Todos os dias tens rotinas. Pensas que controlas o teu próprio destino, que consegues contornar cada linha da palma da tua mão fazendo-a passar por falsa e mentirosa com os traços contrários à tua suposta vida. Na realidade podes ser bastante imprevisível, podes também ser camaleão todos os dias e fazer coisas diferentes em dias igualmente distintos mas a verdade é que todas as noites repetes os mesmos movimentos já automáticos e mecanizados que (aparentemente) ‘comandas’ inconscientemente.
Não passas um dia sem ficares uma boa meia hora (por exemplo) na varanda do teu quarto a ouvir música, a pensar, ou simplesmente a limitares-te a ver os carros que se vão arrastando ao longo da rua e a observar os transeuntes que desfilam pelo passeio fora distraídos com sacos das compras, demasiado fechados para si próprios, absorvidos pelas suas simples e insignificantes vidas. Não há uma hora em que estejas em casa e não vás à cozinha espreitar o frigorífico para escolher o que mais te agrada lá para saberes “o que vai ser desta vez”. Todas as semanas, todos os dias úteis, todas as manhãs, preparas a mochila à mesma hora (apenas com uns míseros instantes de diferença). Todas as noites, mal acabas de jantar, arrumas os talheres exactamente da mesma maneira trapalhona para o lado e rodas numa meia-lua o prato para dentro deixando-o na direcção do copo de água meio vazio, meio cheio.
Encaixa isso na tua cabeça. Os teus “fantasmas” que insistem em seguir-te a todo o segundo para todo o lado, esses seres que dormem dentro da tua mente e que te despertam do sono a cada madrugada, já fazem parte de ti. Por muito que tentes ignorar ou até disfarçar, tal como eu, sabes bem que já estás habituado a ‘eles’ e que nunca serias tu sem que ‘eles’ te “atormentassem”. Pára de te iludires com a plástica sensação de que moldas a tua maneira de ser (no mundo) adaptando-a – da forma que te parecer dar mais jeito – a cada situação. Não insistas em fingir que estás constantemente numa montanha-russa quando na realidade vives num carrossel e, lá no teu íntimo, sabes que tenho razão.
Oh vá lá, admite que tens a perfeita noção de que não são vários fantasmas, sabes bem que é um só fantasma; que é O fantasma e que esse teu segredo é uma antiga memória minha.
Encaixa isso na tua cabeça. Os teus “fantasmas” que insistem em seguir-te a todo o segundo para todo o lado, esses seres que dormem dentro da tua mente e que te despertam do sono a cada madrugada, já fazem parte de ti. Por muito que tentes ignorar ou até disfarçar, tal como eu, sabes bem que já estás habituado a ‘eles’ e que nunca serias tu sem que ‘eles’ te “atormentassem”. Pára de te iludires com a plástica sensação de que moldas a tua maneira de ser (no mundo) adaptando-a – da forma que te parecer dar mais jeito – a cada situação. Não insistas em fingir que estás constantemente numa montanha-russa quando na realidade vives num carrossel e, lá no teu íntimo, sabes que tenho razão.
Oh vá lá, admite que tens a perfeita noção de que não são vários fantasmas, sabes bem que é um só fantasma; que é O fantasma e que esse teu segredo é uma antiga memória minha.
[03.56pm]

4 comentários:
admito: a minha vida é um carrossel com gentes em forma de montanha russa.
parabéns (fantasma) ;)
"Não insistas em fingir que estás constantemente numa montanha-russa quando na realidade vives num carrossel e, lá no teu íntimo, sabes que tenho razão."
Dos teus textos que mais gosto :)
Os rapazes andam demasiado complexos para o meu gosto.. hum
que texto! mesmo bonito, sabe mesmo bem ler embora seja "triste" mas encantador.
um grande beijinho
(gostei imenso do teu comentario, obrigado(: )
e quanto a esse (belo) texto, nem há palavras. Adorei a forma detalhada com que escreveste, de forma a dar um texto simples e bonito. Adorei, sem duvida :)
Um beijinho, Qel ;) *
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