Acreditas no destino? Crês em coincidências? E em segundas oportunidades?
Sabes João Maria, eu comecei a questionar as minhas descrenças a partir do momento em que te conheci no sul, em pleno Atlântico, na mesma praia onde a minha prima Rosarinho conheceu o (agora) marido – aquele de que já estava noiva quando também ta apresentaram; interroguei-as a partir do instante em que chegamos à conclusão de que, graças aos nossos gostos musicais idênticos, estivemos nos mesmos concertos meses antes de nos conhecermos ou até que passamos os mesmos dias na mesma cidade estrangeira. Fi-lo quando me apercebi que já muito tinha ouvido sobre ti sem sequer te ter associado às histórias que o meu primo Gil me contava sobre as aventuras dele com os amigos; quando banalmente me falaste da tentativa da minha tia em parecer chic com a sua mala Carolina Herrera e eu me lembrei imediatamente de ti e fui assaltada por uma vontade imensa de rir e comentar contigo a ‘chiqueza’ da minha família afastada em cumprimentar as pessoas com um só beijinho (aposto que te teria dado um gozo tremendo veres-me ficar com a cara pendurada). Questionei ainda mais o meu cepticismo quando reparei que o teu nome snob, para além de condizer com a tua maneira de vestir e de falar – que se torna muito particular e um tanto quanto sexy devido à tua rinite alérgica –, era igual ao da minha mãe só que ao contrário.
Foram estas as “possíveis coincidências do destino”, ou algo do género, que desde logo, inconscientemente, me fizeram sorrir quando dei conta do quão inocente estava a ser achando a tudo, incluindo-te a ti, uma certa piada por causa de (meros) acasos.
Quando as (nossas) férias acabaram, não pensei que trouxéssemos connosco na bagagem a amizade que criamos nas dunas ou a cumplicidade que alimentamos em brincadeiras de água salgada. Pelo facto de no início teres sido o meu jogo experimental, o teste para o qual eu ia já mentalizada, como começaste por ser o cumprimento da promessa que fizera a mim mesma uns tempos antes (como conseguir ser capaz de picar sem deixar ferrão, metaforicamente falando), foi incrivelmente surpreendente quando abri a mala que tinha a palavra “Algarve” na etiqueta impressa e me deparei com a cumplicidade e a tal amizade que lá colocaste minutos antes da partida, sentindo-me logo familiarizada com tais sensações que eram tão peculiarmente nossas. E isso, meu bichinho boomerang, isso foi a confirmação de que eu tanto precisava, a prova de que consigo picar sem morrer qual abelha-rainha ainda com mel por encher a colmeia.
Depois da nossa ‘pseudo-história’, há dias em que tudo parece estar a regressar aos poucos quando me falas com a tal cumplicidade, que desde então ainda temos conseguido vir a manter, à espreita no bolso do teu casaco aconchegada junto ao tabaco light que, por mais estranho que possa parecer ou por mais coincidente que possa ser, é da mesma marca que o meu.
Agora que crescemos um bocadinho mais, que amadurecemos, temos mais pontos do nosso lado e vantagens que jogam a nosso favor porque agora sabemos até onde nos é permitido ir, até onde vão os nossos limites individuais e conhecemos muito melhor os nossos fracos e fortes.
Agora que crescemos um bocadinho mais, que amadurecemos, temos mais pontos do nosso lado e vantagens que jogam a nosso favor porque agora sabemos até onde nos é permitido ir, até onde vão os nossos limites individuais e conhecemos muito melhor os nossos fracos e fortes.
Ah! É verdade, a Rosarinho e o Afonso namoraram na “nossa praia” quando tinham a nossa idade, terminaram durante anos e depois acabaram inevitavelmente por voltar um para o outro. Não é irónico?
E sabes, João Maria, às vezes penso como seria se (te) voltasse a picar e o que aconteceria se (te) deixasse o ferrão de vez.
E sabes, João Maria, às vezes penso como seria se (te) voltasse a picar e o que aconteceria se (te) deixasse o ferrão de vez.
"A man never knows how to say goodbye; a woman never knows when to say it".
[09.03pm]

13 comentários:
Ó meu deus, estou parva ou melhor néscia. Mas que sou boa fotógrafa sou!
Surpreendes-me todos os dias, TODOS OS DIAS! Ly forever.
"a man never knows how to say goodbye; a woman never knows when to say it".
Adorei .
o final está esplêndido!
"Agora que crescemos um bocadinho mais, que amadurecemos, temos mais pontos do nosso lado e vantagens que jogam a nosso favor porque agora sabemos até onde nos é permitido ir, até onde vão os nossos limites individuais e conhecemos muito melhor os nossos fracos e fortes."
e como este, todos os outros pedacinhos deste texto estão muito bons!
Adorei :D
beijinhos*
Temos de ter uma pontinha de sonhos; acreditar, por vezes, em algo que não conseguimos explicar.
Se fosse realmente a "vossa praia"?
Gostei particularmente do final. :)
Adorei!! :D
Parabéns pelo blog.
Beijinho*
(só agora descobri que me adicionaste no hi5 e que tinhas um blog) xD
Oh, muito obrigado :)
Também tens aqui umas belas dumas quantas frases e ideias, adoro ;)
Beijinho. *
ta incrivel sabes? sentime com os meus 15 ou 16 anitos quando tudo era uma grande grandi aventuraaaaa* a praiita e os momentos com akelas pessoas especiais veio-me tudo a cabecita. mais um texto excelente =D
os teus textos são sempre tão bonitos, tão cheios de sentimento. adoro :)
*
Obrigado. José, encantado em conheçe-la ;D
Estou pura e simplesmente deliciada!
Não me acredito no destino, em coicidências, hum, não sei, gosto muito pouco e custa-me crer que existam. Acredito plenamente em segundas oportunidades.
AI FALECI! FALECI!
ao contrario de toda a gente , gosto mais do inicio :) o final ja tinha debatido ctg, talvez por isso ahah
a filipa tem razao, ela é boa fotografa e eu tenho memoria de elefante pq lembro-me de cada pormenor desse dia e foi mais importante para ti do que para mim, mesmo com o que se passou comigo tambem (sou mesmo tua amiga (a))
é que nem vou dizer nada acerca do miudo pq ja to disse montes de vezes e tao "cegamente" xD
love you, as always ;)
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