"I had this fantasy, that I would look across the tables and I'd see you there, with a wife and maybe a couple of kids. You wouldn't say anything to me, nor me to you. But we'd both know that you'd made it, that you were happy".
Foste embora com a mesma rapidez com que comigo cruzaste caminho. Sem segredos ou tabus, soube da tua partida aquando te conheci numa noite de festa. Não foste convidado mas ali estavas tu, do lado de lá da barreira que separa a zona VIP da pista de dança, de olhos fixos em mim, a ver-me brindar do alto do meu vigésimo terceiro aniversário.
Falámos, despedimo-nos e esbarrámo-nos outra vez no final da noite (e umas quantas vezes dias depois). Estando tu a aproveitar as férias de Natal vinhas com prazo de validade e partias pouco depois do ano novo. Tentamos canalizar cada instante da tua estadia em terras lusas mas os ponteiros foram demasiado rápidos nos seus movimentos para que duas pessoas se pudessem conhecer a sério e rapidamente 2014 deu lugar ao novo ano.
Depois de cada um ter seguido a sua vida, a par de conversas pontuais pelo Atlântico distanciadas, anuncias-me o teu regresso precisamente quando me preparo para ir. Desencontrámo-nos, tu e eu.
Nunca pudemos controlar o tempo quanto mais a vida, Zuca.
Se calhar não está destinado ou se calhar ainda nos vemos por aí, além-fronteiras, em qualquer recanto do mundo, para novamente tropeçarmos algures num instante em comum que cruze os tempos um do outro: o meu e o teu. Ou, ainda que com diferentes fusos-horários, pode ser que me apanhes cá na pequena manobra de dias – quiçá semanas – que nos resta de diferença. Quem sabe?
Um dia apanho-te num voo e cruzamos o céu juntos, tu de havaiana no pé (mas sempre com cheirinho a CH e um sotaque de matar) e eu de hijab na cabeça, num lugar em que o teu jet-lag se encontre com o meu horário sem regras, e consigamos ficar sincronizados num único momento. Sem hora ou lugar marcado.
Até lá não me esqueças, meu Carolina.
[02.51am]
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