Meu querido, andamos a saltar de situação em situação sem nunca resolvermos aquela que iniciamos, sem sabermos o que falhou e o que deu certo. Ou melhor, tu andas. Pelo menos foi o que o sete de espadas, triunfante, te ditou. Não sei exactamente qual é a tua razão agora ou se tens alguma sequer. Não sei ou não quero saber, simplesmente nada que não esteja ao meu alcance em relação a ti me interessa.
Contudo, continuo a achar amorosa a maneira como te ris; como deixas que o teu corpo se incline ligeiramente para trás ao mesmo tempo que, como que deliberadamente, encolhes os ombros e levas a mão à boca num gesto tímido que não combina com a pessoa desinibida que és. Porém não destoa quando o teu sorriso – tão bem escondido quanto um gato com o rabo de fora – consegue espreitar por entre os teus delgados dedos e os teus olhos expressivos cor de azeitona se tornam pequeninos e se semi-cerram no seu rasgar característico.
Ainda assim, continuo a achar adorável a forma com que se desenha o trejeito que quase se confunde com uma covinha na tua bochecha direita.
Descrições à parte, não me posso esquecer que o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés, e tu não constituis uma excepção à regra. Não é que eu me preocupe com isso ou que me sirva da comparação como desculpa para as minhas 'acções passivas', mas tanto tu como eu possuímos um grande amor-próprio e, mais do que isso, e por causa de todas as nossas divergências, também ambos sabemos muito bem o enorme orgulho que connosco carregamos sem sequer sentirmos o seu peso. (E isto, meu amor, é um facto. E contra factos não há argumentos).
Ainda assim, continuo a achar adorável a forma com que se desenha o trejeito que quase se confunde com uma covinha na tua bochecha direita.
Descrições à parte, não me posso esquecer que o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés, e tu não constituis uma excepção à regra. Não é que eu me preocupe com isso ou que me sirva da comparação como desculpa para as minhas 'acções passivas', mas tanto tu como eu possuímos um grande amor-próprio e, mais do que isso, e por causa de todas as nossas divergências, também ambos sabemos muito bem o enorme orgulho que connosco carregamos sem sequer sentirmos o seu peso. (E isto, meu amor, é um facto. E contra factos não há argumentos).
[09.58pm]

9 comentários:
Somos mais já. :)
Bonito.
É a tal, não é?
O orgulho, o nosso pior aliado, melhor inimigo.
«o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés»
Isto ficou-me.
Qel *
É íncrivel como todas nos deixamos encantar por olhos rasgados cor de azeitona e como esses mesmo olhos não veem o rabo que deixam de fora enquanto tentam esconder o corpo e o coração.
O facto é que se escrevemos, gostamos... E contra isso, infelizmente, também não há argumentos.
Adorei o texto, como sempre :)
Um grande beijinho
Adorei. E a frase "o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés" fez-me reflectir sobre tanto.
Sabes, por causa do maldito orgulho eu e o meu (ex-) melhor amigo , q por acaso é o tipo de quem gosto, deixamos de nos falar. É estupido, e tenho noção, e no entanto nao consigo mudar isso.
Os humanos e os seus sentimentos/afectos sao algo de estranho :/
Beijinho *
"o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés" concoordo plenamente. *
ambos sabemos muito bem o enorme orgulho que connosco carregamos sem sequer sentirmos o seu peso. (E isto, meu amor, é um facto. E contra factos não há argumentos).
esta tudo dito.
bjo e boa semana
"o homem é como um gato, se o perseguirmos ele vai correr, se nos sentarmos quietinhas e o ignorarmos ele vem ronronar aos nossos pés" , é mesmo verdade.
adorei o texto =)
bjs
Deixa lá isso, destroca fácil e joga o "desconfia" ;p
Oh miúda este blog tem o condão se nos fazer ficar com outro astral :)
muito bom, em alta oh! adorei. :)
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