30/05/2010

~ "vira o disco e toca o mesmo"

"He’s a player, not ready yet to behave mature".

Ainda não tenho idade para levar esta vida. Era suposto sentir com o coração, ter uma paixoneta ou duas, um namorado que, na minha inocência, julgasse ser para sempre, alguém com quem pudesse ter uma relação razoavelmente estável e a quem me dedicasse continuamente. Ou até ter uma paixão platónica.
Este lifestyle assusta-me, para ser sincera. Viver com o freepass que me foste cedendo, podendo eu estar contigo quando bem me apetece a troco de nada, sem justificações ou exigências, ir tendo algo que nem vamos tendo não constava na minha wishlist. O que eu estou a tentar dizer é que não podes ser a minha escapadela de serviço, nem eu a tua, porque apesar de sermos um pouco crianças – que somos, ou porque nos cansámos das pessoas rapidamente ou porque nos desabituamos dos compromissos e talvez isso funcione como uma espécie de mecanismo de defesa, ainda estou por descobrir, – contudo, já somos crescidinhos para continuarmos a fazer um do outro o nosso brinquedo pessoal, para criarmos joguinhos de sedução nível I, para fingirmos cafés e encontros com conversas casuais ensaiadas quando tanto eu como tu sabemos como acabará. Ou (re)iniciará.
O problema é que cada vez que faço figas para se realizar, a promessa de nunca mais estar contigo fica sempre por cumprir. És um tipo de droga natural e eu nem sequer em reabilitação estou, quanto mais desintoxicada, e é exactamente por isso, por seres viciante, que me custa deixar-te definitivamente.
O certo, porém, é não haver ilusões, mentiras ou quaisquer simulacros, flutuamos com os pés assentes no chão e nenhum de nós o pinta de verde. Ambos sabemos, sejamos francos, que no fundo não passámos de meros recursos, que agora é praticamente físico aquilo que nos sustenta, uma vez que a parte da química já resultou mais entre nós. Ou melhor, a química permanece, a perspectiva de conto de fadas é que não.
O que nós temos no presente resulta do disco arranhado que nos fomos esquecendo no replay, é um género de affair continuado no qual eu desempenho o papel da amante criativa e tu, o do solteirão atrevido. E isto, isto é a nossa fantasia. Não te rias, sabemos bem que nenhum de nós está loucamente apaixonado, nenhum de nós é doido o suficiente para cometer duas vezes o mesmo erro (fôssemos nós moscas desorientadas a bater contra o vidro uma e outra vez). Tu és, apenas e somente, o típico sassy boy e eu só tenho uma panca(da) por ti (que admito já ter sido mais pequena). Basicamente – não é difícil de entender, tu e eu sempre fomos muito básicos – tu só nutres uma estúpida admiração pelo meu rabo a cair para a obsessão. De qualquer maneira, o que nos vai unindo é aquela parte em que os desejos se manifestam mais do que qualquer outra coisa – a atracção. É puramente carnal, aquilo que nos vai mantendo juntos, e altamente perigoso em caso de ocorrência de incêndio. Às vezes, quando estamos em brasa, lá deitamos fogo à casa. Somos inflamáveis e isto é a nossa fantasia, portanto não te rias.
É por isso que me afasto da lei dos três E’s: envolvência emocional extrema.
Embora tenhamos origens de mundos diferentes, damo-nos bastante bem quando falamos na mesma língua e os nossos pontos em comum ainda vão dando nas vistas. No entanto, nunca nos esqueçamos de que, vá lá, tu e eu não passamos de um cliché em que o meu rabo é o teu fetiche sexual, os teus abdominais a minha perdição. Não te rias! Sejamos realistas, e o que eu faço é um apelo à consciência, não mais nos podemos dar ao luxo de permitir este (ab)uso. Eu não posso mais ser a miúda que ocupa o assento ao teu lado no mini, tal como tu não podes ser a minha manobra fácil. Por isso, antes que eu me torne numa autêntica Samantha Jones, antes que a minha vida se transforme num filme ou num fenómeno best-seller – porque uma completa novela mexicana ela já é – eu tomei a decisão de ser racional (falta é pô-la em prática): se não resultou da maneira mais convencional, não é ao reciclarmo-nos assim, muito em parte por causa da minha sensualidade, do teu charme, das duas coisas ou do que quer que seja que nos vamos 'arranjar'.
Apesar de isto tudo me fazer uma enorme confusão, e eu sei que deixei que se arrastasse por muito tempo, e por isso lamento, apercebi-me de que não tenho idade para levar esta vida. Ainda.


"If you don't love me to then bein' friends will do, long as you let me in your bed!".
[07.25pm]

5 comentários:

Anónimo disse...

Poupo-a. É verdade.

Filipa Teles disse...

exactamente, "vira o disco e toca o mesmo" ... mas podes ser uma Samantha Jones, faz-te nem ;)

Mara disse...

«É por isso que me afasto da lei dos três E’s: envolvência emocional extrema.»


Isto fez-me sorrir :)

disse...

tão, tão, tããão qel.
tão teu.*

U disse...

«se não resultou da maneira mais convencional, não é ao reciclarmo-nos assim, muito em parte por causa da minha sensualidade, do teu charme, das duas coisas ou do que quer que seja que nos vamos 'arranjar'.»

muito certo e certeiro! *