
"Every day I wake up, I hope I'm dreaming. I can't believe this shit, can't believe you ain't here. Sometimes it's just hard for a nigga to wake up, it's hard to just keep going, i'ts like I feel empty inside without you being here I would do anything to bring you back (...). I'ts kinda hard with you not around, know you in heaven smilin' down.. watchin' us".
Nunca me habituarei à tua ausência, por mais tempo que passe. Nunca conseguirei preencher o vazio que ficou por não te ter aqui comigo, por mais pessoas que tenha na minha vida e que me preencham.
Ultimamente, tenho-me lembrado muito de ti. Fartei-me de ver amigos e colegas teus na queima, só me lembrava do orgulho estúpido que tive quando foste nomeado "caloiro do ano", ainda eu estava longe de perceber o que isso era.
Às vezes tenho disto, paro para pensar; desligo-me de tudo e só me apetece recordar-te, sempre tive medo de te esquecer apesar de muitas vezes, sem querer, te associar a qualquer coisa, por mais insignificante que ela for.
Acredito que, de uma forma ou de outra, me vês e que estás aí em cima a olhar por nós e a proteger-nos. Bem sabes que não sou muito destas coisas, que neste campo costumo ser céptica mas também já te escrevi que dói muito sentir de outra maneira, interiorizar que és meramente pó, logo tu que sempre foste tão especial.
Hoje quero confessar-te uma coisa em que reparei. Descobri que não foi só por causa de histórias de (des)amores que agora tenho mais necessidade de me isolar do mundo de quando em vez; que me tornei mais fechada com as pessoas. A tua perda fez com que eu me tornasse mais fria, com que os problemas dos outros deixassem de ter tanto significado porque sei que há merdas maiores e que eles não passaram por aquilo que eu passei (e deixou mossa). Há gente que sofre em vão quando podia simplesmente virar costas, gente que não sabe o que é doer no verdadeiro sentido do verbo, que não sabe dar valor à sorte que tem e isso revolta-me, faz-me ser mais egoísta e individualista - tomara eu não ter conhecido tal dor de tão perto,
queixam-se de barriga cheia.Por outro lado, sinto que tenho mais força interior, que cá dentro existe uma maior capacidade de aguentar com as coisas más. É claro que não me podem tirar as minhas pessoas, quando sou Aquiles elas são o meu calcanhar, mas agora é como se tudo o que me atingisse fosse secundário.
Desta vez não consegui esperar pelo dia 18 para te escrever, este mês já faz dois anos que partiste mas, como sempre, as saudades permanecem em doses industriais. Nada vai compensar o espaço oco que em mim deixaste, João. Amo-te muito.
[12.44am]
4 comentários:
até concordo com o que dizes, mas ninguém tem o direito de julgar os problemas dos outros e categorizar-los como mais ou menos importantes do que aquilo que passaste. as pessoas são indefinidas e nunca sabes como é a grandeza das coisas que sentem (que às vezes nos pode parecer tão insignificante)
força* :)
"Descobri que não foi só por causa de histórias de (des)amores que agora tenho mais necessidade de me isolar do mundo de quando em vez; que me tornei mais fechada com as pessoas. A tua perda fez com que eu me tornasse mais fria, com que os problemas dos outros deixassem de ter tanto significado porque sei que há merdas maiores e que eles não passaram por aquilo que eu passei (e deixou mossa). Há gente que sofre em vão quando podia simplesmente virar costas, gente que não sabe o que é doer no verdadeiro sentido do verbo, que não sabe dar valor à sorte que tem e isso revolta-me, faz-me ser mais egoísta e individualista - tomara eu não ter conhecido tal dor de tão perto, queixam-se de barriga cheia."
Quantas vezes quis eu escrever isto, quantas!..
Gosto de saber q estás (cada vez) maior e melhor, e força (porque vai ser sempre precisa). *
"Às vezes tenho disto, paro para pensar; desligo-me de tudo e só me apetece recordar-te, sempre tive medo de te esquecer apesar de muitas vezes, sem querer, te associar a qualquer coisa, por mais insignificante que ela for."
Maravilhoso! uma intensidade tão bela, que em cada palvra desenhas um sentimento e tudo se torna tão completo e aconchegante de se compreender.
Pensei em retirar uma frase ou palavra, como habitualmente faço. Mas simplesmente não dá. Subscrevo tudo o que escreveste.
E digo-te mais.. só quem vê partir quem ama, compreende a dor da perda.. embora cada um de nós seja único e única seja a sua dor.
Gostava de poder dizer-te que passa com o tempo.. mas isso seria inventar histórias. A verdade é que, com o passar do tempo, a saudade torna-se tão grande que parece que nos rebenta por dentro.. a dor, a incompreensão (porquê ele?), a falta que nos faz, o tudo a que ainda associamos as pessoas, cada pequena lembrança que temos e que nos salta a memória nos momentos mais inesperados... Tudo. Tudo intensifica.
Mas sabes? Não importa que só te lembres dele (fisicamente) por fotografias (acredita que ao longo dos anos, a imagem esvai-se)... o que importa, o que realmente importa é que continuas a lembra-lo, a ama-lo e conserva-lo dentro de ti. Guarda-o bem. Esteja lá onde estiver, está a olhar por ti. Acredito nisso!
E chora. Se mesmo passado 2,5 ou 10 anos tiveres vontade, chora. Não é vergonha chorar a perda de alguém... isso só é sinal do quanto amamos!
[comentário extenso.. mas já há algum tempo que to queria dizer.. mas faltavam-me sempre as palavras..]
Força! *
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