É complicado escrever quando o único pensamento que vagueia pela minha mente se resume única e exclusivamente a ti. Contigo eu fico débil, anestesias-me os sentidos e congelas-me todas as minhas possíveis linhas de raciocínio como se de teias de aranha se tratassem. És a minha entropia porque o estado natural da nossa essência é o caos, és a filosofia de vida na qual eu me empenho no meu dia-a-dia, a minha contradição lógica preferida tatuada no meu lado esquerdo do peito, és a droga que me embala a alma e o desespero por mais uma dose, tu és o receio da felicidade que me invade a cada raio de sol matinal que me entra pela varanda do quarto adentro sem pedir licença. Não que eu tenha medo de ser feliz, longe de mim gostar de viver do vazio, é só que me transmites tanta paz que eu chego a temer se tudo não passará de uma mera partida da minha imaginação fértil, sabes? É que por vezes os nossos melhores talentos podem-se vir a revelar nas nossas piores tormentas.
Vês, eu bem te disse que a escrita não me rende quando te passeias pela minha cabeça de um lado para o outro. Não me leves a mal, continuas a ser a minha melhor fonte de inspiração, mesmo quando os teus passeios se prolongam pelo meu corpo quando te deitas ao meu lado e me sugas todas as forças só com um simples tocar, mesmo quando enterras a cabeça no meu peito e descansas de olhos fechados esperando que a respiração ofegante finalmente te abandone e me provocas um calafrio inexplicavelmente reconfortante ao longo da espinha, mesmo quando assassinas o meu pobre coração durante segundos, ou até quando me devoras num paradoxo de sentimentos, do querer e não dever porque o espaço e o tempo às vezes decidem fazer greve e não alinham todos os nossos chakras; mesmo quando me sinto Tua no sentido mais simples do termo, de todas as formas que me são possíveis de experimentar reter, em toda a plenitude da palavra, tu persistes como o meu amuleto e, embora não te traga pendurado num fio ao pescoço, mesmo que não te tenha guardado no canto do bolso mais recôndito da minha carteira, tu vens sempre comigo, com laços de amor atados em volta do meu coração, mesmo quando o matas e ele deixa, durante segundos, de bater.
[09.55pm]
10 comentários:
eu acho que a tua escrita rende, e muito quando escreves assim! é que está tão, mas tão bonito, que vai além disso. Está paz, amor, dos verdadeiros e dos bons, está tão amoroso e delicioso que me fez a mim ter vontade de sentir tudo isso!
beijinho Quel *
Fiquei de coração apertardo ao ler-te. Talvez por já ter vivido algo muito semelhante. E és de um escrita tão ternurenta q me comoves. :)
E eu só queria ter um amor assim. Fico tão feliz por o teres Quel. De coração.
Bebo sempre os teus textos. Exprimes o que sentes sempre com doçura e parece-me sempre que as tuas palavras fazem música. Obrigado por isso.
beijinho*
fiqui a chorar com este texto :)
O que é verdadeiramente maravilhoso nos teus textos, é que se consegue sentir que te saem do coração.
ai o amor ! :'D
O meu amor é parecido. :)
amores assim, valem a pena.
E não acho que a tua escrita não renda. Estou como a Marianinha, acho e rende e muito!
bonito amor :)
Pareces-me tão confusa. Mas se estás feliz, acho que só deves é continuar assim.
Quanto à escrita, nada de negativo a reportar. :p
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