É desta maneira que as histórias de encantar da Disney nos aumentam as expectativas em relação aos homens. Desde o Aladin, passando pelo amado da Pequena Sereia ao príncipe da Cinderela, a lengalenga, de tanto se repetir, já a sabemos de cor: eles aparecem na vida destas pobres e indefesas donzelas e viram-na do avesso. Enquanto o Aladin possui o seu tapete mágico e uma boa dose de humildade, o petit prince da Ariel serve-se do seu tonificado e escultural par de pernas e do seu sorriso pepsodente para causar boa impressão. Já o menino dos olhos da Cindi, com a sua educação de realeza e o seu majestoso cavalo branco representam um clássico. O que é que estes três têm em comum? Um único objectivo: impressionar a sua mais-que-tudo e, claro, conquistá-la.
O problema é que estes príncipes vivem no mundo do fantástico e parece que cada vez mais as mulheres tendem a esperar pelo protótipo do homem perfeito, ou seja, alguém que lhes encha as medidas e vista o estereótipo de príncipe encantado com os seus ideais puros e todos os cavalheirismos e mais alguns.
Pois é, princesas, podem culpar o velho Walt de vos ter invadido a casa em plena infância e de vos ter apresentado todos estes magníficos seres meramente fictícios. Eu cá vos digo que a única "lição" que podemos retirar da história da Cinderela é que ela é a prova escrita de que um novo par de sapatos nos pode mudar a vida (então se forem uns manolos ou uns louboutins, upa upa!). Contudo, e tal como eu estava a pregar, não caiam no erro de quererem ser uma Ariel e desejar aquilo que não podem ter, não se deixem levar pela cantiga do Aladin e da sua Yasmin, até porque o "mundo ideal" não passa de um sonho utópico. É exactamente isso: um sonho. E sonhar é grátis, meninas.
O meu conselho é que não tirem os pés do chão, deixem-se de altos voos e desçam do tapete até porque ele é tudo menos mágico e, se pensarem bem (vá lá, só um pequenino esforço), é neles, nos tapetes, que todos os dias limpamos os nossos sapatinhos de não-cristal.
O meu ponto é este: abram a pestana, belas adormecidas, não esperem eternamente pelo príncipe encantado com que tanto (ainda!) fantasiam. As relações quase nunca têm um "...e viveram felizes para sempre" no final e o conceito de homem perfeito não passa disso mesmo, de um simples conceito (oco, por sinal). Se deixarem que se enraíze nas vossas lindas cabecinhas e nos vossos inocentes corações a ideia de que há um Hércules, qual deus do Olimpo, por aí para cada uma de vocês, não vão conseguir ver a verdadeira beleza das coisas, que, a propósito, pode estar mesmo debaixo dos vossos narizes. Nenhuma de vocês é a Alice nem sequer estão no País das Maravilhas… certo?
Além disso, o mais parecido a um príncipe encantado bem ao estilo Disney que poderão ter não se escolhe por encomenda à la carte. As pessoas tornam-se naturalmente perfeitas aos nossos olhos quando passámos a conhecê-las melhor, com tudo a que temos direito, umas doses de qualidades e outras tantas de defeitos incluídas no menu, e quando as aceitamos assim, sem tirar nem acrescentar. Aí, quando isso acontecer, saberão que o vosso príncipe não precisa sequer de uma coroa, quanto mais do título.
Até lá, abandonem a síndrome Peter Pan de não quererem crescer e deixem essas ideias tontas para a Pocahontas. Apesar de vocês terem sempre todo o tempo do mundo (até porque uma princesa nunca chega tarde nem nunca se atrasa para nada, os outros é que chegam cedo), o vosso "príncipe", se assim lhe quiserem chamar, aparecerá quando menos esperarem, assim… como por magia. E, até lá – acreditem, princesas – ainda terão de lidar com alguns sapos.
[04.37pm]
E esta foi a minha crónica de tema livre para técnicas de expressão de português :)
E esta foi a minha crónica de tema livre para técnicas de expressão de português :)
9 comentários:
isso também serve de resposta ao teu post anterior menina Qel! 8D
Estás na área certa, sem dúvida!
Não escrevas um livro, não!! *
uau! muito bom quel! adorei :b aposto que houve um prof muito babado a ver essa composição ;b
junta-te ao clube XD !
Sim li :) está muito bem conseguido !
Parabéns!
Realmente tens toda a razão, eu era uma dessas princesas, que nunca se atrasava, e que sempre fantasiou com um fantástico de um príncipe. Descobri-o, adorei as suas qualidades, ate que depois reparei que o livrinho do menu tinha 2 folhas, mas já me tinha apaixonada pela pagina das qualidades... o walt esqueceu-se foi de referir na santa paciência que é preciso ter para “viver feliz para sempre” com os príncipes ;)
Com certeza vais ter uma óptima nota. (desculpa o anonimato, mas teve de ser) :)
que o 'quase' não seja pequenino? Para não voltar? :p
Meu deus Qel, conseguiste-me deixar de uma maneira. "Caiu-me tudo" por assim dizer. Tens um dom fantástico pela escrita, e essa conversa dos príncipes encantados, sem dúvida, deixaram a mente mais limpa a muita gente, aposto!
Um beijinho princesa :)
gostei muito (x
E viva ao pessimismo, hein.
Enviar um comentário