26/12/2008

~ ucal & bolacha XL

"Vem fazer de conta, eu acredito em ti (...)".

Ia chamar-te de amor mas só agora reparei que não o devia fazer. Após tantas cartas escritas sobre ti nas quais eu te dirigia um “meu amor” retirado do fundo do coração… não te posso tratar por tal. Amor é o que uma pessoa que ama outra lhe chama. Não és o meu amor porque nem tu me amas nem eu te amo a ti. Não é amor, aquilo que sentimos um pelo o outro. O que é, afinal? O que é que sentes por mim, meu amor? Oh desculpa, voltei a fazê-lo. É do hábito, não ligues. Desculpa duas vezes: pelo “amor” e pelo “meu”. Nem sequer meu és e muito menos eu tua sou. Desculpa as minhas desculpas, desculpa pedir desculpa. Ninguém é de ninguém, não é verdade?
Então, parece que fico assim sem nenhum termo para te poder chamar. E tudo o que eu te queria escrever era que hoje me lembrei de ti, como tantas vezes o meu subconsciente insiste em me fazer lembrar. Durante o meu lanche, por entre uma garrafa de leite achocolatado e bolachas com recheio de chocolate, como algumas vezes chegámos a partilhar, eu lembrei-me de ti.
Vai um ucal e uma bolacha XL?


[05.58pm]

6 comentários:

C disse...

"O que é que sentes por mim, meu amor? Oh desculpa, voltei a fazê-lo. É do hábito, não ligues." - estou a ficar com o mesmo hábito e não me consigo ver livre dele.

Adorei* Grande beijinho!

teresinha ferraz. disse...

"E tudo o que eu te queria escrever era que hoje me lembrei de ti, como tantas vezes o meu subconsciente insiste em me fazer lembrar."
adorei!

hoje por acaso lembrei-me de ti muitas vezes, MEU AMOR! :)

David Pimenta disse...

"Ninguém é de ninguém, não é verdade?"
ó Qel gostei tanto deste texto, verdadeiramente! :)

Kate disse...

Comecei a chorar a meio do teu texto. Podes acreditar (:

David Pimenta disse...

Ainda bem que pelo menos tenho alguém que compreende o meu ponto de vista.
Concordo inteiramente com a ironia dos smiles nas mensagens, é tal e qual como disseste. É uma questão que me irrita cada vez mais. (:
beijinho *

Ana Moreira disse...

Não sei se é da elevada quantidade de chocolate, mas identifiquei-me com o teu texto, aliás, adorei-o.
É mesmo verdade, ninguém é de ninguém. Acho que nem nós próprios nos pertencemos, senão teriamos o mínimo de domínio para não nos deixarmos assaltar por essas lembraças que nos desconfortam.

Um beijo enorme :)