06/09/2009

~ em suma (...)

"Quando a gente gosta é claro que a gente cuida (...)".

Gosto quando estamos no meu quarto e tu reparas que falta um peluche em cima da cama e do facto de saberes de cor quem é que me deu qual. Gosto quando notas que pintei as unhas de outra cor, que estiquei o cabelo ou que mudei de creme hidratante de corpo. Gosto do cheiro do teu perfume e gosto ainda mais de saber que só usas o unforgivable quando vens ter comigo. Gosto quando prevês aquilo em que eu estou a pensar e me brindas com uma resposta antes do tempo tal como eu também te faço a ti e tu me perguntas se consigo ler mentes. Gosto quando me tiras o prato da frente para logo voltares com o meu crepe de chocolate revestido em natas e de quando me chamas de 'menina'.
Gosto quando pegas em mim às cavalitas e até quando temos as nossas lutas de cócegas. Gosto quando te lembras dos meus pontos fracos e me arrepias de propósito e gosto de ver a satisfação que isso te dá. Gosto de quando, em plena rua, rimamos com vozes e versos igualmente parvos e fingimos ser rappers conceituados, de quando fazes aqueles truques com a língua quando me beijas e de quando me dás abraços de cortar a respiração. Gosto da sensação que me causas de cada vez que me sussurras ao ouvido, mesmo que isso soe a um cliché, e de cada palavra que me dizes enquanto o fazes, gosto quando me aqueces as mãos nas tuas, principalmente à noite, e da maneira como te impressiono quando jogamos matraquilhos ou até quando te marco golos no PES sem qualquer tipo de experiência.
Gosto quando fazes legendas das minhas expressões, como se de a voz off dos meus pensamentos te tratasses e quando me fazes festinhas no cabelo mesmo quando dizes não teres jeitinho nenhum para cafunés. Gosto quando inventas as letras das músicas porque achas que é assim que se diz e acho piada ao facto de eu fazer exactamente a mesma coisa. Gosto de apreciar a tua reacção quando consigo acender um isqueiro em pleno dia ventoso e tu não e gosto da maneira como voltas sempre para mim, como te atiras para cima de mim e me enches de beijinhos se tivermos em divisões separadas durante aquilo que parece sempre demorar uma eternidade.
Gosto do modo como a tua barba pica quando está a crescer, gosto quando vemos filmes enroscados um no outro aninhados no sofá, gosto quando nos abraçamos e ficamos quietos como se o mundo parasse, quando eu te corto o raciocínio e te silencio com um beijo inesperado a meio das frases e gosto quando, por vezes, te esqueces de que supostamente estavas amuado comigo e vens para o meu lado como se nada fosse. Gosto quando tentamos desenhar um futuro longínquo e tentamos adivinhar como será a nossa vida daqui por muitos anos, gosto da forma como conquistas toda a gente, seja de que idade for, e gosto dos pequenos sacrifícios que fazes por mim como quando estamos num festival e vens comigo ver concertos cujas bandas não te agradam só para eu não ter de ir sozinha. Gosto quando tocas músicas na guitarra e ficas à espera que eu acerte no intérprete e gosto mais ainda quando te inspiras e compões melodias dedicadas a mim.
Gosto de quando me imploras para que eu vista determinadas combinações de roupa (aprecio bastante a maneira de como já estás familiarizado com o meu guarda-roupa) e gosto do facto de não conseguires dormir sem a minha mensagem de boa noite e de como sossegas quando eu te faço 'o risquinho' ao longo das tuas costas. Gosto de quando vemos a nossa série ao mesmo tempo que a comentamos e de como reparamos sempre nas mesmas coisas, de quando estamos ao telefone e tu consegues descrever pormenorizadamente o meu quarto, que "é o quarto mais à gaja" que tu conheces, "(...) com fotografias em tudo quanto é sítio e que só não tem no tecto porque tem estrelas e luas fluorescentes lá coladas".
Gosto de como te lembras sempre das nossas datas importantes e da maneira como as celebramos. Gosto do teu entusiasmo pelas coisas mais simples e de como gostas de as partilhar comigo, de me dares a conhecer lugares especiais, e de como te delicias em me levares a restaurantes vegetarianos à beira mar e também gosto quando me confessas as reacções de que estavas à espera de ver em mim. É isso, gosto do poder que possuis no que diz respeito a decifrar-me tal como gosto de saber que, mesmo assim, ainda te consigo surpreender com reacções inesperadas pela tua parte.
Em suma, gosto de ti.

[02.38pm]

12 comentários:

C. disse...

que bonito. em suma, gostamos de todos os pormenores que tornam uma ralçao imperfeitamente perfeita :) beijinho

Marianinha disse...

eu gosto é de ler estas coisas de um amor tão bonito como este :)

beijinho Quel *

Débora disse...

Bem Raquel, há coisas à qual me posso supreender no texto, pelo simples facto de o meu namorado me fazer sentir, gostar do mesmo que o teu te faz, diz.
Principalmente da barba, no entanto eu digo-lhe para a fazer, pois quando passa com a cara pela minha faz-me impressão no nariz, o meu namorado também faz 'relatos' sobre as minhas expressões, também compõe músicas para mim, e também adora fazer-me arrepiar, só para ver a minha cara de 'tímida' como ele lhe chama.
É fantástico o que eles nos fazem sentir, tão bom que por vezes somos capazes de nos esquecermos da nossa própria existência, e pensarmos que só existem eles, em redor de nós mais nada.
Espero que dure, e muitas felicidades.
Beijinhos. *

AF disse...

está um amor.

disse...

Oh quel esquece, eu dei alto suspiro a ler isto x)

ca foufos que vocês são, foda-se 8D

Anónimo disse...

Convenceste-me: há amores bonitos.

Mara disse...

E eu gosto de ler o teu coração e de sorrir de contentamento por ti, sabendo que o que sentes agora é a melhor coisa do mundo.

Gostava de me poder sentir assim porque, "quanda a gente gosta, a gente cuida" e ele nunca me soube cuidar.

beijinho doce Quel*

. disse...

Adorei o texto, está mesmo lindo! :')

O meu fim-de-semana foi do caraças! +.+

Mariana Neves disse...

oh que coisa linda ;')
tinha imensas saudades de te ler, Raquel! (muahaha, eu sei que não gostas.)

- um grande beijinho *

A Coração disse...

O amor é feito de pequenos pormenores. Eu não te conheço e muito menos a ele, mas pelo que escreves eu consigo sentir que é um amor tão, mas tão bonito!!

Afonso Arribança disse...

Está mesmo lindo porra. Desculpa a expressão, mas dá vontade de dar a ler os teus textos a outras pessoas, de tão bons que são, e por aquilo que eles passam.

Concordo com a Beatriz, "Há amores bonitos"

Inês Sousa disse...

que texto tão querido!
<3