Hoje venho falar-te da minha vida. A ti, que és o que de melhor eu tenho, em jeito de agradecimento. Bem sabes que nunca fui de cortesias, simpatias ou ninharias, que sempre tive dificuldade nos 'obrigadas' e que sempre acabo por esquecer o milagroso 'por favor' no final das frases mas hoje finalmente decidi que o mereces mesmo.
Nunca fui muito dada às pessoas salvo as minhas pequenas excepções, o meu grupo habitual de saltos altos e baton na carteira. Nunca fui muito dada às pessoas, principalmente quando elas são do sexo oposto. Sempre me agradou um bom flirt, uma boa conversa aqui e uns pozinhos de "quem sabe um dia, talvez" acolá. Sempre me contentei com pequenos gestos manhosos e olhares malandros, sempre gostei de me divertir um bocadinho, voltando sempre à noite, tendo sempre consciência de que, no final de tudo, eu ainda me pertencia muito e somente a mim e a mais ninguém.
Um dia apanhaste-me nesses joguinhos de seduções onde a atracção impera, sabias as regras de cor e como sempre conviveste perto de mim, seguias-me desde o começo em todas as minhas investidas em casas erradas logo após o lançamento dos dados porque a gente anda sempre uma casa ao nosso lado e nunca está bem com aquilo que tem, quer sempre outro alguém que, pensamos nós, é quem nos vai valer visto que o pensamento comum costuma ser que "a galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha" – Até que acabamos por encontrar a pessoa que encaixa, a tal.
Já eu aproveitei, colhi as oportunidades e, como sempre faço com a vida, agarrei de braços abertos todas as incertezas e dúvidas que me trazias atreladas ao coração. Ao ficar contigo, não sabia que estava a dar razão ao destino, não sabia que ia ser assim, que um dia eu deixaria de ser só minha e passaria a partilhar-me com outro alguém e muito menos adivinharia que esse alguém serias tu. Um dia pregaste-me uma partida e eu tropecei. O tombo foi grande, tanto que nem sequer recuperei. Mas sabes que mais? Eu fazia troça das que se deixavam ir mas que não voltavam, das que se viam presas nas correntes do amor, das que depois não se sabiam sozinhas e faziam do outro alguém um motivo maior que elas próprias mas agora que te tenho comigo assim, agora que assentei, eu própria torço a mão à palmatória e agradeço com toda aquela dedicação, pompa e circunstância ao destino por te ter colocado na minha direcção no tal jogo de tabuleiro. Agradeço a todos os santinhos por te ter comigo, mesmo não acreditando em religiões porque afinal de contas, quem é que tem um namorado que nos leva a experimentar comida vegetariana num restaurante chic perto da praia? Pois, sou eu e ainda nem me consigo acreditar muito nisso.
A minha vida instável e de corda bamba está agora arrumada na estante junto às pessoas inconstantes que não partiram porque nem chegaram a vir e é com muito orgulho que as deixo lá prevalecer, antiquadas e poeirentas. É também com esse mesmo orgulho polido e uma pitada de vaidade inocente que te reconheço como o meu namorado, porque é isso que tu me és e eu não me canso de o repetir, e que te defino como uma prioridade. Não és o meu primeiro, é certo, mas és o mais a sério e, de longe, o único que esteve comigo desde o início sem que eu me apercebesse de tal. Jogaste sempre ao meu lado, por outras casas que não as tuas e, no final, a vida veio ditar-te o caminho correcto revelando-te que sempre pertenceras aonde sempre estiveras, a mim que sempre fui o teu lugar. Portanto, faz o favor de fazer como eu e de lhe agradecer.
[10.53pm]
11 comentários:
Eras como eu sou , aguardo agora para ver se também os nossos finais se assemelham . Espero bem que sim . Sê feliz (:
tu estás mesmo a viver one lovestory.
a fotografia está tão perfeita :3
e o texto, sem palavras..
Por muitos jogos q se joguem haverá sempre algum q nos trama, dessa maneira doce q amei ler.
:)
Acho que o que me chamou mais à atenção neste texto foi a simples (ou não) questão de dar a mão à palmatória. Com um elenco diferente, o vestuario e mais um promenores distintos.. o cenário é o mesmo. As falas são as mesmas, ou passos e marcações no palco muito idênticos. E diz-me, à primeira vez - segunda e terceira, de certo, também - não custa a encarar que bebeste daquela agua em que juravas não tocar? E não custa admitires que afinal estamos todos sujeitos a isto: entregar a razão ao destino? - é sem duvida a expressão mais simples e ampla!
Custa vermos, que no final de contas, não somos mais nem menos que os outros. E o que aos outros chega, também a nós há-de (e pode!) chegar, de uma maneira diferente é certo, pois nada é igual.
Um beijinho Quel* e sê muito feliz :)
escreves tão bem :O
que lindinhos :$
Adorei, escreves mesmo bem (:
Que queridos!
Um beijinho *
«Eu fazia troça das que se deixavam ir mas que não voltavam, das que se viam presas nas correntes do amor, das que depois não se sabiam sozinhas e faziam do outro alguém um motivo maior que elas próprias»
e eu sempre fui assim, acho que me está no sangue. Há momentos em que acho que é uma pena. Ás vezes gostava de ser muito mais desprendida porque isso só nos magoa ou então temos a tua sorte e encontramos "o tal".
Ainda bem que encontraste esse amor maior*
beijinho
Qel Maria, miminho pra ti lá no meu blog :)
Eu peço imensa desculpa :x
Só agora reparei que tinha cometido um erro ao escrever o teu nome - e tenho um outro erro no comentário.
Aqui fica a minha correcção:
*uns pormenores
e AGORA sim!
- Um beijinho Qel* e sê muito feliz :)
(desculpa mais uma vez)
Enviar um comentário