"Love is not a place to come and go as we please,it's a house we enter in and then commit to never leave. So lock the door behind you, trough away the key"
Com a caneta mais vistosa na mão e o manual dos devaneios a descansar em cima da secretária, digo-te que és a minha conjunção constante. Vens e vais e chegas e voltas a ir mas no final regressas sempre para mim, que sou a meta da tua corrida eterna e a chegada que levas contigo desde o ponto de partida, o ressoar do tiro e o sinal da bandeira baixada no princípio da maratona.
Apareceste anteontem e ontem foste embora. Hoje estás aqui mas amanhã por esta hora já te terás ido. Depois de amanhã passas de novo por aqui e no dia a seguir justificas, uma vez mais, estar só de passagem. Contigo é (sempre) assim, sucessivamente. És a minha pessoa boomerang, imprevisível e constante; instável e simultaneamente regular.
Por teres duas letras, um V de volta e um M de meu atado no atacador da sapatilha, é que eu receio que te tornes no meu vício natural, na minha droga mais poderosa capaz de me esvaziar os bolsos por apenas mais uma grama. Por isso, visto o papel de Hume e afasto-te do conceito mais simples da complexidade de toda uma conexão necessária. Não quero cair no erro comum dos mortais mais banais com os seus pensamentos igualmente vulgares e microscópicos dignos de mentes fechadas e de pessoas com palas nos olhos. Não vou fazer de ti uma necessidade nem o cigarro obrigatório das três da tarde. És o meu “de quando em vez” – com uma pitada do inevitável acréscimo “...talvez enquanto durar” à mistura – e o pensamento da ilusão pioneira de que a duração será infinita.
A minha tese principal é que, afinal de contas, a duração da nossa verdade contingente é demais para ser temporária, é que um boomerang só conhece a casa donde partiu a menos que seja agarrado a meio do percurso. É por isso que te atiro para longe de cada vez que vens, lanço-te o mais alto possível que a força me permite e elevo-te até ao ponto mais próximo do céu.
O meu problema é que as drogas também se pesam às doses e o “não querer” por vezes não é sinónimo de ideia exclusiva que tem tanto de criativa quanto de original com patente registada ou direitos de autor reservados. O ponteiro maior passa duas vezes pelas três e o cigarro raramente está sozinho no maço e o “uma vez por outra” é uma espécie de síntese do “quase sempre”.
És um corredor nato e em breve cortas a fita da meta que já se avista ao longe e portanto, és o novo conceito do meu glossário ainda por inventar.
Tu, és a minha (in)constante necessidade.
[09.40pm]
9 comentários:
Há coisas que entram no nosso vazio de conteúdo e sair... está aquieto ou mau. Acomodam-se e parecem parasitas dos pêlos dos nossos braços, das nossas pernas, das nossas entranhas. E nós, tentamos matá-los com Dum Dum . O problema é que eles estão sempre a ganhar defesas que combatem a toxicidade do nosso amigo Dum Dum e vão ficando, ficando...
Nem todos somos vencedores. Por ser formiga não significa vitória.
Escreves mesmo bem, vou voltar a passar :)
Beijo.
O meu problema é que as drogas também se pesam às doses e o “não querer” por vezes não é sinónimo de ideia exclusiva que tem tanto de criativa quanto de original com patente registada ou direitos de autor reservados. O ponteiro maior passa duas vezes pelas três e o cigarro raramente está sozinho no maço e o “uma vez por outra” é uma espécie de síntese do “quase sempre”.
gostei especialmente desta parte. julgo que já te disse uma vez que adoro as tuas metáforas, como as utilizas de forma a caracterizar o que sentes, fantastico!
visto que estive ausente, li os teus textos anteriores e... escreves cada vez melhor! :')
beijinho, Qel*
"És um corredor nato e em breve cortas a fita da meta que já se avista ao longe e portanto, és o novo conceito do meu glossário ainda por inventar."
mais um texto em que escreves com tanta franqueza. as tuas palavras dizem muito.
verdade, muita verdade. é aquilo que vais transmitindo Qel (:
um beijinho*
Que blog :O
Muito bom mesmo.
Um beijinho Aubergine.
Pela genialidade da tua escrita, pela forma como transmites os pensamentos/sentimentos, e especialmente porque me identifiquei com o texto, adorei e vou voltar! :'D
E obrigado pelo teu comentário no blog. :)
Beijinho*
Um dia destes eu vou poder olhar-te de frente e tu para mim.
Sabes, há uma coisa que gostava muito: de conhecer as pessoas dos blogues. Acho tão bonito a forma particular como cada um escreve... e, às vezes, parece que me lêem os pensamentos e o coração que está tão podre.
É bom saber que alguém gosta de ler os meus mediocres textos. Eu gosto dos teus. Condizem com a doce pessoa que pareces ser/és.
Vou seguir o que me disseste. xD
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