«É esta a marca da perda: a sensação de falta. Sinto falta das respostas que já não me dá, mesmo daquelas respostas tortas que eu já conseguia adivinhar (...)».Se soubesses do desenrolar da minha vida desde o dia em que me deixaste até ao dia de hoje, ficarias surpreendido. Se calhar até sabes, se calhar não te escapa nada daí de cima. Se calhar até foste tu que me fizeste chegar até aqui, se calhar não tem nada a ver.
Há muito que havia deixado de acreditar num qualquer deus, numa vida no além, naquela que dizem ser possível haver depois da morte (ou vida). A religião por aqui já tinha deixado de fazer sentido mas foi a partir do momento em que te tiraram de mim que tive a confirmação do quão forte era a minha descrença. Se realmente há um deus, que me perdoem, mas é cruel demais. Bem sei que este mundo não te merecia, és das pessoas mais lindas que já conheci, mas nada em tempo algum justificará a injustiça que é não te ter por perto.
Sabes, acho que nunca é demais escrever-te, especialmente se for para te dizer que as saudades continuam a aumentar. É certo que não te tenho ido visitar tantas quantas as vezes que gostaria mas, se realmente me vês, sabes como anda a minha vida e provavelmente ficas contente pelo rumo que está a tomar.
Sei também que parece incoerente visto que nem sequer rezo, mas uma parte de mim quer mesmo admitir a tua presença aqui, a cuidar de mim sem que eu realmente o saiba. É que acreditar no contrário custa muito, chega a doer. Pensar que "foi isto e acabou", que já não existes e ponto final é... impensável. Desculpa-me a redundância mas eu gosto tanto de ti que a mente chega a bloquear e a escrita vai-se perdendo algures pelo meio. Eu gosto tanto de ti que deixo de conseguir ser racional. Ultimamente tenho tido alguns dilemas deste género, se me vês sabes do que falo.
De qualquer maneira, gostava de te contar um dia, com tempo, todas as mudanças da minha vida neste último ano. Todas as voltas, as etapas, os capítulos, as danças e contradanças. Confirmá-las, no caso de teres estado sempre a par.
Nunca te esqueças, se me ouves, que parte de mim acredita nisso, que me continuas a proteger como sempre fizeste, embora agora o faças de maneira diferente; que coloco sempre a possibilidade de me estares a ouvir quando tenho longas conversas contigo, no teu cantinho, ainda que eu não fale e que tu não me respondas; que consinto o benefício da dúvida a mim mesma quando me deixo levar pela crença de que, um dia, voltaremos a estar juntos. Eu tenho consciência de que é o querer que grita mais alto do que a lógica no que se relaciona contigo, mas deixa-me sentir que pode ser verdade quando me dizem que estás a olhar por mim. É que as saudades continuam a aumentar.
[10.28pm]
3 comentários:
eu percebo isto. cada palavra.
está doce, quente...
como o chocolate que gosto de inverno.
que lindo. *.*
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