17/02/2014

~ balão-coração

«Feet, what do I need you when I have wings to fly?».

Amarrei-lhe uma fitinha para não voar tão alto porque, cheio de hélio e de sonhos, o meu balão-coração podia voar para longe e assim sempre o mantenho cá por baixo, em voos rasos. Além disso sempre que o fixava, lá no alto, doía-me o pescoço, tal como acontece de cada vez que te aprecio.
Mantenho também os pés bem assentes no chão, com medo de ser levada pela força do hélio e dos sonhos, ficando na ponta dos pés só quando é necessário, qual bailarina de ballet clássico sempre pronta a ficar de pontas.
Versátil, pratico as skills de hip-hop e axé ao levar-nos numa boa, alinhando contigo em movimentos soltos, descontraídos e, por vezes, de festa, em compassos de tempo sem qualquer tipo de pressa, aliando também o contemporâneo mas sempre com as regras e postura rígida do clássico presentes na cabeça.
Não sei como achas piada ao cabelo despenteado, ao sorriso demasiado generoso e às sobrancelhas desalinhadas e como consegues ser sempre tão atencioso e cuidadoso comigo mas também não sei explicar os meus próprios motivos – ou se calhar sei mas não o quero, para já, fazer , quanto mais arranjar respostas para ti.
Para já não quero saber de respostas, só viver no meio dos passos que andamos a dançar. O que te peço é que não te mandes de cabeça e continues a nadar comigo na parte menos funda da piscina, até porque temos todos os metros e quilómetros de azulejos que quisermos alcançar pela frente.
Até lá vou continuar a ter uma bóia debaixo do braço, as pontas em equilíbrio e a tua mão na minha, com a fitinha do meu balão-coração amarrada à volta do pulso, só por precaução.

[03.21pm]

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