15/08/2014

~ ficaste-me (enquanto o resto do mundo dormia)

"(...) isto não é uma declaração
mas tu e eu é tipo sina na palma da minha mão.
Tipo que fica na retina independente da visão,
aquele clima que alucina e a que nunca dizes não".

Às vezes penso que já não posso pensar no que penso; que já devia ter juízo; que já lá vai o tempo em que podia pegar na caneta e escrever tudo aquilo que me desse na real gana sobre ti e os nossos (não-)sentimentos. Mas depois vêm-me outras ideias à cabeça. Contigo é sempre assim, uma roda viva de pensamentos e sentimentos que se atropelam uns aos outros como avalanches nos Alpes.
"Se eu não cometer uma loucura agora, se não disser e fizer tudo o que quero, quando é que o vou poder fazer?". O tempo de te dizer que ficamos por nos resolver nunca vai esticar, mesmo sendo proporcional às desculpas que vão escasseando ao longo dos meus aniversários. O momento de te dizer que quero concluir a nossa viagem àquela (que promete ser uma) incrível Jamaica não tem um timing certo para ser criado, bem como a epifania que me invade e sussurra para te pedir que voltes aos teus velhos e, porém, sempre irritantes hábitos, em que me roubavas as noites e assaltavas o sono, não tem um instante certo para (re)aparecer.
Lembras-te quando tinhas essa mania e passávamos um bom bocado à porta de casa, juntos, com conversas supérfulas e outras profundas com fumo e música de fundo à mistura, enquanto o resto do mundo dormia? E eu que a reprovava incessantemente... O karma é, realmente, 'uma cabra'.
Por isso, ao longo de todos estes anos, ainda que os nossos caminhos se encontrem e que, no entanto, optemos por direcções opostas, lutando sempre por desviar olhares que insistem em se cruzar, continuo a ter-te presente na minha escrita, mesmo não sabendo se me lês ainda. Estar contigo ficou por checkar na minha bucketlist: tu ficaste por cortar; ficaste-me preso, qual pequena carraça casmurra que teima em não soltar e que vai incomodando, de vez em quando. Em suma, ficaste-me.

[01.53am]

2 comentários:

andré maia disse...

«O tempo de te dizer que ficamos por nos resolver nunca vai esticar...»

...

Às vezes, quando os dias parecem perder-se nas esquinas do vazio, o tempo acaba mesmo por esticar.

Quando os sonhos deixam de caber no silêncio dos búzios, restam apenas as badaladas do tempo. Talvez o cheiro da solidão, mas, em todo o caso, um jeito de reviver a saudade.

Um jeito de fazer as pazes com a memória!

andré maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.