«The ties that bind us are sometimes impossible to explain. They connect us even after it seems like the ties should be broken. Some bones defy distance and time and logic; because some ties are simply... meant to be».Aposto que te chateaste com ela. Dois cigarros em como foi um momento de fraqueza da tua parte e eu era quem mais à mão estava para, secretamente, te vingares um bocadinho e acrescentares fermento ao teu pequenino ego.
Deve ter sido uma zanga feia, causadora de uma pitada de revolta interior alienada por uma certa nostalgia dos nossos velhos tempos. Dos bons velhos tempos, esclareça-se. Mais uma vez desabafaste comigo, indirecta e induzidamente, mas fizeste de mim, embora de uma maneira dissimulada, o teu predilecto confessionário. Não te esqueças que te leio nas entrelinhas, sempre te soube descortinar até ao âmago.
Um último favor é o que te quero pedir. Não venhas a correr para mim sempre que te desentendas com ela. Não se vieres em fuga. Eu não sou feita de sobras, não sou o resto do jantar que deixaste por comer, intacto, sobre a mesa, sabes? Podes deixar as falinhas mansas na borda do prato e arrastar os teus momentos deprimentes, humilhantes até, para o canto a par das ervilhas. Não deves mesmo ter a noção da figura que vestes de cada vez que me imploras misericórdia e apelas, sem cessar, para que pense em ti, ou tens?
Pois eu digo-te, poupando-te no latim e libertando-te dos esforços vãos, deixa-te disso, M.
Não tem nada que saber, as coisas são como te disse. Se te conforta, quero que saibas que lá por não me lembrar de ti não quer dizer que me tenha esquecido de nós, daquilo que éramos e do que estamos constantemente a tentar recuperar.
Não tem nada que saber, as coisas são como te disse. Se te conforta, quero que saibas que lá por não me lembrar de ti não quer dizer que me tenha esquecido de nós, daquilo que éramos e do que estamos constantemente a tentar recuperar.
Não precisas de me tentar comprar. Para quê insistires contigo mesmo em fazer de tudo para me manter? Eu não sou nenhuma boneca de porcelana que possas encostar na prateleira e dar como garantida. Não depois de me teres vendido numa rasca e domingueira feira de garagem.
Eu já não te pertenço, sobretudo quando me tentas usar como consolo durante os teus momentos de crise com ela. Eu nunca me permiti a ser o segundo recurso, M. e tu talvez, mas só talvez, melhor do que ninguém, devesses saber isso.
Eu não te estou a desvalorizar ou qualquer coisa que se pareça, não estou a pôr nada em causa, só te estou a pedir que páres com isso, não vale a pena. Não te estou a chamar falso, só não nos mintas mais. A mim e a ti próprio. (I'm not calling you a liar, just don't lie to me, reconheço-te na letra).
Eu já não te pertenço, sobretudo quando me tentas usar como consolo durante os teus momentos de crise com ela. Eu nunca me permiti a ser o segundo recurso, M. e tu talvez, mas só talvez, melhor do que ninguém, devesses saber isso.
Eu não te estou a desvalorizar ou qualquer coisa que se pareça, não estou a pôr nada em causa, só te estou a pedir que páres com isso, não vale a pena. Não te estou a chamar falso, só não nos mintas mais. A mim e a ti próprio. (I'm not calling you a liar, just don't lie to me, reconheço-te na letra).
Se eu realmente te fizesse falta, se tu sentisses verdadeiramente saudades minhas, de nós, lutavas mais, deixavas as palavras de lado a apodrecer juntamente com as ervilhas e passavas imediatamente para os actos, que é aquilo que interessa.
E, se não me engano, este déjàvu já to escrevi numa outra carta, há mil e uma vidas atrás.
Questionas-me se é recíproca essa tua angústia em relação a nós, perguntas-me se também eu tenho saudades tuas. Pois então interpreta-me assim: se por vezes me apetece cumprimentar-te com um abraço quando te vejo, em vez dos já quase habituais dois beijinhos que entre nós sempre foram demasiado informais? Apetece, mas não posso. Se há certeza que tenho é de que a vida não é feita de apetites, meu querido. Se gostava de partilhar algumas das minhas alegrias contigo? Quem me dera ser possível. Mas, estás a ver, ainda hoje seria um pouco embaraçoso. Nos momentos de tristeza profunda tu não me falhas, nem eu te perdoaria. Ainda é a ti a quem recorro quando assim é, disso não te podes queixar.
E eu penso que connosco vai sempre ser assim, venha quem vier e independentemente do que possa vir a acontecer, há laços que nunca mudarão e, apesar de tudo, entre nós há disso: sentimentos inegáveis, verdades irrefutáveis e laços inquebráveis.
Mas ainda podemos ir mais longe (oh, se podemos!) e eu sei bem que concordas comigo. Mas até lá é assim, c'est la vie, como tu dizes. Welcome to the real world. Reality meets M., M. meets reality. It's hard, isn't it? That's the way it is... but we will always have Paris, que é como quem diz, nós podemos não ter um baú atulhado de souvenirs dos nossos lugares mas teremos sempre as nossas recordações guardadas connosco, a nossa história imortalizada no nosso pequeno livro, no moleskine.
E, o mais importante de tudo, no final, ter-nos-emos sempre um ao outro. I'm count on that.
Mas ainda podemos ir mais longe (oh, se podemos!) e eu sei bem que concordas comigo. Mas até lá é assim, c'est la vie, como tu dizes. Welcome to the real world. Reality meets M., M. meets reality. It's hard, isn't it? That's the way it is... but we will always have Paris, que é como quem diz, nós podemos não ter um baú atulhado de souvenirs dos nossos lugares mas teremos sempre as nossas recordações guardadas connosco, a nossa história imortalizada no nosso pequeno livro, no moleskine.
E, o mais importante de tudo, no final, ter-nos-emos sempre um ao outro. I'm count on that.
[02.45am]
5 comentários:
adorei, escreves muito bem +.+
mafalda veiga é a melhor, sem dúvida alguma *
O meu 'moving on' é complicado precisamente porque existe um M. na minha vida.
"Se te conforta, quero que saibas que lá por não me lembrar de ti não quer dizer que me tenha esquecido de nós, daquilo que éramos e do que estamos constantemente a tentar recuperar."
Simplesmente fantástico, para não variar (:
Nunca deixes de escrever!
Beijinho *
P.S - Quase nunca comento.. mas quase todos os dias venho dar um espreitadela.. à espera de mais um texto que parece ler-me a alma a cada palavra (:
como eu percebo isto.
está muito bom, como sempre :)
lindo :')
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