Hoje vesti-me de negro e saí à rua. De cabeça erguida, deixei para trás todas as lágrimas que gastei, tristes aqueles que gostam de sofrer, que expõem a sua dor através de gemidos desesperados e rios salgados enquanto assistem ao enterro dos seus amores que jazem no cemitério.
Hoje esqueci-me do coração em casa. Trouxe apenas a minha sombrinha preta e os meus óculos escuros, não podia vir sem eles ao nosso funeral, meu querido. O nosso porque acredito que uma boa parte de nós – a melhor, para ser mais precisa, tenha partido juntamente com ele, com o nosso amor.
Encenaste o homicídio perfeito e nem tempo me deste para reagir, não me deixaste atirar-me para a frente da arma pouco segura pela tua mão trémula e hoje, ironicamente, estás aqui impávido e sereno enquanto enterram o nosso amor naquilo que irá ser uma campa de mármore gelado e impessoal. Já não lhe poderás sentir o cheiro, já não lhe aquecerás as mãos ou sequer respirarás fundo por toda a paciência que ele te roubava em jeito de brincadeira… tenho pena.
O meu coração partir-se-ia agora, se o tivesse trazido.
Vou só comprar uma rosa, vim só mostrar que até me importava um bocadinho com o falecido, afinal de contas levou uma vida bastante intensa. Sabes, se calhar até compro uma orquídea, dispenso coroas. E, não querendo negar o mais que óbvio, tu sabes como eu sou, aprecio muito esta coisa dos simbolismos, mesmo que não se cheguem a concretizar. Portanto, vou só ali até à esquina e já venho, que não sou de ficar a ver enterros e até já ando a fazer o luto do nosso amor pseudo-prematuro.
E tu, vais continuar aí especado a observar o nosso túmulo sem nada fazer?
Encenaste o homicídio perfeito e nem tempo me deste para reagir, não me deixaste atirar-me para a frente da arma pouco segura pela tua mão trémula e hoje, ironicamente, estás aqui impávido e sereno enquanto enterram o nosso amor naquilo que irá ser uma campa de mármore gelado e impessoal. Já não lhe poderás sentir o cheiro, já não lhe aquecerás as mãos ou sequer respirarás fundo por toda a paciência que ele te roubava em jeito de brincadeira… tenho pena.
O meu coração partir-se-ia agora, se o tivesse trazido.
Vou só comprar uma rosa, vim só mostrar que até me importava um bocadinho com o falecido, afinal de contas levou uma vida bastante intensa. Sabes, se calhar até compro uma orquídea, dispenso coroas. E, não querendo negar o mais que óbvio, tu sabes como eu sou, aprecio muito esta coisa dos simbolismos, mesmo que não se cheguem a concretizar. Portanto, vou só ali até à esquina e já venho, que não sou de ficar a ver enterros e até já ando a fazer o luto do nosso amor pseudo-prematuro.
E tu, vais continuar aí especado a observar o nosso túmulo sem nada fazer?
[12.17am]
10 comentários:
está fantástico mesmo!
Este post doeu, nada deveria ser tão contraditório :x
E a 'culpa' e a 'culpada' andam mesmo sempre de mãos dadas.
"E tu, vais continuar aí especado a observar o nosso túmulo sem nada fazer?
"Quero passar o resto da minha vida contigo, quero-o tanto!".
Atao? Não tenho a certeza se gostei muito deste texto... Já escrevi um que retrata a minha morte juntamente com o amor tambem e nem o posso reler...
Hmmm espero que seja so imaginado.
kiss
Não tenho a certeza se gostei deste texto; já escrevi um que retrata o meu homicidio, tb perfeitamente manipulado, juntamento com o amor que sentia... E não sei se não gostei deste por me fazer lembrar o que tambem já passei e as vezes que já morri ou por não ter a certeza de que esse teu texto é ficção! Espero que não estejas a morrer de verdade.
Beijos
Não tenho a certeza se gostei deste texto; já escrevi um que retrata o meu homicidio, tb perfeitamente manipulado, juntamento com o amor que sentia... E não sei se não gostei deste por me fazer lembrar o que tambem já passei e as vezes que já morri ou por não ter a certeza de que esse teu texto é ficção! Espero que não estejas a morrer de verdade.
Beijos
eu sei qu fiz mais q um... mas o primeiro nao gostei x)
God.. Eu fiquei de coração nas mãos.
hmmmm sim fico à espera de te encontrar no msn :) kiss
é preciso erguer a cabeça e seguir em frente, por muito que doa.
força *
Acredito que este texto não é sobre ti, ou pelo menos não retrata a tua realidade agora. Assim espero.
No entanto identifiquei-me (infelizmente) e, como sempre, emocionas-me com todas essas palavrinhas que escreves de forma tão perfeita*
beijinho
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