18/08/2009

~ (in)afectados

- Lixo em mim? Só nas unhas.

Não sei o que se passa com vocês, pessoas de mentes entupidas de lixo. Têm visões deturpadas de uma realidade que não existe, a vossa vista é completamente turva e está contaminada com substâncias que, muito sinceramente, apesar de não saber o que se passa em concreto com vocês, penso estar apta para as transformar. Se ao menos me dessem essa oportunidade...
As vossas noções são todas distorcidas e baseadas em algo à partida errado que, honestamente, gostava que me explicassem do que se trata, mas aparentemente esse vírus que carregam impossibilita a vossa capacidade de comunicação e de se conseguirem expressar de uma forma, digamos, mais adulta. Se não querem remover a lixeira que vos atulha o cérebro, se preferem viver na sujidade, isso é lá convosco, não sou eu que vos vou convencer contrariando a vossa livre e espontânea vontade, de qualquer maneira a minha profissão também nunca foi a de lixeira, nunca tive muito jeito para esse negócio que é varrer ruas. Além disso já faz muito tempo que me deixei de me preocupar com pessoas que não valem a pena, que obtém prazer em bater com a cabeça na parede vezes e vezes sem conta e ainda para mais que não me dizem muito (se ao menos falassem...). Não as percebo, a essas nojentas criaturas casmurras com palas nos olhos como vocês, mas ao menos consigo-as respeitar. Respeito porque nada tenho a ver com isso e a minha consciência em relação a essa distância conveniente, graças ao meu senhor lixeiro, encontra-se tudo menos poluída.
Essa cegueira suja e voluntária é problema vosso, a maneira que adoptaram no meio de tantas outras de ver as coisas, é o vosso modo de vida que não vos foi imposto por ninguém. É uma opção e não uma obrigação. Desde que não se metam comigo, que se fechem no vosso mundo mas que não me dêem a chave, desde que não me arrastem a mim e aos meus convosco, não vejo porque me importar com isso, uma vez que já tentei, em vão, desinfectar-vos mas, e mais uma vez, polir passeios e limpar becos nunca foi a minha vocação.
Agora só espero que permaneçam assim, se fizeram escolhas, ainda que tenham como base suposições e deduções de julgamentos mal formulados, ao menos que as saibam manter e sabê-las permanentes, voltar atrás nas decisões tomadas não é coisa digna de pessoas de temperamentos estáveis e equilíbrios constantes e eu sei que essa vossa doença vos faz intitular-vos como tal. Se tomaram posições, que as assumam até ao fim. Não se atrevam também a esfregar-me na cara a imundice que se recusaram a lavar, culpando-me de resíduos que não acumulei. Se o experimentarem também não irá passar de mais uma tentativa falhada, afinal de contas eu mantenho um espaço considerável que me permite ter alguma segurança, falo da tal distância conveniente e com essa sei eu lidar. Além do mais sou uma pessoa saudável, tomo os comprimidos nos horários certos quando necessário mesmo quando desconfio das receitas aviadas, mesmo que a minha opinião divirja da do médico. No final, quem é que percebe mais de medicina? - Quem está por dentro da situação, quem vive o assunto, claro está (- E claro é sinónimo de limpo).
Eu cá ainda estou lúcida o suficiente para distinguir o que é correcto do que não é, ainda sei que não cometi asneiras uma vez que soube sempre separar as embalagens depositando-as nos sítios certos. Sabem, para mim é mais do que um estilo de vida, é o meu estilo de vida; trata-se de uma opção, não de uma obrigação.

[10.49pm]

13 comentários:

Inês Sousa disse...

obrigada :)
e mais uma vez, um texto fantástico!

N R disse...

"trata-se de uma opção, não de uma obrigação." - excelente frase. Também penso assim, cada um é livre de fazer o quer, mesmo que se queira destruir por achar isso divertido ou por ir na onda. Há muitas pessoas que estão mesmo cegas, que não têm a noção do que dizem e quando se tentam justificar parece que tomam tudo a brincar, sem qualquer dignidade para com as suas vidas. E enerva-me que se por acaso os tento avisar digam que eu não sei nada da vida, pessoas que atiraram a toalha ao chão mesmo antes de a encher de suor, esse tento não me meter muito, é melhor para todos.
Mas também há os que têm noção do que fazem, muito poucos, eu sei. Mas ainda conheço um ou dois e tenho por eles muito respeito, é a sua opção e respeito, tal como respeitam a minha, têm a mente aberta. Avisam muitas vezes, dizem-me para não me meter em certas coisas, que se arrependem, e falam com uma lucidez e sabedoria incríveis, sinto-me pequeno ao pé dessas pessoas e sinto uma pena muito grande por não conseguir fazer algo concreto por elas, apesar de tudo sei que são amigos de verdade, mais ainda do que alguns que não possuem o “vírus” e os tentam julgar a todo o custo, sem saber nada deles, mas que a sua frente se mostram "amigáveis".
Continua assim, de mente aberta e pronta a aceitar as opções dos outros, mostra uma grande maturidade. Mas, claro, sempre com a tua em primeiro plano, sempre só a ir onde a tua consciência te permite, assim consegues dormir sossegada. È pena que, tanto dum lado como do outro, haja poucas pessoas que se consigam manter assim. Parabéns por o conseguires.

(Obrigado pelo teu comentário. Sim, agora percebi, e deixa-me dizer que também gosto muito de te ler. Escreves muito bem, e sempre apresentando os dois lados, numa mensagem clara e de bom raciocínio. E, melhor que isso, é a tua mensagem. :D)

Joana M. disse...

Sê sempre limpa, por perfeita e consciente opção tua.

Genzo disse...

Não é uma citação, smp que coloco algo que não seja escrito por mim faço questão de meter entre aspas :)

É apenas uma frase seleccionada de um texto enorme que escrevi para uma pessoa, e que resume um pouco o significado de tudo o que lhe quis dizer, e por ser pessoal demais não o coloquei na íntegra, apenas uma pequena frase de algo importante.

Gostei do teu texto, embora (espero que não me crucifiques), acho que essas mentalidades e formas destorcidas de ver as coisas por parte de algumas pessoas ainda te incomodam, o suficiente para o expressares em texto, como que uma libertação da tua parte, tentaste, mas quando elas próprias não o querem, nada se pode fazer.

Aubergine. disse...

Não podia concordar mais.

um beijinho Qel *

C. disse...

Mais um excelente texto Qel. sem duvida que o que ha mais é gente de mente suja, imunda e impura. desde que sejamos sempre fieis a nos proprios e nao nos deixemos afectar pelo lixo dos outros (apesar de as vezes ser complicado), vivemos bem com a nossa 'reciclagem' :)

Débora disse...

que textão do cara#%@. :)

Anónimo disse...

Posso fazer-te uma pergunta?

Afonso Arribança disse...

É tudo uma questão de mentalidade, de maturidade e bom senso. Muitas vezes os três factores não coexistem em harmonia e depois dá naquilo que referiste: mentes entupidas de lixo.

Concordo com todo o texto.

Beijinho Qel*

Poppins disse...

Faz tudo por opção, e nunca por obrigação! :)

Bom texto.

Inês (?) disse...

Tanta verdade Quel , adorei .

A Coração disse...

Temos que conservar a nossa própria essência. Ser diferente não é mau. É tão bom ser quem somos.

Rita Silva Avelar disse...

identifiquei-me quase totalmente. bem escrito.