
Fico feliz por te ter conhecido… de certa maneira. Apesar de me teres deixado um furinho atravessado no meio do coração do tamanho da cabeça dum alfinete, esboço um pequeno – ainda que esborratado – sorriso quando penso em como nunca ninguém fez transparecer de uma maneira tão simples e ordinariamente vulgar que gostar de mim seria a coisa mais natural do mundo. Talvez por nunca ninguém me ter decifrado expressões tão bem como tu, por ninguém me ter conseguido ler silêncios, por teres sido o único a ter mais certezas sobre mim do que eu mesma. Mais ninguém me amou tanto como tu que, mesmo sofrendo com os meus sentimentos de corda-bamba, tão incertos como a duração que os pés de uma inexperiente bailarina aguentam em cima de pontas gastas e tão “improváveis de prever” como uma lua cheia reluzente num céu de sexta-feira treze, nunca abandonaste esse sentimento pintado de verde-esperança e forrado de tamanha expectativa que só as pessoas mais apaixonadas conseguem ter, tentando sempre, acreditando que, se mais uma vez falhasse, era sinal de uma fraqueza que teria de ser vencida com uma nova tentativa, desta feita infalível que, depois aprendeste, mais tarde viria a converter-se num novo desafio em vão (desafio esse que, no final de tudo, mais tarde do que todos os “mais tarde” que pudéssemos enfrentar, veio mudar as tácticas do jogo e lançou dados que, creio que por um ou dois números, nunca deram sorte).
Talvez por isso eu não lance mecanicamente um sorriso amarelo-canário – ainda que envolto nalguma “armagurada tristeza melancólica” – quando me invades o pensamento e te passeias como uma memória mais viva do que o presente na minha cabeça. E se calhar é por isso que por vezes me passa pela cabeça – ou será pelo coração?! – o devaneio de que ainda possa gostar um bocadinho de ti. Talvez…
No final de contas, ainda quase que mexes comigo, ainda não me és totalmente indiferente… talvez, talvez.
Talvez por isso eu não lance mecanicamente um sorriso amarelo-canário – ainda que envolto nalguma “armagurada tristeza melancólica” – quando me invades o pensamento e te passeias como uma memória mais viva do que o presente na minha cabeça. E se calhar é por isso que por vezes me passa pela cabeça – ou será pelo coração?! – o devaneio de que ainda possa gostar um bocadinho de ti. Talvez…
No final de contas, ainda quase que mexes comigo, ainda não me és totalmente indiferente… talvez, talvez.
[02.00am]
2 comentários:
eu até que tenho a certeza para quem é esse texto ;)
tenho saudades tuas, de estares constantemente a comer nestlés, a chamar irritantemente o meu nome, a pores meias sei lá onde! <3
que palavras fantásticas. este texto para mim foi o melhor, acho que simpatizo muito com textos de 'amores fracassados' «talvez». se me compreendes :)
bem eu conhecia-te do fotolog, era a verinha, do /minipituxi, mas já o fechei. e agora só ando por aqui. beijinho e continua sempre a escrever que eu vou ficar sempre presente a ler <3
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