Vamos jogar um jogo em que quem dita as regras sou eu. Nada de perguntas. Não questiones, não desenhes pontos de interrogação no ar nem te preocupes. O primeiro passo é abraçares-me, só. Beijares-me a testa, deitares-me no teu colo e fazeres-me festinhas no cabelo. Limpares-me as lágrimas e dizeres-me que “tudo vai correr bem. Já passou, princesa, já passou…”, mesmo que não seja verdade. Neste jogo podes mentir, fingir e disfarçar. Podes abafar-me a mágoa que se instalou cá dentro e amansares-me o coração agitado. Quando lançares o dado deves embalar-me com as tuas melodramáticas melodias e perguntar-me, baixinho, “sabias que és a minha princesa?”. Vale tudo e o desafio é consolares-me a alma, aconchegares-me em ti e fazeres-me juras – não de amor mas de amizade eterna. Aqui, eu vou saber que não estarás a mentir mas sim a quebrares uma regra antes de a conheceres. Tens que me jurar que estarás sempre comigo onde quer que eu esteja para me reconfortares e cuidares de mim, tal como sempre fizeste.
De seguida, moves-te sete casas para a esquerda, que é a direcção da tua morada em mim, porque o número sete, mais do que o da intelectualidade ou da cultura, é o número da racionalidade perfeita e resulta sempre, mesmo para quem pensa com um coração molestado, e garantes-me que vais tentar nunca me desiludir ou sequer magoar porque quem desilude é porque decepcionou uma infiel expectativa de outrem e quem magoa nem sempre o sabe. Assegurar-me-ás que nunca me irás falhar e que, apesar de não me conseguires proteger de quem me possa fazer mal – porque isso é e será sempre um erro colossal que nunca ninguém conseguirá prever antes de o tentar resolver, como se de uma casa a menos no nosso jogo de tabuleiro que se esqueceram de calcular e que surge quando o dado atira seis redondas pintas para cima da mesa se tratasse –, continuarás a combater esse papão que todas as noites dorme em cima do meu telhado.
Mesmo quando este nosso jogo acabar, mesmo que a carta que, à sorte, retires do baralho te diga “game over”, continua a cuidar de mim. Prometes?
De seguida, moves-te sete casas para a esquerda, que é a direcção da tua morada em mim, porque o número sete, mais do que o da intelectualidade ou da cultura, é o número da racionalidade perfeita e resulta sempre, mesmo para quem pensa com um coração molestado, e garantes-me que vais tentar nunca me desiludir ou sequer magoar porque quem desilude é porque decepcionou uma infiel expectativa de outrem e quem magoa nem sempre o sabe. Assegurar-me-ás que nunca me irás falhar e que, apesar de não me conseguires proteger de quem me possa fazer mal – porque isso é e será sempre um erro colossal que nunca ninguém conseguirá prever antes de o tentar resolver, como se de uma casa a menos no nosso jogo de tabuleiro que se esqueceram de calcular e que surge quando o dado atira seis redondas pintas para cima da mesa se tratasse –, continuarás a combater esse papão que todas as noites dorme em cima do meu telhado.
Mesmo quando este nosso jogo acabar, mesmo que a carta que, à sorte, retires do baralho te diga “game over”, continua a cuidar de mim. Prometes?
[01.08am]

7 comentários:
é um jogo a dois em que só um dos lados conhece as regras ?
Obrigada ;)
Acredito bem que sim, quando vier logo digo :D
Beijinho.
também quero jogos assim.
como eu gostava de poder jogar um jogo desse tipo. :')
beijinhos Qel.
"porque quem desilude é porque decepcionou uma infiel expectativa de outrem e quem magoa nem sempre o sabe."
adorei qel.
Mesmo quando este nosso jogo acabar, mesmo que a carta que, à sorte, retires do baralho te diga “game over”, continua a cuidar de mim. Prometes?
Que texto lindo (:
Há jogos que se parecem com os da cabra-cegas: só fazem sentido quando se jogam de olhos fechados, sem ver nada; só os apalpões valem.
adorei o texto
e o jogo parece-me muito bem,é um jogo que nos faz sentir melhor, que nos faz sentir que não estamos sozinhas e nos faz crescer nem que seja por um momento =)
bjs
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