07/06/2009

~ um não-sei-quê permanente

"É um não querer dizer e estar dizendo, é (...) um não sei quê que não entendo".

Hoje és tu a razão por que escrevo. És tu que voltas encavalitado nas linhas e que me preenches as folhas repletas de sonhos e cheias de doces memórias com cheiro a baunilha envolta em lavanda e recordações de fundo de gaveta.
Há juras que são feitas para ser quebradas e a promessa de que nunca mais te incluiria nos meus devaneios pessoais é uma delas porque, apesar de todas as nossas incompatibilidades nos terem condicionado a partir do momento em que ultrapassamos as barreiras do silêncio individual dos sentimentos, eu aprendi a ver que, tal como o amor não é temporário, tu és permanente no sentido mais simples do termo.
Agora eu tenho a certeza que os anos que tentaram intensificar o nosso abismo não o conseguiram fazer e que, por mais pessoas que possam aparecer nas nossas vidas e por mais encruzilhadas que se atravessem nos nossos caminhos, eles cruzar-se-ão sempre num ponto, seja ele qual for, porque os nossos destinos foram escritos em simultâneo e premeditados para se reencontrarem as vezes que forem necessárias durante a nossa existência. – Tu estarás sempre comigo.
As palavras serão repensadas, os gestos hesitantes continuarão a fazer parte das nossas vivências assim como os olhares serão tímidos e contidos, como sempre foram desde que nos deixámos levar pelo descontrolo das sensações de um qualquer não-sei-quê que nunca entendemos muito bem mas com o qual sempre soubemos lidar, talvez por sabermos tratar-se de algo muito nosso.
Porém, eu sei que permanecerás sempre, que perdurarás ao longo do tempo, ainda que de vez em quando nos ausentemos dos trilhos um do outro, porque só assim é que conseguimos seguir em frente e avançar à nossa maneira, pois por mais contraditório que possa parecer, só assim é que eu e tu funcionamos. E porque és tu quem me lança sempre as cordas da minha salvação no derradeiro momento dos meus afogamentos, por maior que seja a distância a que te encontres de mim e ainda porque, à medida que o tempo passa, me tens vindo a dar a conhecer essa mesma importância.
No fundo, sei que te preocupas comigo e que não o dizes directamente pelo facto de saberes que o consegues demonstrar e que eu bem o sei interpretar e reconhecer. E, tal como tu és confiante e sabes que não é necessário evidenciar o óbvio, também eu não preciso de confirmar se sinto esse carinho especial que aparentas guardar por mim, ou não fosse muito nosso este não-sei-quê que é dito sem ser falado, visto sem ser assumido e sentido sem que seja afirmado.
Para mim és e sempre serás tu, e como não faria sentido deixar-te incógnito como se fosses uma fantasia anónima cuja identidade tivesse sido ocultada por mim, eu acrescento ao fundo da nossa gaveta que, para mim, és e sempre serás tu a ocupar um lugar privilegiado em mim, NM. E ambos sabemos o motivo de eu não ser "Aquela" para ti e vice-versa – porque simplesmente não dá – mas, contudo, nem eu serei "a outra" nem tu jamais serás "o outro".
Para mim, és e serás sempre tu. E isso basta.

[02.08am]

14 comentários:

Matilde Cê disse...

afinal, ainda chovem amores bonitos.
[]

Ana" disse...

Li e gostava de poder dizer algo bonito (isso é estupido), mas não consigo! Juro q me deixaste sem palavras , o texto tem todo o sentimento tão bem explanado :$

Sem falar q em cada linha revi-me, o que me deixa ainda com mais calafrios! *

Pê disse...

Quando leio os teus textos imagino-te a pegar em corações e a escrever com eles. Não é a tinta, é emoção que preenche o branco que se apresenta diante de ti.

Que queres que te diga? Deixo-me seduzir pela tua escrita... (':

Mara disse...

«és confiante e sabes que não é necessário evidenciar o óbvio, também eu não preciso de confirmar se sinto esse carinho especial que aparentas guardar por mim, ou não fosse muito nosso este não-sei-quê que é dito sem ser falado, visto sem ser assumido e sentido sem que seja afirmado.»

gostei tanto Quel.
Identifico-me imenso. Emocionaste-me e gostei especialmete da parte de nunca serem o "outro" e a "outra" um para o outro. É possível amar assim. Compreendo-te mais do que imaginas.

beijinho

ANITA disse...

é uma verdade tão certa,é bom sentir um futuro tao certo na sua incerteza e no entretanto fixar o olhar,no homem que em pranto se escusa a chorar...é que nem linha nem entre linha saem do livro p'ra ajudar mas não é preciso falar...nós sabemos!

gostei!(:

Afonso Arribança disse...

Na nossa vida, existe sempre alguém que será "a tal" pessoa. Essa pessoa é normalmente aquela que entra no nosso coração, e aconteça o que acontecer, não sai dele.
Adoro as tuas palavras.

Afonso Arribança disse...

o mail é: afonsoa@live.com.pt

José Silva disse...

muito bonito.

Diogo Silva disse...

Ai que sorte ainda apanhei o teu blog público já não vinha aqui a tanto tempo que nao vi o comentario que fizeste no meu blog a dizer que ias privar e vim ca loguinho =D ta cm este mail diogo_mach11@hotmail.com ja podes adicionar pk tenhu todo o gosto em ca vir ler =0) Um texto mais uma vez espectacular lindo lindissimo mesmo =D mais uma vez de parabens*
beijinho*

Inês (?) disse...

Oh quel , gostei tanto . Tenho uma situação similar . Um alguém que eu sei que ainda se preocupa e que é , em parte , meu e vice-versa . Mas não são necessárias palavras ou grandes contactos . Sabe-se , sente-se . Isso basta .

Mafalda disse...

Acho que foi o primeiro texto que não percebi de quem estavas a falar. Mas está excelente, a sério que sim minha Qel (.

Ana Moreira disse...

Deve ter passado por esta zona ma "maré" de declarações de amor ou lá o que isto é :S
Qel, na minha maneira de ver as coisas, se não és a "outra", és "aquela". Doutra maneira serias nada e depois de ler tudo isto custa-me a crer que assim seja.
Beijinho enorme,
espero em breve encontrar aqui fotos com o teu lindo sorriso que eu a-d-o-r-o!

David Pimenta disse...

a frase que deixaste no meu blog inspirou-me, qel.
será que vale a pena repetir e salientar o encanto que as tuas palavras provocam ?
repito o que a ana disse: espero encontrar fotos com o teu sorriso muito brevemente.
(:

Marianinha disse...

estou de lágrimas dos olhos, parece que entraste em mim e escreveste tudo aquilo que eu estava a sentir e não conseguia explicar.
Sabes Quel, tenho uma história que pode ser diferente da tua, mas é igual ao que aqui escreveste nestas linhas gerais mas que traçam o sentimento tão forte e tão profundo. Eu nunca serei "aquela" para ele, mas também nunca serei a outra, vice-versa. E não dava, não resulta, e são coisas que não se explicam, sentem-se, e que não dá para definir e encontrar um motivo, acontecem!