18/05/2010

"a tua morte em mim"

«A tua morte é sempre nova em mim. Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
(...)

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido».


Adolfo Casais Monteiro.
tanto e tão pouco tempo... Um ano, João. *

8 comentários:

Suspiro do Norte disse...

um abraço forte, silencioso.
Estou ctg em pensamento..

Mariana Neves disse...

chorei com o poema. senti a tua dor. mandei-te um abraço cheio de carinho. sabes que estou aqui. sempre. (...)

Ana' disse...

obrigada ^^ força é mesmo o que preciso.. *

Vanessa disse...

dói mesmo.
Gostei :)

SparkingMind disse...

"O único presente verdadeiro é teres partido"

[porque acho que tudo se resume simplesmente a isto... todas as palavras são vãs..]

Emma disse...

então troca, pleasee!

Mara disse...

És muito especial Quel*
Mesmo sem te conhecer pessoalmente sei-o.
E é só o que consigo dizer numa altura como esta.

Afonso Arribança disse...

Sem palavras perante o que disseste :/
Um abraço e um beijinho de conforto *