29/11/2009

~ (metes-me) dó

"How can I decide what's right when you're coulding up my mind? I can't win your losing fight all the time, not gonna ever own what's mine when you're allways taking sides but you won't take away my pride (...). How did we get here? I used to know you so well... Well, I think I know. The truth is hiding in your eyes and it's hanging on your toungue just boiling in my blood but you think that I can't see. What kind of man that you are? If you're a man at all (...). Do you see what we've donne? We're gonna make such fools of ourselves (...)".

Desculpa os insultos mas preciso de desabafar que és o maior cabrão à face da terra que eu já conheci e não o escrevo porque me convém ou porque me facilita a vida achar-te o maior filho da mãe de sempre. Digo-o por ser verdade, porque, antes de mais alguma coisa, és cobarde. Podes não ter traído ninguém mas a situação é a mesma, quebraste connosco e desiludiste-me imenso.
Para quê assegurares as coisas se as tuas intenções são exactamente opostas? Prometes mundos e fundos, mesmo sabendo que de nada te vale, que em nada vão mudar o rumo que as coisas tomaram mas, ainda assim, insistes em vestir a pele que não te serve, a de bom samaritano, de pessoa com escrúpulos e coração, dás a entender que, apesar de tudo, ainda te preocupas mesmo quando me magoas. Para quê? Para quê dizeres que vais ser sincero quando o que fazes é contares-me meias verdades e esconderes-me os teus segredos, os mesmos que frequentam, todos os dias pelas bocas do mundo, o café de sempre?
Eu gostava de acreditar que não fui só uma, que fui ‘aquela’ porque, independentemente de tudo, acho que não preciso de te perguntar se a nossa história teve uma conotação diferente de todas as outras pela lógica e pela obviedade da resposta (ou preciso?). Mas a verdade é que os teus actos não fazem jus às palavras que atiras para o ar, tu simplesmente deixaste de fazer sentido e eu já não consigo confiar em ti – diz-me, depois de tudo, como era possível quando a tua palavra não vale nada? – porque tudo o que tu dizes são ilusões, mentiras acesas umas nas outras que nem os cigarros em que te refugias. Abre os olhos, a tua cara de menino bonito vai-te valendo uma ou outra ‘gozada’ mas no final vais acabar sozinho.
A sério, eu sei que vais ter muitas ‘aquelas’ na tua vida mas, confesso, sempre pensei que no final fosses mais meu do que de qualquer outra pessoa. “We were lovers in every way”, remember? E pensar que tu serias o meu rebound guy forever and ever... Eu teria sempre as minhas aventuras mas tu serias sempre o meu porto seguro, a garantia, a porta aberta, a escapatória, o meu abrigo, a excepção à regra. Agora aniquilaste essa hipótese por completo, admites saudades mas não me vens ver, prometes-me honestidade mas omites-me as tuas mudanças. Se fosse a ti não deixava tanta vida para depois, depois posso já não estar aqui.
Coitada de mim que já te escrevi mais cartas de queixumes do que a qualquer outro. Coitada de mim que ainda te vou tentando dar umas luzes para iluminares esses teus caminhos suspeitos, ainda me vou importando contigo porque sei como funcionas, com ou sem mim, que sempre fui a voz da tua consciência. São velhos hábitos que me ficaram... Precisas de orientação e eu vou-te dando a que posso, são velhos hábitos que me ficaram. Para além de orientação, porque não sabes o que queres, precisas de crescer, de uma boa dose de maturidade. Agora só quero ver até onde vão os teus limites, até onde estás disposto a ir porque para falar sem usar a voz estás sempre tu pronto.
Mas sabes, se me associavas também a essa nota, agora és tu quem ma lembra, metes-me dó.
Se acreditasse a sério que isto tudo não passa de uma fase, que um dia me convidas para um café para falarmos de tudo e voltarmos ao que éramos no início, porque independentemente de terceiros/as eu ia ser sempre a miúda da tua vida, porque um dos teus maiores medos era perderes-me para sempre, porque era suposto a nossa amizade ser à prova de bala, uma das nossas inúmeras frases faria sentido (“take whatever you have to take, you know I love you and come however you have to come”), não sabia a hipocrisia e ingenuidade. Se eu não tivesse orgulho, se eu fosse masoquista ao ponto de gostar de sofrer por amor, se eu não me desse valor suficiente, se não soubesse encontrar a minha dignidade, se não tivesse muito estado de espírito, se eu acreditasse verdadeiramente, se tu realmente quisesses que eu acreditasse, farias por isso, cumprias promessas, movias montanhas. Mas não, tu não te mexes, só falas coisas ocas, só dás a palavra calada e manchada da tua honra igualmente suja, não me dás provas concretas e eu vou acreditando muito mais nas perspectivas que o teu silêncio me dá a conhecer, vou tirando as minhas próprias conclusões daquilo que aos ouvidos me chega, mesmo sendo-me difícil imaginar-te tão diferente assim, e agarro-me à certeza de saber reconhecer que a vida não é feita de condicionantes. Como queres ter uma história escrita se não a avanças? Como me queres ter por perto se não ocupas a cadeira vaga que me acompanha no café de sempre, o mesmo que te ouve os segredos mal disfarçados? Como queres uma estante repleta de nós se não nos compras os livros? Não fomos feitos para mais do que um moleskine, meu querido. Diz-me, como queres que eu me acredite se já nem tu te munes de forças para investir em nós? Só te estou a dizer que está nas tuas mãos, sempre esteve, nunca deixou de estar. Tu sabes como eu opero, ou pelo menos costumavas. Eu não sou de dar garantias, isso é para as desesperadas. Nunca faço a papinha toda, cedo somente alguns ingredientes. Se cozinhares, fá-lo por ti, porque queres e sentes, por mérito próprio, de livre e espontânea vontade.
No dia em que deixares de mentires a ti mesmo, a mim e a meio mundo que te comenta a vida,
procura-me. Não te garanto perdão - eu não sou de dar garantias - nem tão-pouco uma recepção with arms wide open e amor eterno porque, acima de tudo, sei que nunca me vou esquecer da dor que um dia me causaste. Contudo, ao menos saberei que, once again, acordaste para a vida e tu ficas a ganhar paz de espírito, alívio de alma, leveza no coração, liberdade nas acções, franqueza nas palavras gastas e autenticidade nos teus sentimentos de plástico. E, sendo-te sincera, eu gostava de acreditar em nós mas não consigo. É de mim ou nós valíamos mais do que isto? Valíamos, não valíamos? Então desperta rápido e vê se lutas pela amizade que tanto nos caracterizava, por aquela cumplicidade que a todos invejava, pelo carisma que tínhamos quando nos juntávamos, pelo sentimento que costumávamos ter e que agora está por um fio. Até lá, vais-me perdendo a cada dia que te passa ao lado, enquanto dormes.
Ouve-me, escuta-me como a tua voz interior, detentora de toda a razão existente em cada recanto teu, que eu era. Se fosse agora dir-te-ia o mesmo de sempre: persegue os teus sonhos, alcança os teus desejos, corre atrás do que mais queres mas, lá está, tu não sabes o que queres. Se fosse agora dir-te-ia ainda para conquistares a tua melhor amiga, a mesma que, do teu lado, gozava com o resto do mundo, a que não se importava com mais ninguém, a que vinha a correr à chuva, se fosse preciso, só para te ouvir as lamúrias, aconselhar e consolar-te o coração dorido, a que estava mais perto de todos de dar o mundo por ti, a que te defendia com unhas e dentes, a que te pagava cervejas e te oferecia pastéis de vez em quando, a que te acompanhava em todo o tipo de concertos e corrigia os erros ortográficos nos teus trabalhos com a sua mania da perfeição que tanto te irritava, a que te abria possíveis horizontes e te clarificava as confusões, a única capaz de te transmitir paz e tranquilidade, dizias tu. Lutares por ela era o que eu te diria se ela te fosse realmente importante e se eu e ela não fôssemos a mesma pessoa mas a vida não é feita de condicionantes.
Só depende de ti. Só quero que saibas que não vou esperar, a vida é muito curta para ser desperdiçada e eu não sou muito tolerante nesse aspecto, além de que nunca gostei muito de esbanjar amor e tempo aos sete ventos. Desejo, sim, que sejas feliz e espero que saibas, se assim quiseres, sobreviver sem mim.
Cuida-te, caramelito.



[05.01pm]

6 comentários:

Afonso Arribança disse...

A música em conjunto com o texto quase me fez emocionar. Sabes, és grande. Não preciso de o dizer, acho que o sabes.

Sem te conhecer, tive um imenso orgulho da tua pessoa, por aquilo que escreveste, pela força aqui presente.

U disse...

eu senti cada palavra. depois de ter lido um texto que podia mostrar que alguém mudou, leio este e vejo que é completamente impossível; porque ninguém muda, apenas disfarça.

beijinho, qel *

Mara disse...

Fiquei boquiaberta com as tuas palavras, com essa força tão tua característica.
Espero, sinceramente, que ele te leia.
Tenho a certeza que alguma luzinha nele se acenderá :)

beijinho*

Margarida C' disse...

Identifiquei-me tanto, revi-me neste teu texto. "É de mim ou nós valíamos mais do que isto? Valíamos, não valíamos?" Nem imaginas quantas vezes me perguntei exactamente a mesma coisa...
Beijinhos

Margarida disse...

EISH

Vanessa disse...

"gora aniquilaste essa hipótese por completo, admites saudades mas não me vens ver, prometes-me honestidade mas omites-me as tuas mudanças. Se fosse a ti não deixava tanta vida para depois, depois posso já não estar aqui.
Coitada de mim que já te escrevi mais cartas de queixumes do que a qualquer outro. Coitada de mim que ainda te vou tentando dar umas luzes para iluminares esses teus caminhos suspeitos, ainda me vou importando contigo porque sei como funcionas, com ou sem mim, que sempre fui a voz da tua consciência. São velhos hábitos que me ficaram..."

È um texto triste, mas adorei como o escreveste.
Beijinho*