«Quando não tive nada a perder,eu tive tudo. Quando deixei de ser quem era,
encontrei-me a mim mesma».
Uma vez a queda foi tão grande, tão assustadora, que lhe fez doer o corpo todo. Sentiu o coração esmagado contra o peito durante meses e não conseguia conter as lágrimas à noite. Jurou que nunca mais tentaria e assim foi. Passou a nunca criar expectativas em torno de nada que mais tarde a pudesse vir a afectar. Mantinha-se à distância de todas as nuvens – até mesmo daquelas mais aliciantes – como se a própria aproximação lhe relembrasse de todos os tombos dados até então. Aprendeu a ficar quieta no seu cantinho, a não se mexer quando tinha mais curiosidade jogando sempre pelo seguro.
Passado algum tempo, alguém reparou nela. Alguém capacitado o suficiente para a fazer voar tão alto como das outras vezes sem que embarcasse nesses voos sozinha. Alguém com a sua própria nuvem azul-bebé, que também não esperava dela planos a longo prazo e que se deixava levar pelas linhas traçadas pelo destino. A partir daí, ela deixou-se ir, decidiu arriscar “só para ver no que dava”, atirar-se de cabeça sem hesitar, sem nunca ficar de pé atrás e não se importar com meios-termos. Não sabia como iria ser no dia a seguir (como nunca acontecera das outras vezes) e isso excitava-a. Deixava-se guiar, deixava que a vida se encarregasse da sua felicidade e serviu-se disso p’ra se testar a si própria. Muitas vezes dava consigo a pensar no que é que estaria a fazer e por outras chegava mesmo a não reconhecer o seu reflexo no espelho. Desfez-se completamente da ‘batata quente’ que lhe esquentava nas mãos e envolveu-se com uma facilidade tal que se surpreendeu a si própria sem sequer fazer por isso. Chegou até a recear por si e a duvidar de todo o bem-estar que tais sensações lhe causavam mas logo de seguida o ‘pensamento de não pensar’ aparecia e impedia-a de ter medo. Só o simples facto de ele querer voar com ela, de lhe dar mundos e fundos sem promessas, conseguiu conquistá-la sem que ela desse por nada. Quando se apercebeu do que estava a viver, fez uma retrospectiva de tudo e sentiu-se melhor que nunca e feliz, sem qualquer ponta de arrependimento.
Dessa vez, foi o mundo que puxou por ela.
* * *
Quando se deixaram levar - depois de uns mergulhos no mar e beijos entre ondas - na parte mais baixa das dunas de areia fina, ele afastou-lhe uma madeixa de cabelo da cara fazendo-a perguntar: «alga?» ao que ele respondeu: «cabelo». Foi nesse instante que ela soube que era possível conseguir interpretar alguém em apenas três dias. Foi nesse preciso momento em que deu consigo a pensar: “quem inventou que os amores de Verão se enterram na areia?”.
[10.16pm]
5 comentários:
ai ai ai, LINDO LINDO LINDO :|
essas metaforas lindamente usadas tornam o texto tão rico em sentimento!
sabes o que acho sobre isso, continua a atirar-te de cabeça, so assim se vive... senao quando olharmos para trás deixamos tudo pelo meio termo, tudo pelo 'assim-assim' como eu gosto de dizer.
estou sempre aqui!
pumpkin <3
está lindo ! e nota-se q tens uma enorme força dentro de ti, uma enorme vivacidade, fantastico :) *
historia de amor de Verão. Sente-se a força deste amor.
Parabéns. (:
realmente e não destuando dos comentarios feitos é incrivel a forma como te expressas rico em retórica escrita, rico em vocabulo, rico em coração...peço desculpa pela intromissão. cumprimentos.
a medida que se lê sente-se tanto aquilo que escreves, tão bonito! adorei (:
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