«Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu
começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às
quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da
felicidade!».
Quem diria que passado este tempo todo iríamos estar assim. Anos de amizade e meses de algo que se tem vindo a revelar realmente belo. Não era suposto ser assim, nós tínhamos um acordo: não era para levar a sério; o que começámos devia ficar para trás a partir do momento em que passasse a porta de embarque no aeroporto. No entanto, também veio comigo para o Dubai e cresceu desde então (caramba, se cresceu!).
Agora são os dias que faltam para o regresso que são contados com a mesma ansiedade que a data da vinda para continuar aquilo que por um triz quase deixámos escapar e, desta vez, com uma motivação que se calhar noutras circunstâncias não existiria. – Sei que discordas mas quem sabe?
Agora tenho nervosas borboletas no estômago a bater asas com cada vez mais vontade por cada dia riscado no calendário. Tenho uma bucket list para nós, sítios para visitar, comer ou simplesmente fazer aquilo que de melhor sabemos fazer juntos. Sinto-me uma desajeitada adolescente excitada pela noite do baile ou uma noiva ansiosa pela entrada na igreja – deixo-te escolher a perspectiva.
A realidade – na qual em que só me vou permitir acreditar quanto pisar terras lusas – é que, desde postais de Singapura e Nice a horas passadas no Skype, finalmente vou poder reencontrar-te! E a sensação é como se fosse experimentar tudo pela primeira vez: beijar-te, tocar-te, provar-te.
Quem diria que me fosses fazer sentir assim e mudar de ideias em relação àquilo que começámos fora de horas. Já te chamava de maldito antes mas agora sei que és, sem sombra de dúvidas, um verdadeiro pónei maldito (e eu mal posso esperar por te pôr as mãos em cima).
[12h48pm]

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