"Will always carry you in my heart, you'll always be my shooting star. Autumn days will fade away but memories will always stay the same (...)".Não consigo adormecer. Nem deixar de pensar em ti. Achei que esta fase já tivesse acabado, que por esta altura já me teria mentalizado de que a tua ausência será permanente e que todos os piores momentos, aqueles em que eu mais choraria, tivessem já ido embora e não me atormentassem mais fora de horas. Mas não. O pesadelo ainda continua e eu nem todos os dias consigo manter o sorriso que tenho andando constantemente a ensaiar. Eu bem que me visto às cores, parecendo que não assim ainda vou passando despercebida, sempre é melhor do que me reconhecerem o luto se me afundasse em negro dos pés à cabeça. Nos dias mais tristes lá me afogo no preto ou numa cor mais sóbria mas é impossível convencer o coração a deixar o casaco preto em casa pelo que ele insiste em andar com ele enfiado, sempre.
À bocado a revolta visitou-me uma vez mais. Disse-me umas coisas que, lá porque eu não tenha gostado de as ouvir, não quer dizer que não deixem de ser verdade. Ela e a mágoa lembraram-me, uma vez mais, que não me levaste contigo, que te esqueceste de mim aqui em baixo e eu acenei-lhes com a cabeça, que sabia disso. E sei mas não compreendo as razões, não tolero a maneira como me abandonaste, não sei se te perdoo teres preferido afastares-te de mim assim, desta forma que não dá qualquer hipótese de fuga, que não deixa espaço para manobras nem lugar para arrependimentos. Não entendo mas respeito pelo simples facto de teres sido tu e não outra pessoa qualquer porque eu também sei o quão tu gostavas de nós e, por isso, sei que talvez aquilo que eu tento imaginar que te terá custado tomar uma decisão destas não chegue nem de perto do sofrimento que conheceste.
Vou confessar-te que tentei passar por cima, pegar em tudo aquilo que me lembra de ti e guardar na estante mas nem isso ajudou. Só me fez ter mais saudades tuas, para ser sincera. Esforcei-me por não pensar muito na maior asneira da tua vida, e não intitulo de "asneira" por ter sido a última mas sim a maior e mais insensata de todas, tentei manter-me sempre ocupada, abstrair-me das nossas memórias, apagar os nossos lugares, distrair-me com pessoas... Tentei tudoem vão. Continuo a deambular pela tua casa todas as semanas sem excepção, agora que não vou lá com o propósito de estar contigo, de te contar as minhas novidades, fico mais vazia que nunca. Então, deito-me na tua cama e leio, leio muito e penso em ti e não me perdoo por ter sido tão idiota ao ponto de ter tentado passar uma borracha nalgo que foi escrito a caneta de tinta permanente, como a tua ausência.
Oh João, sinto tanto a tua falta! Ando com o coração fechado e apertado, aflito. Tenho saudades tuas e das tuas gargalhadas que se notavam mais nos teus olhos do que pelo som que faziam. Por acaso já tinha saudades delas antes de te teres ido embora. Se calhar foi por isso que quiseste ir, porque tinhas saudades de te rires à séria e quiseste procurar as gargalhadas que nunca mais voltaste a ouvir. Mas não sou só eu que tenho saudades tuas. A tia continua a ter aqueles instantes em que adopta uma expressão de olhar vago, isolando-se das pessoas, mesmo quando elas estão a conversar com ela. O tio nunca mais caçou e eu sei que nunca mais vai ter a coragem de pegar numa arma outra vez. Aliás, mandou-as retirar a todas de dentro de casa. Além de que continua a emagrecer a olhos vistos. A Rita não consegue conter as lágrimas de cada vez que te vai visitar à tua nova morada, nem quando não vai. O Nuno vai metendo para dentro, sabes como é que ele é, a prateleira dele fica escondida, bem perto do coração. A avó continua na mesma, estagnou no tempo e todos os dias pergunta porque é que não a levaram a ela em vez de ti. A mim cada vez me dá mais vontade de lhe contar as coisas como elas realmente se passaram. Ou passam.
Sabes, as pessoas dizem que eu sou forte mas aquelas que convivem de perto comigo não me atiram esperanças mascaradas como quem atira confettis no dia de carnaval, dizem que eu não tenho de me tentar fazer passar por quem não sou, que não sou forte nem preciso porque elas estão cá e têm as forças que eu não sou capaz de inventar. E assim eu sei que estou entre as melhores pessoas, mas nem por isso deixo de me lembrar de ti todos os dias, nem por isso a minha mente deixa de estar farta, o meu coração pára de doer e a minha alma deixa de pesar. Nem por isso eu me deixo de sentir gasta e nem por isso, nem por nada deste mundo, eu deixo de ter saudades tuas.
À bocado a revolta visitou-me uma vez mais. Disse-me umas coisas que, lá porque eu não tenha gostado de as ouvir, não quer dizer que não deixem de ser verdade. Ela e a mágoa lembraram-me, uma vez mais, que não me levaste contigo, que te esqueceste de mim aqui em baixo e eu acenei-lhes com a cabeça, que sabia disso. E sei mas não compreendo as razões, não tolero a maneira como me abandonaste, não sei se te perdoo teres preferido afastares-te de mim assim, desta forma que não dá qualquer hipótese de fuga, que não deixa espaço para manobras nem lugar para arrependimentos. Não entendo mas respeito pelo simples facto de teres sido tu e não outra pessoa qualquer porque eu também sei o quão tu gostavas de nós e, por isso, sei que talvez aquilo que eu tento imaginar que te terá custado tomar uma decisão destas não chegue nem de perto do sofrimento que conheceste.
Vou confessar-te que tentei passar por cima, pegar em tudo aquilo que me lembra de ti e guardar na estante mas nem isso ajudou. Só me fez ter mais saudades tuas, para ser sincera. Esforcei-me por não pensar muito na maior asneira da tua vida, e não intitulo de "asneira" por ter sido a última mas sim a maior e mais insensata de todas, tentei manter-me sempre ocupada, abstrair-me das nossas memórias, apagar os nossos lugares, distrair-me com pessoas... Tentei tudo
Oh João, sinto tanto a tua falta! Ando com o coração fechado e apertado, aflito. Tenho saudades tuas e das tuas gargalhadas que se notavam mais nos teus olhos do que pelo som que faziam. Por acaso já tinha saudades delas antes de te teres ido embora. Se calhar foi por isso que quiseste ir, porque tinhas saudades de te rires à séria e quiseste procurar as gargalhadas que nunca mais voltaste a ouvir. Mas não sou só eu que tenho saudades tuas. A tia continua a ter aqueles instantes em que adopta uma expressão de olhar vago, isolando-se das pessoas, mesmo quando elas estão a conversar com ela. O tio nunca mais caçou e eu sei que nunca mais vai ter a coragem de pegar numa arma outra vez. Aliás, mandou-as retirar a todas de dentro de casa. Além de que continua a emagrecer a olhos vistos. A Rita não consegue conter as lágrimas de cada vez que te vai visitar à tua nova morada, nem quando não vai. O Nuno vai metendo para dentro, sabes como é que ele é, a prateleira dele fica escondida, bem perto do coração. A avó continua na mesma, estagnou no tempo e todos os dias pergunta porque é que não a levaram a ela em vez de ti. A mim cada vez me dá mais vontade de lhe contar as coisas como elas realmente se passaram. Ou passam.
Sabes, as pessoas dizem que eu sou forte mas aquelas que convivem de perto comigo não me atiram esperanças mascaradas como quem atira confettis no dia de carnaval, dizem que eu não tenho de me tentar fazer passar por quem não sou, que não sou forte nem preciso porque elas estão cá e têm as forças que eu não sou capaz de inventar. E assim eu sei que estou entre as melhores pessoas, mas nem por isso deixo de me lembrar de ti todos os dias, nem por isso a minha mente deixa de estar farta, o meu coração pára de doer e a minha alma deixa de pesar. Nem por isso eu me deixo de sentir gasta e nem por isso, nem por nada deste mundo, eu deixo de ter saudades tuas.
[04.08am]
Até amanhã, Sol *
8 comentários:
aii o paulinho é charmosíssimo! 8D
Se eu soubesse escolher tão bem as palavras, se eu soubesse ordena-las tão coerentemente quanto tu, talvez um dia conseguisse escrever um texto igualzinho ao teu. Porque é isso tudo que eu sinto, tal-e-qual, isso e este nó sufocante na garganta sempre que a verdade se abate sobre mim.
E não, não precisamos de ser sempre fortes, mas uma vez por outra temos de o ser!*
Até amanhã menina bonita*
bem ou estou desde ontem á tarde a tentar escrever um comentario a este excelente texto mas como nao tenho conseguido escrever nada decente deixo-te apenas os meus enormes parabens e continua a deleciar-me!!
obrigado
beijocas Desinteressadas
consegui senti-lo :)*
Conseguisse eu exprimir-me tão bem como tu, conseguisse eu entender que tipo de sofrimento é esse, tentar ajudar. Mas não sei como é passar por isso. Não sei que palavras escolher e no entanto, no meio de todas elas, encontro apenas aquelas que me permitem dizer-te que és, sim!, uma pessoa forte. E acho que é essa força que te faz tentar ser feliz apesar do que aconteceu. Porque quem não é forte, desiste, e entrega-se à tristeza.
Já não passava aqui há imenso tempo. E espero que quando voltar já estejas melhor. :)
Um grande beijinho Qel*
A vida é uma prostituta e nós nem sempre lhe pagamos pelos seus serviços mal feitos. Bate á porta de todos, e cada serviço mais mal feito que a outro.
A ti ela fez-te o pior que poderia alguma vez ter feito. Desculpa se não sei bem escolher as palavras mas acontece que também a mim já me bateram á porta, apenas tive mais tempo que tu para reagir á consequência do toque .
Pode-te parecer mais que vulgar o que te vou dizer, mas a verdade é que o tempo é a morfina de que todos precisam em situações semelhantes, apenas nunca a dão em doses suficientes para esquecer ou rapido demais para nem sequer chegar a sentir a sério.
Hold on Qel :)
beijinho.
Oh Qel , lamento tanto . Gostava tanto de poder fazer algo que amenizasse essa dor . E não consigo sequer imaginar a sua imensidão . Lamento e lamento do fundo do meu coração . E , sinceramente , acho que isso nunca vai passar , mas isso apenas significa que o sentimento era verdadeiro . Agarra-te aos bons momentos . Sê forte quando puderes , chora quando quiseres .
p.s : eu sei que nao haverá um eclipse :)
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