos consumimos um ao outro até à exaustão e sabemos que mais não iria dar ou porque... Vai haver sempre uma razão.
E ainda em cidades diferentes e depois de terceiras pessoas, continuamos a esbarrar um com o outro nos mesmos sítios. Acabas sempre por tropeçar nos meus caminhos. Mas o teu tentar não chega e a minha esperança não confia. O teu orgulho não mingua, o meu temperamento não quebra. Somos velas ao vento a arder qualquer coisa parecida com sentimentos; somos o último fio da corda esticado sob a lâmina da navalha. E a questão é a velha pergunta de sempre: quanto tempo iremos aguentar no limbo?


[03.36am]

29/04/2013

"artista de circo"

«A vida é um eterno regresso a casa (...) também o amor (...) vai e vem muitas vezes no mesmo olhar e nunca morre, mesmo quando o tempo passa e nos traz outras vidas».

Margarida Rebelo Pinto.

25/09/2012

~ efémeros

"Já foste minha nesse sonho que acabou,
já foste a luz que agora o tempo apagou".

Essa coisa de fazeres o que queres e bem te apetece tem que acabar.
Sempre disseste que nunca irias acabar por desaparecer por completo mas também acreditei que, com o tempo, crescesses e ganhasses bom senso. Enganei-me. Continuas a não pensar e a agir só de acordo com a tua vontade. Não queres saber das outras pessoas, para ti só tu contas.
Foi a primeira e última vez que te atendi de madrugada, a meio da noite. Não podes interromper assim a vida das pessoas fora de horas só porque sim.
Nós os dois já tivemos o nosso tempo e nem assim o soubemos aproveitar. Fomos efémeros.
Agora já é tarde para vires, literalmente, bater à minha porta. Faz-me um favor e deixa-me continuar a ser feliz, não me interrompas mais o son(h)o. Agora são 03h31. Agora, meu amigo, já vens tarde.

[04.14pm]

07/09/2010

~ Jamaica

Foram precisos quatro anos para me levares à Jamaica. Penso que, no fundo, ambos sabíamos que não íamos morrer sem deixar de o fazer, era o nosso assunto pendente; o nosso caso por resolver; o nosso ficheiro oculto como tu disseste. Agora é o nosso segredo: uma tarde na Jamaica que, afinal de contas, tem tantas paredes quantos os anos que passaram para me levares lá.

[11.04pm]

11/08/2010

~ leite com chocolate

"There's a fine line between love and hate and I don't mind just let me say that I like that, I like that".

Gosto de estar contigo quando estás assim, sereno, simpático e sorridente. Já me tinha esquecido de como nos conseguimos entender bem quando queremos. Reparei que já tinha saudades de estar à vontade contigo, sem pensar demais ou a ser maltratada porque a linha entre o amor e o ódio é muito ténue e tu preferias sempre o segundo em vez de lutar pelo primeiro.
Dei por mim a sentir falta dessa tua calma, que há muito havia dado como extinta em ti, sem respostas ofensivas na ponta da língua prontas a ser disparadas na minha direcção, sem agressividade nos teus mais pequenos gestos. Já me tinha esquecido de como és capaz de me fazer rir e, mais grave ainda, já não me lembrava de como conseguimos rir juntos das mesmas coisas, até do som das tuas gargalhas eu já me tinha esquecido. Eu já não sabia o teu sorriso de cor, N. Já não sabia de como és capaz de proferir elogios, de como consegues não ser mal-encarado e até de como ainda me sabes valorizar.
Ficas mais bonito assim, sabias? A simplicidade cai-te melhor quando não és mais nada senão tu próprio, quando és espontâneo e quando as coisas te saem naturalmente. Emanas boas energias quando te mostras prestável em vez de seres rabugento, quando deixas o excesso de orgulho fora da porta e quando o teu nariz assume uma postura mais redonda do que empinada. Transmites-me segurança quando me fazes ver que é possível haver cedências desse lado, quando és sincero comigo e quando estás assim, pura e simplesmente feliz.
Já não me lembrava da excelente companhia que podes ser e isso é triste porque eu aprecio mesmo a confiança que temos, a suficiente para te ter levado a insistir num café comigo, a mesma que até temos vindo a manter ao longo de todos estes anos, ao fim de tantos obstáculos e barreiras que no nosso caminho se tentaram impor.
Nós vamos sempre ser leite com chocolate, não vamos? Independentes mas muito mais saborosos quando misturados. Eu gosto de acreditar que sim... É por isso que terás sempre o teu lugar reservado aqui, dentro da minha caneca. No final da vida eu saberei que sempre estiveste lá, bem no teu canto para apareceres nos momentos de maior dor ou felicidade ou até nos mais (ou menos?) banais, que acontecem quando vens ter comigo. Confesso que me surpreendeu, esta tarde.
Obrigada por ires aparecendo, por te ires mostrando disponível. Obrigada pela tua presença na minha vida, por me incluíres nos teus planos e pelo genuíno interesse. Obrigada também por me avivares a memória, por nunca te teres cansado de me provar aquilo que eu já sabia, que és só das poucas pessoas que verdadeiramente me conhecem até ao açucarado fundo da minha caneca.
Faz-me bem ver-te de bem com a vida, sem ressentimentos entalados aí dentro, sem mágoas guardadas à espera de saírem cá para fora. Fazes-me feliz quando me escolhes a mim para partilhares a tua própria felicidade. Nunca deixes de o fazer, afinal de contas, serás sempre o leite do meu chocolate.

[01.24am]

28/09/2009

~ assim-assim

«Há um tempo de actividade e um tempo de passividade. Um tempo para fazer as coisas acontecer e um tempo para aceitar aquilo que nos acontece. Um tempo em que percebemos tudo e um tempo em que não entendemos nada».

Não me podes continuar a fazer isto. Não me podes pedir para mexer nas memórias a preto e branco, em todas as cartas de amor que nunca te cheguei a entregar, em todos os sonhos que não te contei. Não tens esse direito. Um dia prometi entregar-te, numa caixinha, todas as nossas recordações e tudo aquilo que me lembra de ti. Não o fiz porque, na verdade, ainda vou escrevendo umas linhas sobre aquilo que nunca chegamos a ser, ou que fomos sendo ao longo do tempo, se preferires. No fundo, sempre soube que haveria incessantemente mais uma carta por escrever, tal como sempre houve algo por resolver contigo.
Não sei ao certo quando é que começamos com esta roda-viva que é a maneira como nos tratamos, sempre inconstante e de extremos. Não me atrevo a chamar-lhe de relação, nunca arrisquei dizer que tivesse uma dessas contigo mas a ligação, ainda que feita de fio de néon, mais frágil do que o meu coração quando o destroçavas, chegou a existir, ou não tivéssemos nós guardado todos os pequenos instantes e permanecido não muito longe um do outro. Nem muito de perto, nem demasiado afastados. Tu e eu somos assim-assim.
E só de pensar que nunca te cheguei a provar os lábios… Nunca fomos amantes mas tivemos as nossas músicas. Às vezes não nos apetecia assumir mas chegamos a confirmar que, do amor ao ódio há realmente uma linha muito ténue, tal como a nossa ligação, e sempre fomos teimosos demais para admitir que até gostávamos disso, da pimenta em cima do mísero fio feito da teia que insistíamos em manter inteira e por terminar, ou que até nem nos importávamos. – Peço-te, lê-me nas entrelinhas, já tiveste a prática em tempos.
Sempre nos deu um gozo bestial brincar com o fogo, a ti e a mim. O perigo fascina-nos. Sabes, eu já te tive como um amor correspondido e incorrespondido também, já te tive durante cinco segundos e por vezes tenho a sensação de que sempre te terei, de uma maneira ou de outra, ao longo da vida. Já te tive como uma paixoneta, essa coisa feita do amor louco e adolescente, já te tive como melhor amigo e já te julguei, imagina, o amor da minha vida. Nunca me foste indiferente e, confesso, nem sequer eu quero que o sejas. Aliás, jamais vais pertencer às pessoas por quem eu não lute até ao fim do mundo, por quem eu não mova montanhas, por quem eu não prometa mundos e fundos, a quem eu não ofereço respeito, àquelas pessoas pelas quais eu não meto as mãos no fogo (ainda que o perigo me fascine) com a certeza de não me sair queimada. Jamais te darei como garantido, meu querido, não me julgues mal. Por acaso és a pessoa mais complexa que eu conheço ou se calhar sou eu que apenas não te sei ler na tua simplicidade. De qualquer forma, eu sempre me importei em saber de ti, sempre te quererei ter debaixo de olho, nem que seja para, pelo menos, te observar apenas do canto, o que, compreende(-me), ainda difere bastante de te querer na minha mira ou no fundo do meu bolso. Apesar de tudo, o teu bem-estar, o teu conforto e a tua felicidade serão sempre do meu interesse. Não lhes chamo de prioridades porque tu facilmente me apanhavas se mentisse. E o passado não deixa de ser o teu lugar na minha vida. Não o estou a escrever para me convencer a mim mesma com palavras nem tão-pouco para te desafiar, pelo perigo também te fascinar a ti. É só porque guardo um enorme carinho por ti que não me cabe cá dentro. Tu conheces-me, ou pelo menos costumavas e, se não perguntasses por mim às pessoas erradas provavelmente hoje ainda me saberias reconhecer nas minhas atitudes. Se me tivesses em boa conta, não deixavas a consideração que habitualmente tinhas por mim à mercê de terceiros que pouco ou nada sabem da minha vida, que nunca chegaram perto de me conhecer tão bem quanto tu chegaste a conhecer – e eu gosto de acreditar que ainda conheces. Chama-me inocente, recorda-me como uma ingénua mas deixa-me ao menos pensar que ainda me conheces o suficiente para saberes onde paro todos os sábados à noite, o quão gosto de chocolate ou em que medida é que me rego pelos meus princípios e os chego a concretizar. Lembra-te de mim como achas mesmo que eu sou, por respeito a todas as homenagens que te dediquei outrora e àquilo que em tempos quase chegamos a ser. Lembra-te de mim por ti, por mérito próprio e pelo teu coração porque a tua cabeça, essa, já está feita e tem como base juízos de valor mal calculados e deduções traiçoeiras. As palavras que te disseram são fictícias e vêm de discursos envenenados, aposto! E tu sabes, ou costumavas saber, que as apostas são o meu forte, tal como eu pensava que a tua personalidade também era. Mas não. Para meu grande desgosto, a tua personalidade não é das fortes, antes pelo contrário, pertence ao grupo das influenciáveis. E pensar que me protegerias sempre, que me defenderias não só das situações da vida, ou do final dela, como das pessoas más também, daquelas que só me querem ver pelas costas mas que ainda me observam todos os dias, que vão espreitando de quando em vez à espera do dia da minha desgraça. Tenho pena e sinto mágoa também.
No final de tudo ainda és capaz de, quer de uma maneira quer de outra, fazer doer. Só gostava que te lembrasses de mim como eu realmente sou; que nunca te esquecesses de mim como eu sempre fui. Só gostava que entendesses que, quanto mais te fores aproximando trazendo-me um pouco de nós, mais cartas eu escreverei sobre ti.

[02.34pm]

27/07/2009

~ o meu Titanic

"I'll never let go. I'll never let go, Jack".

Tenho tentado não escrever sobre ti, mas como de tão bem me conheceres já deves conseguir adivinhar, ainda continuo a cair na tentação de preencher folhas brancas com resquícios daquilo que o meu pensamento repela. Ou tenta.

Tu bem sabes que, connosco, certezas foram convicções que nunca houveram, que a nossa história foi escrita com um lápis de carvão comum, daqueles enumerados que se vão desgastando na folha com o tempo; daqueles cujos escritos, com uma borracha, apagamos facilmente.
Hoje lembrei-me uma vez mais que, de tantos anos de convivência contigo, tenho apenas uma foto em que estamos juntos, o flash apanhou-nos desprevenidos, a nós e às nossas gargalhadas estridentes e distraídas. De nós sobrou-me – ou melhor, restou-me porque de ti nunca há sobras, de ti eu aproveito tudo – uma fotografia desfocada, desactualizada pelo tempo. Deve ser por isso que és o meu DiCaprio, deve ser por isso que te associo ao Jack, a única coisa que ainda guardo de ti é o teu (quase) amor e uma fotografia. Mas enquanto ele prevalece vivo somente no coração e na memória da Rose, eu prefiro manter-te bem quieto, numa folha de papel estável e constante, ao contrário de nós, a sorrir ao meu lado. Assim também tu, de certo modo, estás morto a par da nossa história que se afundou qual Titanic, ficando as nossas recordações submergidas algures num vasto oceano de memórias. Se algum dia as encontrarão não sei, mas duvido que alguém se dê ao trabalho de as procurar, já são tão antiquadas... Realmente acompanhar o tempo foi algo que nunca soubemos fazer muito bem, não foi?
Guardo também a rosa que um dia eu recusei mas que tu, insistindo, fizeste questão de me dar. Descansa que atirá-la borda fora, tal como a Rose fez com a prenda dela, é coisa que eu seria incapaz de fazer (e uma vez mais, tu sabes disso). E, enquanto que ela adoptou o apelido do seu Jack, eu prefiro continuar a ter Cascarejo no nome mas eu também sei que não te importas.
Contudo, para trás, igualmente no fundo do mar, fica a promessa silenciada pelas nossas bocas e selada por sentimentos de que vou ser feliz – aliás, já estou a ser – e ter muitos filhos com alguém que ame. Se foste o amor da minha vida ainda não te sei responder, sinceramente acho que nunca saberei ao certo, nunca entendi muito bem esta nossa história mesmo antes de termos embatido contra o iceberg, não que isso seja mau, torna-a única e só nossa, afinal de contas sempre soubemos lidar com ela – ou não tivéssemos sido nós, para além de protagonistas, os autores – mas que tiveste a força semelhante a um desses tais amores que, segundo ouvi dizer, só se tem uma vez na vida, disso podes estar certo. E eu sei que estás, para ti nunca foram precisas grandes explicações.
Espero que estejas bem, como o habitual, e que nunca deixes de me guiar como sempre fizeste até agora, embora tu ainda estejas à espera do barco salva-vidas e eu já tenha sido recolhida por um. Espero que apanhes um desses também, N, tal como eu fiz.


[09.05pm]

07/06/2009

~ um não-sei-quê permanente

"É um não querer dizer e estar dizendo, é (...) um não sei quê que não entendo".

Hoje és tu a razão por que escrevo. És tu que voltas encavalitado nas linhas e que me preenches as folhas repletas de sonhos e cheias de doces memórias com cheiro a baunilha envolta em lavanda e recordações de fundo de gaveta.
Há juras que são feitas para ser quebradas e a promessa de que nunca mais te incluiria nos meus devaneios pessoais é uma delas porque, apesar de todas as nossas incompatibilidades nos terem condicionado a partir do momento em que ultrapassamos as barreiras do silêncio individual dos sentimentos, eu aprendi a ver que, tal como o amor não é temporário, tu és permanente no sentido mais simples do termo.
Agora eu tenho a certeza que os anos que tentaram intensificar o nosso abismo não o conseguiram fazer e que, por mais pessoas que possam aparecer nas nossas vidas e por mais encruzilhadas que se atravessem nos nossos caminhos, eles cruzar-se-ão sempre num ponto, seja ele qual for, porque os nossos destinos foram escritos em simultâneo e premeditados para se reencontrarem as vezes que forem necessárias durante a nossa existência. – Tu estarás sempre comigo.
As palavras serão repensadas, os gestos hesitantes continuarão a fazer parte das nossas vivências assim como os olhares serão tímidos e contidos, como sempre foram desde que nos deixámos levar pelo descontrolo das sensações de um qualquer não-sei-quê que nunca entendemos muito bem mas com o qual sempre soubemos lidar, talvez por sabermos tratar-se de algo muito nosso.
Porém, eu sei que permanecerás sempre, que perdurarás ao longo do tempo, ainda que de vez em quando nos ausentemos dos trilhos um do outro, porque só assim é que conseguimos seguir em frente e avançar à nossa maneira, pois por mais contraditório que possa parecer, só assim é que eu e tu funcionamos. E porque és tu quem me lança sempre as cordas da minha salvação no derradeiro momento dos meus afogamentos, por maior que seja a distância a que te encontres de mim e ainda porque, à medida que o tempo passa, me tens vindo a dar a conhecer essa mesma importância.
No fundo, sei que te preocupas comigo e que não o dizes directamente pelo facto de saberes que o consegues demonstrar e que eu bem o sei interpretar e reconhecer. E, tal como tu és confiante e sabes que não é necessário evidenciar o óbvio, também eu não preciso de confirmar se sinto esse carinho especial que aparentas guardar por mim, ou não fosse muito nosso este não-sei-quê que é dito sem ser falado, visto sem ser assumido e sentido sem que seja afirmado.
Para mim és e sempre serás tu, e como não faria sentido deixar-te incógnito como se fosses uma fantasia anónima cuja identidade tivesse sido ocultada por mim, eu acrescento ao fundo da nossa gaveta que, para mim, és e sempre serás tu a ocupar um lugar privilegiado em mim, NM. E ambos sabemos o motivo de eu não ser "Aquela" para ti e vice-versa – porque simplesmente não dá – mas, contudo, nem eu serei "a outra" nem tu jamais serás "o outro".
Para mim, és e serás sempre tu. E isso basta.

[02.08am]

15/09/2008

~ (sou) o teu fantasma

«Se pensas que penso em ti
não penses, que pensas mal

eu nunca pensei em ti

nem penso pensar em tal»
.

Todos os dias tens rotinas. Pensas que controlas o teu próprio destino, que consegues contornar cada linha da palma da tua mão fazendo-a passar por falsa e mentirosa com os traços contrários à tua suposta vida. Na realidade podes ser bastante imprevisível, podes também ser camaleão todos os dias e fazer coisas diferentes em dias igualmente distintos mas a verdade é que todas as noites repetes os mesmos movimentos já automáticos e mecanizados que (aparentemente) ‘comandas’ inconscientemente.
Não passas um dia sem ficares uma boa meia hora (por exemplo) na varanda do teu quarto a ouvir música, a pensar, ou simplesmente a limitares-te a ver os carros que se vão arrastando ao longo da rua e a observar os transeuntes que desfilam pelo passeio fora distraídos com sacos das compras, demasiado fechados para si próprios, absorvidos pelas suas simples e insignificantes vidas. Não há uma hora em que estejas em casa e não vás à cozinha espreitar o frigorífico para escolher o que mais te agrada lá para saberes “o que vai ser desta vez”. Todas as semanas, todos os dias úteis, todas as manhãs, preparas a mochila à mesma hora (apenas com uns míseros instantes de diferença). Todas as noites, mal acabas de jantar, arrumas os talheres exactamente da mesma maneira trapalhona para o lado e rodas numa meia-lua o prato para dentro deixando-o na direcção do copo de água meio vazio, meio cheio.
Encaixa isso na tua cabeça. Os teus “fantasmas” que insistem em seguir-te a todo o segundo para todo o lado, esses seres que dormem dentro da tua mente e que te despertam do sono a cada madrugada, já fazem parte de ti. Por muito que tentes ignorar ou até disfarçar, tal como eu, sabes bem que já estás habituado a ‘eles’ e que nunca serias tu sem que ‘eles’ te “atormentassem”. Pára de te iludires com a plástica sensação de que moldas a tua maneira de ser (no mundo) adaptando-a – da forma que te parecer dar mais jeito – a cada situação. Não insistas em fingir que estás constantemente numa montanha-russa quando na realidade vives num carrossel e, lá no teu íntimo, sabes que tenho razão.
Oh vá lá, admite que tens a perfeita noção de que não são vários fantasmas, sabes bem que é um só fantasma; que é O fantasma e que esse teu segredo é uma antiga memória minha.

[03.56pm]

28/06/2008

~ recordações são memórias

É complicado continuar quando tudo desaba uma vez mais, quando desenterro caixinhas ingenuamente. E agora, quando olho para trás, com um olhar de gente grande, um olhar um pouco mais maduro, reparo nas voltas que a vida dá. A vida, essa que é capaz de girar em tantos e tantos sentidos, em todas as diferentes direcções que possam haver. Vejo no quão diferentes as coisas se tornaram. Tudo o que fomos está longe, muito para lá do visível e não volta. Fomos tanto, demo-nos de uma maneira tão incrivelmente fantástica!
Mesmo nada tendo a ver um com o outro, superamos sempre tudo: as mágoas que sempre nos faziam hesitar, as pessoas, os sentimentos confusos, os desabafos ditos a medo, as muitas divergências… enfrentamos bichos de sete – oito! – cabeças mas sempre lutamos, sempre acreditamos um no outro; que era possível, que atingiríamos a felicidade em pleno. Mas porquê? Ainda hoje me pergunto… porquê, porquê em alturas tão distintas? A vida pregou-nos uma partida, porque não rirmo-nos dela e apontar-lhe o dedo em vez de ficarmos sentados e esperarmos que ela gire uma vez mais rumo a outra maré (que não a nossa)? Preguiça? Não sei, possivelmente.

O que eu sentia por ti… a admiração que tinha em ti, a confiança que despertavas em mim… era tudo tão assustadoramente grande, enormizado, gigante… eras o meu mundo, a sério que eras. Por ti? Naquela altura eu era capaz de tudo. As palavrinhas fortes dirigidas a ti foram as mais sinceras, o sentimento que nutria era o mais encrostado possível ao coração. Resíduos de crosta? Não sei se resta algum agora, um ano depois, sinceramente não sei. Um ano. E tudo tão longínquo, tão inabalavelmente inatingível…
As caixinhas todas tão meticulosamente enterradas e parte de mim persististe em remexer lá no fundo, em abrir feridas fazendo-me sangrar um pouco mais só para matar a sede de ti. Sim, é verdade, às vezes penso em como necessito de ti, ainda. Não quero gostar de ti, mesmo. O que eu mais queria era ter a capacidade de o conseguir realizar, juro-te.
Felicidade ilusória. Tudo se resume a isso. Tu e eu? Nem em contos-de-fadas. Eu e tu? Meras expectativas surreais, inéditas de serem vistas. Assumi os meus sentimentos mas nunca tive a coragem suficiente, nunca tive a tua coragem para avançar. Foi isso, talvez eu tenha falhado; foi esse o ponto que nos fez fracassar (não foi?).
Lembravas-me tantas e tantas coisas… Estavas em cada letra de música calma, via-te reflectido em forma de coração em cada rabisco dos meus livros das minhas disciplinas mais aborrecidas, eras a palavra sentida disfarçada no meio dos meus versos, estavas presente em cada filme romântico, cada kit-kat que via eras tu nele, aparecias em cada ‘U’ das minhas tabletes de chocolate. Matriculas com aquelas primeiras consoantes do nome que eu te chamava? Eras tu no meu pensamento. Eras sempre tu. Em todas as ocasiões, em todos os lugares (…) foste sempre tu em tudo. Na boca de fosse quem fosse – a dizer coisas fora do contexto, a “insultar-me” em forma de diminutivo (…) – eras tu.
Não sentes falta disso? Tenho saudades de estar a milímetros de ti a olhar bem fundo para os teus olhos e decifrar-te o que te enche a alma. Gostava tanto de poder olhar-te agora! De descrever-te de que é feito esse azul tão intimamente penetrante, ora cor de céu citadino à chuva, ora céu límpido e brilhante duma tarde de Verão contrariado por escassas estrelas adormecidas e ocultas, só visíveis de noite, que se apoderam dos teus olhos em formato de minúsculos salpicos amarelos, miúdos raiozinhos quase imperceptíveis que surgem dum pequeno sol negro, rigorosamente no centro. Reparo agora que nunca tive oportunidade de te fazer saber que costumava ler os teus olhos e, assim, penetrar-te a alma… ou se calhar tive hipótese mas simplesmente nunca o fiz. Como eu tenho pena em não te ter dito que era nessas alturas que eu confirmava ser realmente, em todos os aspectos, a menina dos teus olhos! Que em cada uma dessas cores me via a mim própria, somente mais um reflexo de mim em ti, no meio de tantos outros. Este, se formos a ver, é o único que ainda se mantém, aquele do qual não te podes dar ao luxo de esquecer se eu lá estiver, com o meu nariz quase a roçar no teu, atravessando essa casca que te envolve revestida por teimosia e estupidamente carregada de orgulho. Não lamento, apenas tenho pena.
Se tivesse tido coragem… Se… (…) Os ‘se’ existem e fazem tão parte do nosso passado! Tivemos um passado sim, que ninguém duvide disso: da sinceridade patente em cada “amo-te”, de cada “bom-dia”, cada toque ao de leve na mão, cada gesto, cada lágrima preenchendo cada momento de melancolia, cada consolo, cada descrição de determinada particularidade que constitui cada um de nós, cada recanto secretamente revelado em certos sítios só nossos… que ninguém duvide de como tão bem me sabias de cor e de como tão facilmente eu aprendi cada lugar que fazia parte de ti. Tivemos sempre isso do nosso lado.
Choramos um pelo outro (apesar de mo teres confessado uma vez, já eu sabia que os teus olhos se haviam transformado em lagos verdes por minha culpa, noutras situações), ficamos ambos felizes pelo que sentíamos, vivemos empoleirados na ponta de um quarto minguante de lua, rodeados de estrelas, e por instantes, até chegamos a ver o sol. Umas vezes com um brilho mais intenso que outras, mas apreciamo-lo ambos. Recordo-me quando só tu o sentias; acreditavas em poder chegá-lo a ver um dia. E chegamos a vê-lo os dois mas, quando eu me apercebi da existência dele, já tu te contentavas somente com a lua; já te tinhas acomodado em viver sem ver o sol. Encontravas-te, então, inalcançável, do outro lado da lua. Entretanto caíste de lá, regressaste à terra, esqueceste-te da existência do sol. Um dia também o deixei de ver, mas ainda recordo as estrelas; ainda guardo todas as tuas mensagens, ainda me lembro de todas as tuas tentativas para que desse certo, tenho na memória as tuas frases, sei de cada texto que te escrevi, as palavras ficaram, os momentos… enfim, puras estrelinhas no meu vasto e enublado céu. Se pegarmos num telescópio, achas que conseguimos avistar a lua serena na sua pálida inocência? Se viajarmos num foguetão, acreditas que chegaremos a ela? Não quero. Não quero ter que fazer criar cada situação mais ‘patética’ para conseguir observar coisas que estão lá; que existem. Apenas precisava que também tu não tivesses deixado de acreditar – e isto tudo o que aqui escrevi são néscios devaneios que não passam disso mesmo: pensamentos impalpáveis, ou não fosse isso impossível da tua parte –. As estrelas morrem, sabias disso? Os grandes entendedores na matéria especulam sobre uma provável extinção do sol. A lua, desgastar-se-á ela também? Não deixes nunca que isso aconteça, peço-te. Ainda podemos criar tantas novas estrelas…
Não te amo não te odeio, não me limito só a gostar de ti. Faço-o numa proporção ainda maior, eu adoro-te. E a verdade é que não te quero ausente.

[01.01pm]

17/06/2008

~ talvez...


Fico feliz por te ter conhecido… de certa maneira. Apesar de me teres deixado um furinho atravessado no meio do coração do tamanho da cabeça dum alfinete, esboço um pequeno – ainda que esborratado – sorriso quando penso em como nunca ninguém fez transparecer de uma maneira tão simples e ordinariamente vulgar que gostar de mim seria a coisa mais natural do mundo. Talvez por nunca ninguém me ter decifrado expressões tão bem como tu, por ninguém me ter conseguido ler silêncios, por teres sido o único a ter mais certezas sobre mim do que eu mesma. Mais ninguém me amou tanto como tu que, mesmo sofrendo com os meus sentimentos de corda-bamba, tão incertos como a duração que os pés de uma inexperiente bailarina aguentam em cima de pontas gastas e tão “improváveis de prever” como uma lua cheia reluzente num céu de sexta-feira treze, nunca abandonaste esse sentimento pintado de verde-esperança e forrado de tamanha expectativa que só as pessoas mais apaixonadas conseguem ter, tentando sempre, acreditando que, se mais uma vez falhasse, era sinal de uma fraqueza que teria de ser vencida com uma nova tentativa, desta feita infalível que, depois aprendeste, mais tarde viria a converter-se num novo desafio em vão (desafio esse que, no final de tudo, mais tarde do que todos os “mais tarde” que pudéssemos enfrentar, veio mudar as tácticas do jogo e lançou dados que, creio que por um ou dois números, nunca deram sorte).
Talvez por isso eu não lance mecanicamente um sorriso amarelo-canário – ainda que envolto nalguma “armagurada tristeza melancólica” – quando me invades o pensamento e te passeias como uma memória mais viva do que o presente na minha cabeça. E se calhar é por isso que por vezes me passa pela cabeça – ou será pelo coração?! – o devaneio de que ainda possa gostar um bocadinho de ti. Talvez…
No final de contas, ainda quase que mexes comigo, ainda não me és totalmente indiferente… talvez
, talvez.

[02.00am]