Tenho tentado não escrever sobre ti, mas como de tão bem me conheceres já deves conseguir adivinhar, ainda continuo a cair na tentação de preencher folhas brancas com resquícios daquilo que o meu pensamento repela. Ou tenta.
Tu bem sabes que, connosco, certezas foram convicções que nunca houveram, que a nossa história foi escrita com um lápis de carvão comum, daqueles enumerados que se vão desgastando na folha com o tempo; daqueles cujos escritos, com uma borracha, apagamos facilmente.
Hoje lembrei-me uma vez mais que, de tantos anos de convivência contigo, tenho apenas uma foto em que estamos juntos, o flash apanhou-nos desprevenidos, a nós e às nossas gargalhadas estridentes e distraídas. De nós sobrou-me – ou melhor, restou-me porque de ti nunca há sobras, de ti eu aproveito tudo – uma fotografia desfocada, desactualizada pelo tempo. Deve ser por isso que és o meu DiCaprio, deve ser por isso que te associo ao Jack, a única coisa que ainda guardo de ti é o teu (quase) amor e uma fotografia. Mas enquanto ele prevalece vivo somente no coração e na memória da Rose, eu prefiro manter-te bem quieto, numa folha de papel estável e constante, ao contrário de nós, a sorrir ao meu lado. Assim também tu, de certo modo, estás morto a par da nossa história que se afundou qual Titanic, ficando as nossas recordações submergidas algures num vasto oceano de memórias. Se algum dia as encontrarão não sei, mas duvido que alguém se dê ao trabalho de as procurar, já são tão antiquadas... Realmente acompanhar o tempo foi algo que nunca soubemos fazer muito bem, não foi?
Guardo também a rosa que um dia eu recusei mas que tu, insistindo, fizeste questão de me dar. Descansa que atirá-la borda fora, tal como a Rose fez com a prenda dela, é coisa que eu seria incapaz de fazer (e uma vez mais, tu sabes disso). E, enquanto que ela adoptou o apelido do seu Jack, eu prefiro continuar a ter Cascarejo no nome mas eu também sei que não te importas.
Contudo, para trás, igualmente no fundo do mar, fica a promessa silenciada pelas nossas bocas e selada por sentimentos de que vou ser feliz – aliás, já estou a ser – e ter muitos filhos com alguém que ame. Se foste o amor da minha vida ainda não te sei responder, sinceramente acho que nunca saberei ao certo, nunca entendi muito bem esta nossa história mesmo antes de termos embatido contra o iceberg, não que isso seja mau, torna-a única e só nossa, afinal de contas sempre soubemos lidar com ela – ou não tivéssemos sido nós, para além de protagonistas, os autores – mas que tiveste a força semelhante a um desses tais amores que, segundo ouvi dizer, só se tem uma vez na vida, disso podes estar certo. E eu sei que estás, para ti nunca foram precisas grandes explicações.
Espero que estejas bem, como o habitual, e que nunca deixes de me guiar como sempre fizeste até agora, embora tu ainda estejas à espera do barco salva-vidas e eu já tenha sido recolhida por um. Espero que apanhes um desses também, N, tal como eu fiz.
Hoje lembrei-me uma vez mais que, de tantos anos de convivência contigo, tenho apenas uma foto em que estamos juntos, o flash apanhou-nos desprevenidos, a nós e às nossas gargalhadas estridentes e distraídas. De nós sobrou-me – ou melhor, restou-me porque de ti nunca há sobras, de ti eu aproveito tudo – uma fotografia desfocada, desactualizada pelo tempo. Deve ser por isso que és o meu DiCaprio, deve ser por isso que te associo ao Jack, a única coisa que ainda guardo de ti é o teu (quase) amor e uma fotografia. Mas enquanto ele prevalece vivo somente no coração e na memória da Rose, eu prefiro manter-te bem quieto, numa folha de papel estável e constante, ao contrário de nós, a sorrir ao meu lado. Assim também tu, de certo modo, estás morto a par da nossa história que se afundou qual Titanic, ficando as nossas recordações submergidas algures num vasto oceano de memórias. Se algum dia as encontrarão não sei, mas duvido que alguém se dê ao trabalho de as procurar, já são tão antiquadas... Realmente acompanhar o tempo foi algo que nunca soubemos fazer muito bem, não foi?
Guardo também a rosa que um dia eu recusei mas que tu, insistindo, fizeste questão de me dar. Descansa que atirá-la borda fora, tal como a Rose fez com a prenda dela, é coisa que eu seria incapaz de fazer (e uma vez mais, tu sabes disso). E, enquanto que ela adoptou o apelido do seu Jack, eu prefiro continuar a ter Cascarejo no nome mas eu também sei que não te importas.
Contudo, para trás, igualmente no fundo do mar, fica a promessa silenciada pelas nossas bocas e selada por sentimentos de que vou ser feliz – aliás, já estou a ser – e ter muitos filhos com alguém que ame. Se foste o amor da minha vida ainda não te sei responder, sinceramente acho que nunca saberei ao certo, nunca entendi muito bem esta nossa história mesmo antes de termos embatido contra o iceberg, não que isso seja mau, torna-a única e só nossa, afinal de contas sempre soubemos lidar com ela – ou não tivéssemos sido nós, para além de protagonistas, os autores – mas que tiveste a força semelhante a um desses tais amores que, segundo ouvi dizer, só se tem uma vez na vida, disso podes estar certo. E eu sei que estás, para ti nunca foram precisas grandes explicações.
Espero que estejas bem, como o habitual, e que nunca deixes de me guiar como sempre fizeste até agora, embora tu ainda estejas à espera do barco salva-vidas e eu já tenha sido recolhida por um. Espero que apanhes um desses também, N, tal como eu fiz.
[09.05pm]
27 comentários:
juro que amei.
fantástico este Raquel. :)
senti-o.
beijinhos.
Apaixonado, simples, magnifico, :$
ok querida :)
xufia_paiva_21@hotmail.com
eu nao ando mt por aqui :/ mas tenho que ver se escrevo mais alguma coisa :) e ja tenho saudades ler os teus textos! :p
beijinho
É que é mesmo :)
Gostei imenso do texto +.+
Que bonito !
*.*
gostei muito.
Tens com cada texto. Estou fascinada! *
Tu escreves tão bem, que tudo o que poderia dizer acerca dos teus textos fica perdido e parece tão pouco comparado com o que escreves. Tudo o que poderia dizer não chega para qualificar o que leio aqui. Está simplesmente perfeito. E perfeito é pouco...
joan_inha_01@hotmail.com :)
Está lindo.
Consegui perceber, e sentir cada palavra que escreves-te.
Senti-o como tivesse sido eu a escrever :)*
«Se foste o amor da minha vida ainda não te sei responder, sinceramente acho que nunca saberei ao certo, nunca entendi muito bem esta nossa história»
nem eu sei...
tens doçura na escrita
está maravilhoso o texto, parabéns.
um beijo grande.
está cheio, mas cheio de sentimentos tão fortes, seguros, e apaixonantes!
uma história dessas, um amor desses, é único - tens razão! :)
beijinho Quel, *
oh , está lindo , lindo , lindo :$
Tu tens tantos raios de sentimento, tanta carruagem de letras num texto, fazes-me sempre viajar por entre elos de ternura. Adoro.
AMEI AMEI AMEI o texto! *.* nem tenho palavras! Sabes que sempre gostei dos teus textos. Eu sei que estou a dizer sempre o mesmo xD
beijinho
acredita que nao precisas de agradecer :$
Mais um texto lindo. E mostras muita maturidade pela forma como encaras a tua anterior relação, sem sentimentos negativos, tentas ficar com as boas memórias e desejas o melhor para ele. Muito bem, isso é mesmo muita maturidade. :D
tens mesmo muito jeito para escrever!
parabéns :)
Parece mesmo que tiveste ou tens uma história parecida com a minha. É interessante isso embora não deseje isso a ninguém. Não por causa do sentimento que carrego. Esse é belo, mas sim pela situação em que esse sentimento cresceu. Exaustivo.
um beijinho no coração Quel*
Aqui está. adriana.pinta.piu@gmail.com
Beijinhos
Hoje, mais do que nunca, gostava de te dizer alguma coisa. Ma há dias em que sorriso (que esconde tantas coisas) fala bem alto.
está tão, tão bonito Qel. Sabes, cada vez gosto mais de te ler.
um beijinho.
caiu-me uma lágrima, só de ler .
muito bonito, vou seguir :)
terei muito gosto, peakofdream@gmail.com
Tens mesmo um dom Qel, consegues escrever de uma maneira única.
Encantas-me mesmo !
escreves bem bem bem :) parabens
Encantaste-me. Adorei a comparação com a história do Titanic
Há tantas coisas que não entendemos e ficam afogadas no fundo do mar.
Texto tão lindo.
:)
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