Este é provavelmente o último desabafo que sobre ti escrevo. Se não fosse a constante necessidade e a sensação de alívio que se instala quando te transcrevo para o papel, nem valerias a atenção de aqui estares impresso sob a forma de palavras.
Defini limites e tracei novos objectivos e – adivinha – não constas nos meus planos. Muito foi aquilo que por dizer ficou mas dar-te mais do que o demasiado sempre foi mais do que o suficiente e tu nem uma insignificante parte de mim mereces. De facto, nunca mereceste.
Fazendo uma retrospectiva de tudo, que de muito teve pouco, consigo abrir os olhos e ver – sim, ver – o quão bem me cegaste. Com a facilidade com que (não) se faz batota num jogo de cabra cega e o profissionalismo da rotina de quem tem como hábito ofuscar a visão de outrem que, por si só, já não consegue – ou sequer quer – enxergar a realidade.
Contigo fiquei temporariamente míope. Agora, olho de lince com visão de águia, tenho que reaprender a distinguir cores, identificar rostos e associar gestos para não mais permitir que me fechem os meus olhos cor-de-avelã.
Já me cegaste e de ti os meus olhos já se queixaram. Pedi-te que não me fizesses promessas quando não as poderias vir a cumprir mas mesmo assim garantiste-me que de tudo farias para não me magoar. E ontem doeu.Defini limites e tracei novos objectivos e – adivinha – não constas nos meus planos. Muito foi aquilo que por dizer ficou mas dar-te mais do que o demasiado sempre foi mais do que o suficiente e tu nem uma insignificante parte de mim mereces. De facto, nunca mereceste.
Fazendo uma retrospectiva de tudo, que de muito teve pouco, consigo abrir os olhos e ver – sim, ver – o quão bem me cegaste. Com a facilidade com que (não) se faz batota num jogo de cabra cega e o profissionalismo da rotina de quem tem como hábito ofuscar a visão de outrem que, por si só, já não consegue – ou sequer quer – enxergar a realidade.
Contigo fiquei temporariamente míope. Agora, olho de lince com visão de águia, tenho que reaprender a distinguir cores, identificar rostos e associar gestos para não mais permitir que me fechem os meus olhos cor-de-avelã.
Ontem, porque hoje já consigo olhar com olhos de ver. Hoje já consigo ver como gente grande. Hoje já sou capaz de reparar na cegueira que me causaste.
[10.04am]

15 comentários:
"Muito foi aquilo que por dizer ficou mas dar-te mais do que o demasiado sempre foi mais do que o suficiente e tu nem uma insignificante parte de mim mereces. De facto, nunca mereceste."
Sinto exactamente o mesmo, mas continuo a manter essa pessoa nos meus planos. o que às vezes me leva a sentir um bocado parva :X
Adorei! *.*
um beijinho
é cada texto Qel. Adorei mesmo. ;)
ps. gosto dos teus olhos.
um beijinho.
oh quel, que texto bonito rapariga!
há cegueiras que nenhum olho cura. espero que a tua não faça parte dessas.
Um beijinho *
"Se não fosse a constante necessidade e a sensação de alívio que se instala quando te transcrevo para o papel, nem valerias a atenção de aqui estares impresso sob a forma de palavras."
Também é por razões como esta que escrevo. Grande texto, escreves muito bem. ;D
Beijos
Este é, talvez, dos que mais gosto porque já somos demasiadas vezes miopes.
E eu adorei o sentido visual que deste ao texto foi espectacular...ficar miope...cega...realmente as pessoas vem muitas vezes o que querem ver neh verdade?
continua a escrever assim =D
Houve tempo em que senti a garra que senti ao ler as tuas palavras, ao ler aquela frase que me deixaste. Já pensei assim, já...
Mas a vida dá muitas voltas, não é? E o que hoje é branco como a neve, amanhã pode ser completamente preto.
Se há uns anitos me dissessem que algum dia iria ter medo de arriscar e de lutar por mim, ia, de certeza, chorar de tanto rir. Hoje é, para mim, a mais pura das verdades.
Tempo. Parece-me que a chave de tudo isto é o tempo. O tempo cura todas as feridas e abre todas as portas. :)
Gostei do que fui lendo neste teu cantinho. Vou começar a vir cá mais vezes. :)
Beijinho, Joana Rita
Gostei :)
Beijo
E um dia vais perceber que não te cegaste, porque esse olho que cegou com as qualidades d'alguém, vai saber ver (um dia) as qualidades de outrém. Demora, mas acabamos sempre por nos conformar.
Beijinho
"Muito foi aquilo que por dizer ficou mas dar-te mais do que o demasiado sempre foi mais do que o suficiente"
Escreves belissimamente. Já comentei um texto teu aqui e devo estar a reptirme mas identifico-me muito com as tuas palavras.
curioso, o começo do nosso ultimo post é pareçido (:
Se pior cego é aquele que nada quer ver, então não te preocupes. não o és, basta querer.
Beijinha
Ganhaste as dioptrias suficientes para escrever um belo texto...
Esta mesmo muito bom, Qel! Divinal, aliás. Muito bem escrito e adorei completamente a maneira "semi-directa" de como escreveste.
Costuma-se dizer que cegos são aqueles que não querem ver. Esses lindos olhos parecem-me extremamente aptos no que depender de ti :)
"Se não fosse a constante necessidade e a sensação de alívio que se instala quando te transcrevo para o papel, nem valerias a atenção de aqui estares impresso sob a forma de palavras." - Esta parte inicial do texto fez-me logo apoiar o cotovelo na cama e aproximar-me do monitor.
beijinho enorme :)
oi =)
Belo texto, nota-se que as palavras foram escritas com sentimento, mostra um pouco da tua inteligencia e força como mulher...que nós homens infelizmente possuimos pouco.
Uau fiquei fã!
bj
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